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Triumph Street Triple RS: direto da Moto2 para sua garagem

6 Minutos de leitura

  • Publicado: 19/12/2020
  • Por: Alexandre Nogueira

Com a Triumph Street Triple RS a impressão é de que o caminho foi totalmente oposto. Parece que a Triumph tirou uma das motos do grid da Moto2 e colocou seus engenheiros para trabalhar nos componentes necessários para que ela pudesse ir para as ruas, mas a verdade é que ela já existia na versão com motor de 765 cm³, propulsor que a Triumph desenvolveu para se tornar fornecedora oficial da MotoGP, na categoria intermediária do campeonato mundial de motovelocidade.

A Triumph Street Triple RS é a pura essência da esportividade, embora você também possa andar pacatamente em passeios dominicais apreciando a paisagem. Ela vai lhe instigar até você sucumbir ao ronco e às respostas do acelerador, enfiar a mão pra valer e sentir todo o poder de sedução desta máquina capaz de fazer qualquer um esquecer de seus problemas e não querer sair de cima dela.

Texto: Ismael Baubeta
Edição: Alexandre Nogueira
Fotos: Renato Durães

Triumph Street Triple RS: naked esportiva de verdade (Renato Durães)

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 Design agressivo

Visualmente a RS está mais agressiva, os adereços aerodinâmicos se resumem às pequenas abas laterais do radiador, à pequena carenagem protetora do painel, ao spoiler sob o motor e às passagens de ar da rabeta, mas, apesar da falta de roupa, tem muita personalidade. Os faróis simétricos estão com jeitão mais bravo e as luzes DRL em LED lembram sobrancelhas franzidas, emprestando ar nervoso.

Triumph Street Triple RS: puramente inspirada nas pistas (Renato Durães)

Vista de lado a Street Triple parece um felino pronto para atacar sua presa. A linha da dianteira começa mais baixa e segue subindo até a minúscula rabeta, mais uma característica de sua esportividade. O motor da Street Triple já era admirável e as modificações feitas o deixaram ainda mais empolgante. O aumento de 9% na potência e no torque nas faixas intermediárias de rotação se traduz em respostas mais imediatas e subidas de giro mais rápidas. As mudanças responsáveis pelo ganho foram várias, entre elas um novo virabrequim, balanceiro e conjunto de embreagem, que diminuíram a massa e inércia interna. O novo escape e ponteira foram reprojetados para potencializar as respostas do motor em médias rotações.

Triumph Street Triple RS: ela gosta de uma tocada agressiva (Renato Durães)

Os três cilindros da Street Triple RS geram 123 cv a 11.750 rpm e 8 kgf.m a 9.350 rpm, números significativos e comportamento capaz de fazer você se sentir no comando de uma moto de corrida, como de fato é. O câmbio teve o escalonamento da primeira e segunda marchas encurtado, melhorando sensivelmente as acelerações, e o ronco rouco da bela ponteira de escape convida a fazer arrancadas de zero a cem a cada saída de semáforo. A embreagem está ainda mais suave no acionamento e no deslizamento nas reduções, mas se você quiser só vai precisar utilizá-la nas saídas, já que o quick-shift vai facilitar as trocas de marcha nos dois sentidos.

Triumph Street Triple RS: motor da Moto2 para as ruas (Renato Durães)

Os cinco modos de pilotagem (Rain, Road, Sport, Track e Rider) também conferem mais facilidade na condução, com parâmetros moduláveis da entrega de potência, do ABS e controle e tração, que também pode ser desligado. No modo Rain a potência do motor é restrita a 100 cv com entrega dócil, para maior segurança.

Triumph Street Triple RS: pequena e esguia (Renato Durães)

 Conforto ou esportividade

Dois atributos que são antagônicos e podem se anular, afinal extrema esportividade não anda na garupa do conforto. Logicamente a Street Triple não se enquadra neste extremo, mas seu compromisso com a diversão e pilotagem esportiva cobra seu preço no conforto. Embora a posição de pilotagem aparentemente seja relaxada, o corpo levemente inclinado para a frente e as pedaleiras recuadas são excelentes para a tocada esportiva, em posição de ataque com o queixo sobre o tanque, mas é bem cansativo rodar por muitos quilômetros assim. O banco tem boa camada de espuma, mas é desfavorecido pela ergonomia mais esportiva, e causa mais cansaço nas pernas.

Triumph Street Triple RS: ergonomia confortável (Renato Durães)

Logicamente o conjunto de suspensões têm o mesmo compromisso. Acopladas ao tradicional chassi de dupla trave com subquadro parafusado e visível sob o banco, tanto as bengalas quanto o amortecedor são totalmente ajustáveis, o que permite conseguir mais conforto ou atitude para fazer trackday. Na dianteira as bengalas são Showa de 41 mm de diâmetro e 115 mm de curso, e atrás o amortecedor é da sueca Öhlins com reservatório de gás e permite à roda traseira 131 mm de curso.

Triumph Street Triple RS: desempenho excelente (Renato Durães)

O comportamento do conjunto é bastante previsível e tem boa capacidade de amortecimento, sendo exímia copiadora do asfalto em condições boas e regulares, permitindo contornar curvas de qualquer raio com desenvoltura de competição. A ressalva é nos pisos muito castigados e na buraqueira urbana, onde se mostra um pouco rígida. Os bons pneus Pirelli Diablo Supercorsa SP V3 são os responsáveis por garantir o grip em qualquer situação e funcionam à perfeição, inclusive se você quiser se divertir em uma pista.

Triumph Street Triple RS: acabamento refinado (Renato Durães)

O sistema de freio é outro componente de grife e muito competente. Na dianteira dois generosos discos de 310 mm são mordidos por duas pinças radiais de quatro pistões Brembo M50 que são acionadas por uma bomba também radial da mesma marca, com regulagem de altura e de intensidade da pegada, equipamento para moto de competição. Atrás uma pinça flutuante morde o disco de 220 mm. O freio dianteiro tem tato sensível e enorme capacidade de frenagem, é potente e basta um dedo para fazer a RS parar. No modo Track o ABS é menos intrusivo e pode deixar a roda traseira deslizar para a pilotagem esportiva, já no modo Rider é possível ajustá-lo a seu gosto.

Triumph Street Triple RS: monoposto é acessório (Renato Durães)

 Informações e compatibilidade

Impossível não falar do painel TFT da Street Triple RS, pois parece um tablet, é bonito, tem vários layouts de exibição, tem todo tipo de informação e ainda pode “conversar” com seu celular e sua câmera GoPro, recurso bastante útil. Eu particularmente achei o formato de barras verticais do conta-giros um pouco difícil de enxergar com precisão as rotações, mas não é uma coisa que me faria desistir da moto.

Conclusão

A Triumph Street Triple RS é uma moto de personalidade forte, tanto no design como na experiência de pilotagem. Ela é convidativa e, apesar de aceitar ser chamada para um passeio sossegado de domingo à tarde, instiga e se insinua a todo momento como uma popozuda rebolando em baile funk. É difícil não se sentir hipnotizado: ponha no mesmo coquetel o barulho do motor e suas respostas e você vai querer estar sozinho no baile para desfrutar tudo o que ela pode entregar, simples assim. O preço não é pequeno, mas se você quer encher o corpo de endorfina e outras substâncias prazerosas, vale o investimento. Eu estacionaria uma destas na minha garagem!

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