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Yamaha Tracer 900 GT: artilharia atualizada

8 Minutos de leitura

  • Publicado: 27/01/2020
  • Por: Willian Teixeira

A nova Yamaha Tracer 900 GT ganha pacote eletrônico completo, mais conforto e o preço continua atrativo para bater a concorrência.

Texto: Ismael Baubeta
Fotos: Gustavo Epifânio

A Yamaha Tracer 900 era uma excelente motocicleta, e a tecnologia que lhe faltava para brigar com motos mais equipadas foi incorporada na versão que agora os caras do marketing da marca acharam mais conveniente chamar de GT, descolando-a da família MT, apesar de manter o excitante motor CP3 (Cross Plane 3 cilindros). Assim os interessados em comprar uma moto para viajar poderão vê-la como uma verdadeira gran turismo, mais uma boa opção para encarar muitos quilômetros, não como uma moto brutal da família MT, ainda mantendo sua excelente agilidade em centro urbanos.

Yamaha Tracer 900 GT
Empolgante! É difícil não se empolgar com os dotes da nova Yamaha Tracer 900 GT

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Segundo a Yamaha, mesmo tendo colocado em sua categoria como sport touring, o objetivo é concorrer com as líderes de venda do segmento maxitrail, a BMW F 850 e Tiger 800, em suas várias versões. O preço de R$ 49.390 é competitivo, já que as concorrentes com o mesmo nível de equipamentos custam R$ 52.950 (BMW Premium TFT) e R$ 51.390 da Triumph XCX.

Muitas alterações

Bastante coisa mudou na Tracer 900 GT, a começar pelo design reformulado que agora tem várias soluções aerodinâmicas estudadas em túnel de vento para diminuir o arrasto e melhorar a proteção do piloto, aproveitando as formas e defletores para dissipar de forma mais eficiente o calor do motor. Essas mudanças, além de serem mais eficientes, foram pensadas para embelezar todo o conjunto. Agora a Tracer entra na era do TFT, com o bonito painel de design inspirado no da R1, com todo tipo de informação e possibilidade de customização.

Yamaha Tracer 900 GT
A ciclística reformulada, com a nova balança e entre-eixos mais longo, aumentou o conforto

Por meio do punho direito é possível ativar e desativar os componentes eletrônicos da moto. Toda a iluminação da máquina é feita por LED e o desenho dos faróis impõe respeito. A ergonomia também mudou bastante e os engenheiros optaram por afinar a “cintura” da moto. Com isso tanque e banco estão mais estreitos, melhorando o encaixe das pernas, a proteção aerodinâmica oferecida pela dianteira da moto, o apoio dos pés no chão e o encaixe das pernas na moto. Para facilitar a pega sobre a moto e a facilidade de condução em espaços mais apertados, como centros urbanos, o guidão também foi “recortado”, ficando 100 mm mais estreito. As pedaleiras se mantiveram recuadas como no modelo anterior, deixando as pernas flexionadas sem exagero.

  • Painel da Yamaha Tracer 900 GT
  • Painel da Yamaha Tracer 900 GT
  • Painel da Yamaha Tracer 900 GT

O banco agora é bipartido, ganhou espuma mais macia, para dar ao traseiro apoio confortável por mais horas (até que comece a dar sinais de achatamento), e também tem mais área (na parte de trás do piloto e em toda a base reservada ao garupa). As pedaleiras do passageiro também foram reposicionadas para baixo, a fim de deixar as pernas menos recolhidas e evitar o cansaço pela flexão exagerada. As alças, feitas de alumínio, estão mais largas e têm mais espaço para ter mais posições na pegada. Some à essas mudanças um para-brisa maior e regulável, protetores de mãos também redesenhados para desviar o vento, manoplas aquecidas e piloto automático para ver que as mudanças na moto visaram a utilização em estrada.

Mesma genética

Quanto à motorização, o potente e “torcudo” motor de três cilindros, 12 válvulas e refrigeração líquida continua com suas virtudes e pegada quase insana. As acelerações são impactantes e as respostas, imediatas. Apesar de manter os números de potência e torque máximos (115 cv a 10.000 rpm e 8,92 kgf.ma 8.500 rpm, respectivamente), ganhou atualizações na eletrônica e uma nova embreagem assistida e deslizante, além do controle de tração de dois níveis de intensidade que também pode ser desligado. Os modos de entrega de potência do motor continuam como na versão anterior, sendo o modo A mais brutal e o modo B mais suave, tudo através da velocidade de abertura das borboletas da injeção.

Yamaha Tracer 900 GT
Esportividade: a Yamaha encontrou bom equilíbrio entre conforto e esportividade

A genética do propulsor continua e mantém a personalidade forte da moto, assim como permite andar de forma dócil, mas basta provocá-la para ela se despir do pudor e empurrar você para trás, obrigando a segurar firme no guidão para não ficar sentado no chão. A roda dianteira é capaz de ficar no ar por um bom tempo se você deixar, pegada que nenhuma das concorrentes desta Yamaha tem. O controle de tração agora deixa o piloto mais tranquilo com o movimento da munheca. O câmbio é bem escalonado e o novo assistente eletrônico Quick Shift só funciona para subir as marchas e com o giro mais alto, caso contrário os engates sem a embreagem se tornam duros e lentos. Sentir seus três cilindros berrar e bater as marchas uma depois da outra é sensacional e viciante. As equinas chegam rapidamente e as novas saídas se oferecem como uma nova largada.

  • Detalhes da Yamaha Tracer 900 GT
  • Detalhes da Yamaha Tracer 900 GT
  • Detalhes da Yamaha Tracer 900 GT
  • Detalhes da Yamaha Tracer 900 GT

Pregada no chão

A ciclística da Tracer foi revista. Na frente as novas bengalas KYB invertidas são do tipo assimétricas e totalmente reguláveis. Além da pré-carga da mola, ajusta-se de um lado a compressão e do outro o retorno. A nova balança foi alongada em 60 mm e com isso a distância entre-eixos aumentou na mesma proporção. O amortecedor agora tem dois ajustes, pré-carga, por meio de um manípulo de fácil acesso e para ajustar o retorno é preciso de uma chave de fenda. Os novos componentes da suspensão acompanham a evolução da moto. A nova Tracer ficou perceptivelmente mais confortável e suas suspensões se comportam muito bem, têm maior capacidade de absorver impactos e permitir a adequação de seu funcionamento de acordo com o gosto do piloto e ao peso que se vai carregar.

Yamaha Tracer 900 GT
Boa de curvas: a Tracer GT vai muito bem em trechos sinuosos

Na prática, percebe-se mais progressividade do conjunto com movimentos mais suaves, sem perder a capacidade esportiva. Outro ponto positivo é a facilidade para movimentá-la ao entrar nas curvas e mudar de direção, graças à boa ciclística e ao baixo peso (215 kg em ordem de marcha). O sistema de freios continua potente. As pinças radiais de quatro pistões mordem dois discos de 298 mm de diâmetro e têm assistência ABS de última geração Bosch. O sistema é potente e pegajoso. Com tantas melhorias faltou ter recebido as mangueiras tipo Aeroquip (forradas com malha de aço) para reforçar os freios em utilização esportiva, já que é comum a fadiga do sistema em uso agressivo. Sensivelmente melhor, a Tracer 900 GT é mais uma excelente opção para quem quer uma moto para o dia a dia, mas também pretende pegar estrada com atitude, pegada e muito mais segurança.

  • Detalhes da Yamaha Tracer 900 GT
  • Detalhes da Yamaha Tracer 900 GT
  • Detalhes da Yamaha Tracer 900 GT

Conclusão

A Yamaha Tracer 900 GT melhorou muito com as mudanças. Agora ela é tratada pela marca como uma Sport Touring, já que ganhou uma porção de atributos pensados para aquele motociclista que gosta e pretende pegar estrada, por isso deixou de ter a sigla MT. A fábrica quer colocá-la de frente com motos que são de uso misto, como BMW F 850 GS e Tiger 800 XCX, que com o mesmo nível de equipamentos são um pouco mais caras. Sabendo que poucos usuários realmente colocam suas motos na terra mas muito na estrada, a Tracer pode ganhar espaço. Uma coisa é certa, ela ficou muito boa de andar.

*Teste publicado na edição 260 da revista MOTOCICLISMO