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Testes
Yamaha MT-09: sensação de poder

8 Minutos de leitura

  • Publicado: 08/10/2019
  • Atualizado: 08/10/2019 às 13:33
  • Por: Ismael Baubeta

Além de empolgar pelo desempenho inebriante, a Yamaha MT-09 faz quem está no guidão se sentir poderoso pelo design e rugido do excelente motor. É fato que, desde 2013, quando foi apresentada, a MT-09 causou. Supermoderna, com design futurístico e minimalista, mostrava a ousadia da Yamaha para criar um nicho, parecendo não se importar com a opinião alheia.

O porte compacto confundiu as pessoas que perguntavam a cilindrada da moto (Renato Duraes)

Confesso que demorei um bocado para gostar realmente dela. Acertada decisão, caiu no gosto do púbico que gosta de motos vigorosas, com pegada de esportiva, mas que já não dá tanta bola para as carenadas, mais cansativas na pilotagem, e se tornou um sucesso mundial. A marca dos diapasões provou que filho de samurai pode ser jogador de futebol também.

Intimidando pelo olhar

As mudanças visuais que a Yamaha introduziu na MT-09 a deixaram ainda mais invocada, com cara de poucos amigos. O bloco óptico que agora ilumina com dois conjuntos de duplo LED impõe respeito e no retrovisor faz os corredores se abrir, e as passagens se alargam como se fosse magia, no que seu ronco ajuda.

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Novas entradas de ar maiores, quase ao lado do farol, e abas no radiador encorparam a dianteira da moto, alargando visualmente o tanque. Em contrapartida, o banco (pouco mais comprido que o anterior no lugar do garupa) termina na minúscula e translúcida lanterna, o que parece ter encurtado a moto, já que o para-lama foi realocado e instalado na parte de trás da roda, tal qual alguns modelos europeus. O escape continua sob o motor, mas recebeu novo formato na ponteira. As cores (preta, azul e cinza, com rodas amarelo-limão) ajudam a valorizar o novo desenho e realçam a agressividade de suas linhas.

Atualização tecnológica

Desde que andei na primeira MT-09 virei seu fã. Ela tem pegada empolgante, quase indecente. Enfiar a mão no acelerador já causava sensações que beiravam o êxtase, mas faltava tecnologia, afinal, de eletrônica só tinha o ABS e os três modos de pilotagem (Standard, A e B). Agora definitivamente não falta nada à nova MT.

O motor não mudou, sendo três cilindros em linha de 847cm³, 12 válvulas e refrigeração líquida, capaz de render 115 cv a 10.000 rpm e 8,92 kgf.m a 8.500 rpm de torque máximos, porém agora há mais componentes que ajudam na pilotagem e melhoram a segurança dos que são mais “sangue nos olhos” ou menos experientes. Entre as melhorias tecnológicas que a moto recebeu, a mais importante, pelo menos para a segurança é o controle de tração com duas regulagens, que também pode ser desligado caso você goste de sentir a moto querendo sair debaixo de você.

O quick shift (dispositivo que auxilia a troca de marchas sem utilizar a embreagem) é só para subir marchas e a embreagem deslizante, que evita o travamento da roda traseira nas reduções mais bruscas, é também assistida, o que deixa o seu manete e acionamento mais leve. No quesito ciclística, a Yamaha MT-09 também melhorou, recebendo novas bengalas invertidas, agora totalmente reguláveis, tal qual o amortecedor. Isso facilita os ajustes de acordo com peso, carga, estilo de pilotagem e pavimento, oferecendo mais possibilidades ao usuário. Os freios continuam poderosos e têm pegada firme, com dois discos de 298 mm e pinças radias de quatro pistões na dianteira e disco de 245 mm e pinça de pistão único atrás, assistidos por ABS.

Dinâmica

Ao subir na motocicleta você vai perceber que o banco está mais macio e confortável, com a mesma ergonomia, com braços em posição neutra (levemente flexionados) e pedaleiras bem recuadas. Mas é só dar a partida no motor para começar a sentir uma espécie de corrente elétrica percorrer seu corpo, aguçando os sentidos e incitando a vontade de acelerar e relembrar a pancada que seu empuxo provoca.

O motor empurra muito desde baixa rotação e mostra elasticidade também, e acelerar tudo na saída de um semáforo significa deixar a roda dianteira fora do chão. Se der tempo de engatar rapidamente a segunda marcha, aproveitando o quickshift, você já vai ter que frear na próxima esquina. Sua brutalidade pode ser apaziguada com os modos de pilotagem. Se você quiser andar pacatamente, coloque no modo B, pois o STD já mostra seriedade e o modo A deixa a MT bem arisca, mas também bem mais divertida (pelo menos eu acho).

A dificuldade neste modo é que em acelerações mais agressivas e frente da moto praticamente levita e nosso asfalto lunático pode fazê-la chacoalhar, por isso um amortecedor de direção seria muito bem-vindo e aumentaria a segurança. O câmbio me pareceu um pouco rígido e a assistência do quick shift funciona melhor com o giro alto. Se o motor não estiver falando mais alto, o pedal endurece sem a utilização da embreagem. Já nas reduções de marcha mais bruscas a embreagem deslizante cumpre bem seu papel e não deixa a roda bloquear, desestabilizando a motocicleta.

Rodando na cidade, apesar de ter ficado mais confortável com o banco mais macio, a Yamaha MT-09 ainda se destaca pelo comportamento esportivo. Apesar de agora as duas suspensões terem regulagens nas três vias, ainda têm a firmeza necessária para uma tocada esportiva, no entanto ainda são rígidas para rodar no péssimo asfalto de nossas cidades. Em contrapartida, quando você deixa a cidade e sai por estradas sinuosas a MT-09 é capaz de divertir muito, passar confiança e ainda oferecer conforto.

Rápida e precisa para ser direcionada, contorna curvas bem plantada ao chão e o controle de tração dá dose extra de confiança nas saídas de curva, embora neste teste não tenha chegado ao limite para a entrada do CT em curvas. Já na cidade senti falta de um pouco mais ângulo de esterço, e é preciso mais jogo de corpo para manobras fechadas, o que dificulta a transposição de obstáculos em situações de menos espaço. No quesito freios, a MT-09 também está bem servida, a as duas pinças radiais de quatro pistões têm mordida poderosa, tato imediato e preciso com potência de sobra.

O freio traseiro também é bem dimensionado, mas o ABS mostra-se intruso demais quando o pavimento é ruim, principalmente na roda traseira. Não passei por situação extrema, mas uma frenagem de pânico com asfalto ruim pode alongar a distância da frenagem. A Yamaha MT-09 me agrada muito e me excita ainda mais, principalmente nas saídas dos semáforos, pois é difícil conter o ímpeto de largada nesta situação.

Embora os mais de R$ 40 mil estampados em sua etiqueta pareçam um pouco salgados, a pegada desta moto e sua faixa de preço a destacam. Triumph Street Triple, e Kawasaki Z1000 também podem ser cogitadas, afinal também são ótimas motos.

Números da MT-09

No dinamômetro
Potência máxima: 103,25 cv a 10.400 rpm
Torque máximo: 8,04 kgf.m a 8.300 rpm

Potência específica: 121,90 cv/litro
Relação peso/potência: 1,87 kg/cv
Relação peso/torque: 24 kg/kgf.m
Consumo/autonomia média: 18 km/l /252 km

Pontos positivos
• Respostas do motor
• Agilidade
• Design

Poderia ser melhor
• ABS da roda traseira


Conclusão

A Yamaha soube fazer uma família de motocicletas (MT-03, 07 e 09) empolgante e capaz de satisfazer uma multidão de motociclistas, por isso o sucesso delas. A MT-09 ganhou o que lhe faltava tecnologicamente e melhorou muito. O principal auxílio eletrônico incorporado, sem dúvida, é o controle de tração, já que a agressividade do motor podia causar sustos, principalmente nas saídas de curva. Suspensão dianteira totalmente regulável, quick shift e embreagem deslizante completam o bom pacote. O preço de R$ 44.190 não é barato, mas é uma boa opção de compra para quem procura emoção.

Yamaha MT-09: maior modelo da família da marca dos três diapasões (Divulgação)