Card image
Testes
Yamaha XMAX tem preço justo e surpreende na pilotagem

6 Minutos de leitura

  • Publicado: 07/02/2020
  • Atualizado: 10/02/2020 às 14:10
  • Por: Ismael Baubeta

Finalmente a Yamaha lançou o XMAX ABS! Mostrado pela primeira vez no Brasil no Salão Duas Rodas de 2017 o scooter causou furor e nos fez pensar que seu lançamento seria iminente. Erro nosso. Para frustração geral, a Yamaha optou por não trazê-lo naquele momento. Em compensação, no Salão do ano passado, a Yamaha não só colocou o XMAX em seu estande, como anunciou seu lançamento e, pouco depois, iniciou a pré-venda.

Scooter de média cilindrada

O segmento dos scooter de média cilindrada tinha até pouco tempo atrás apenas o Dafra Citycom 300, lançado em 2009. A Honda colocou o SH 300 para combatê-lo em 2016 e, no ano seguinte, chegaram Kymco Downtown e People GT 300i para tentar aproveitar um nicho em franco crescimento no qual a Dafra foi precursora e, por bom tempo, remou sozinha. O Citycom ainda é o mais vendido, com cerca de 170 unidades emplacadas por mês, enquanto o Downtown vende menos da metade deste volume e o SH 300 emplaca, em média, 40 unidades por mês.

Conforto e espaço de sobra (Renato Durães)

Veja também:
Yamaha Tracer 900 GT: artilharia atualizada
Óleo Pro Honda 10W30: a melhor lubrificação para a sua moto
Projeto Motostory: os deliciosos anúncios de moto dos anos 1940

A chegada do Yamaha XMAX, já está agitando o segmento. Segundo o pessoal de marketing da empresa, a pré-venda já teve os três primeiros lotes esgotados. Eles chegam às lojas na primeira semana de abril, e a fila de espera segue crescendo.

Design arrebatador

O XMAX tem desenho moderno e instigante. É impossível ficar diante dele indiferente sem expressar um sorriso de satisfação, pelo menos para quem curte scooter e motocicletas. De lado impressiona pelo porte que parece de scooter maior, a extensão e largura do banco tem boa parte nessa sensação de tamanho. As linhas marcadas por vincos e ângulos e os faróis alongados e delineados pelo DRL (Daytime Running Light) em LED dão ar de fúria ao frontal da moto.

Design da Yamaha XMAX ABS é muito atrativo (Renato Durães)

Ergonomia

Ela é encorpada, basta passar a perna pela frente do banco, superar a “coluna” do assoalho, onde se encontra o bocal do tanque de combustível e montar nela para perceber que há espaço de sobra para se acomodar. Sentado com meu 1,8 metro de altura as pernas ficam com excelente espaço até o escudo frontal, é possível se movimentar no confortável banco até se apoiar no encosto lombar (este está um pouco longe para minha altura), há espaço de sobra. O garupa também vai muito bem acomodado, as pedaleiras deste poderiam ser um pouquinho mais baixas para flexionar menos as pernas e aumentar o conforto do passageiro.

A distância até o guidão, que pode ser regulado em até 20 mm para frente ou par trás, é excelente e o painel cheio de informações está fixo no frontal do scooter e não no guidão como na maioria dos scooter, dando mais sensação de amplitude.

O novo scooter está em pré-venda desde novembro do ano passado (Renato Duraes)

Espaço de sobra

Depois de verificar como é boa a posição e o espaço para pilotar, a curiosidade de levantar o banco para conferir e imaginar o que pode caber ali embaixo. Impressionante! Cabem dois capacetes, mochila e mais algumas coisinhas. Ao meu ver, ter o tanque de combustível sob os pés (separados pela coluna no assoalho) é uma solução inteligente para ganhar espaço sob o banco, uma das grandes virtudes doa XMAX ABS. No escudo frontal dois compartimentos (um com trava e tomada 12V) garantem ainda mais espaço para miudezas.

Impressiona o compartimento sob o banco, é enorme (Renato Durães)

Como se comporta

O XMAX ABS tem motor monocilíndrico de 4 válvulas e refrigeração líquida é capaz de render, segundo a Yamaha, 22,8 cv a 7.000 rpm e 2,5 kgf.m a 5.550 rpm de potência e torque máximos respetivamente (no virabrequim).

Silencioso e de respostas rápidas é a partir das 4.500 rpm que você sente o empurrão mais forte, ganhando velocidade rapidamente. O motor diverte, acelera rápido e tem baixo nível de vibração e o ruído. As respostas permitem uma tocada tranquila na cidade e na estrada. Nas rodovias é possível viajar em velocidade cruzeiro de 120 km/h e, se preciso, dar esticadas até os 140 km/h, velocidade máxima marcada no painel.

O XMAX é bom de curva, as suspensões trabalham bem (Renato Durães)

O XMAX é o único da categoria de média cilindrada com controle de tração, é difícil senti-lo atuar, mas em paralelepípedos ou em piso muito liso às vezes é possível sentir o corte da ignição para evitar as derrapadas. Pela potência do motor não seria necessário, mas a tecnologia é bem-vinda quando se trata de iniciantes no comando.

Mais virtudes

Outra surpresa que impressiona é a suavidade com que é possível rodar com o Yamaha XMAX no lunático pavimento das grandes cidades como São Paulo, as suspensões absorvem muito bem as irregularidades e, diferente da maioria dos scooter, não tem o desagradável trepidar no guidão nem aquelas pancadas nas vértebras, vindas dos amortecedores traseiros. A direção é precisa e fazer curvas com ele é divertido, podendo inclinar bastante sem preocupação.

O sistema de freio assistido por ABS nas duas rodas ajuda nas frenagens de emergência, mas tem funcionamento meio áspero, principalmente em piso escorregadio. É preciso tato para que funcione melhor, se você enfiar a mão no freio com força para valer (o que pode acontecer com os menos experientes numa emergência), o sistema atua depois de uma pequena derrapagem da roda traseira, o que pode causar sustos.

Freios potentes e suspensões com excelente capacidade de absorção de impactos
(Renato Durães)

O Yamaha XMAX foi uma excelente surpresa e já está sendo bem recebido pelo público, até o presente momento os dois primeiros lotes já foram esgotados e a fábrica iniciou mais um turno de produção para dar conta da demanda.

As vidas de Dafra Citycom, Honda SH300 e Kymco Downtown 300 devem ficar mais complicadas de agora em diante, pois o preço sugerido de R$ 21.990 do Yamaha XMAX ABS não parece ser um problema, pelo menos até agora.