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Ducati Diavel 1260 S, Mad Max à italiana

7 Minutos de leitura

  • Publicado: 01/08/2020
  • Por: Willian Teixeira

A Ducati Diavel 1260 S tem um visual impactante, mescla características de naked e de custom com o desempenho das superesportivas italianas, uma receita carregada de emoção!

Texto: Alexandre Nogueira
Revisão: Willian Teixeira
Fotos: Gustavo Epifânio

Desde seu lançamento, a Ducati Diavel causou grande impacto, quebrando todas as regras de design e desempenho. É fato que suas linhas diabólicas e seu desempenho alucinante não agradaram aos mais puristas, mas eu particularmente adoro a construção artesanal e a pegada explosiva e divertida que a Ducati Diavel 1260 S proporciona, seguindo com maestria o legado italiano de produzir verdadeiras obras de arte sobre rodas.

A 1260 S é uma Diavel melhorada em relação à geração anterior, principalmente pelo motor bicilíndrico em L de 1.262 cm³ com comando de válvulas desmodrômico variável (DVT) que já equipava a XDiavel. São declarados 162 cv a 9.500 rpm e 13,1 kgf.m a 7.500 rpm de torque, um dos motores Ducati de maior rotação máxima, com faixa de corte nas 10.000 rpm e funcionamento liso, com pouca vibração, e que na faixa entre 3.000 e 7.000 rpm tem respostas sempre rápidas ao menor toque no acelerador eletrônico.

Teste: Ducati Diavel 1260S, Mad Max à italiana
Conforto: posição de pilotagem neutra com desempenho surreal para a categoria

O câmbio de seis marchas tem engates precisos e está perfeitamente escalonado para aproveitar o alto torque disponível em todas as marchas. Comprovei isso durante os testes de estrada ao notar que mesmo em sexta e última marcha a 1.500 rpm ela empurra com um vigor impressionante, chegando a assustar porque sua tocada é muito diferente de uma superbike pelo fato de não haver carenagem para cortar o vento, dando sensação de velocidade muito maior. De qualquer maneira garanto que a Diavel 1260 S é de colar os olhos na nuca.

Motor em “L” bem acertado

O motor Ducati Testastretta Desmodrômico DVT de 1.262 cm³ derivado da Multistrada 1200 tem menos potência específica, com uma faixa de utilização do torque mais ampla e que se apresenta mais cedo, característica que veio com a adoção do maior curso dos pistões. Duas velas por cilindro otimizam a combustão aliadas a um completíssimo pacote eletrônico com acelerador eletrônico (Ride-by-Wire), três modos de condução e de potência do motor, piloto automático e uma ECU que inclui a Unidade de Medição Inercial (IMU) capaz de controlar o sistema Ducati Safety Pack que inclui ABS, Ducati Traction Control (DTC) e o Black Box System, este para gerenciar com maior precisão o DTC e o piloto automático.

Teste: Ducati Diavel 1260S, Mad Max à italiana
Obra de arte: Imponente e impactante, a Ducati Diavel 1260 S também é vertiginosa

Seis ECU de alta tecnologia controlam tudo em milissegundos para proporcionar a melhor performance em qualquer situação. O pacote eletrônico, a partir da IMU, proporciona uma leitura minuciosa do que está acontecendo com a moto, como aceleração, desaceleração e inclinação do conjunto, permitindo frenagens e acelerações com a moto inclinada. Para rodar na cidade em meio ao trânsito, escolhi o modo Urban de pilotagem para amansar a fera e deixar a motocicleta menos arisca.

Rodando numa boa na cidade ela chega a fazer 20 km/l, mas, andando a velocidades obscenas às leis de trânsito, o computador de bordo mostra apenas 5 km/l. Ao dar a partida, o motor de arranque parece preguiçoso e dá aquela sensação de bateria fraca por causa da alta taxa de compressão de 13:1 mas, uma vez ligada sua batida penetra no corpo como uma britadeira. Sensacional! O tanque comporta 18 litros de gasolina, portanto é bom controlar a mão direita durante os passeios para não ficar pelo caminho.

Eletrônica mais avançada da atualidade

O pacote eletrônico inclui ainda o controle de assistência em arrancadas Ducati Power Launch DPL, sistema keyless Hands Free, iluminação Full LED com Daytime Running Lights, punhos do guidão retroiluminados em vermelho, painel com display TFT colorido, módulo Bluetooth com sistema Infotainment e acesso ao aplicativo Ducati Link.

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O motor tem os cabeçotes reforçados para maior integridade estrutural do conjunto, formado por um chassi artesanal em treliça de aço, conceito semelhante ao da Panigale, dividido em uma parte frontal com a caixa de direção e os equipamentos eletrônicos e uma parte traseira que comporta o belo assento em dois níveis tipo rabeta.

Equipamentos de alta especificação

Esta Ducati Diavel 1260 S que apresentamos traz agregado ao chassi um garfo dianteiro Öhlins invertido de 48 mm multiajustável e uma balança traseira monobraço em alumínio equipada com um monoamortecedor também Öhlins multiajustável que suporta perfeitamente as fortes arrancadas e proporciona ótima estabilidade em curvas e retas em altas velocidades, mantendo o enorme pneu Pirelli Diablo Rosso II de 240 mm grudado ao chão.

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Visual dark: o acabamento total black torna o visual ainda mais impactante

A Ducati Diavel 1260 S é leve e ágil, apesar do longo entre-eixos, acelera rápido e freia com muita precisão, transmitindo a sensação de total domínio da máquina, até certo ponto fácil para pilotos experientes e acostumados com máquinas possantes. A esportividade que se consegue na tocada da Diavel 1260 S é surpreendente. A Diavel 1260 S vem equipada com dois discos de freio dianteiros de 320 mm mordidos por pinças Brembo M50 de quatro pistões e fixação radial, que garantem uma modulação perfeita da força exercida na alavanca, proporcionando um ótimo feedback e confiança ao piloto.

Galeria: detalhes da Ducati Diavel 1260 S

A unidade de medição inercial IMU atua suavemente no ABS permitindo aquela “carcada” no freio dianteiro mesmo com a motocicleta inclinada ao máximo. A ergonomia é neutra, bem natural e ereta, com postura bem encaixada à moto, graças ao largo guidão e ao assento baixo. Em ordem de marcha ela chega perto de 250 kg, mas parece ter bem menos pela boa ergonomia e leveza do conjunto, o que garante muita confiança ao piloto nas baixas velocidades e manobras de estacionamento.

Os mais baixinhos poderão ter alguma dificuldade para manobrá-la por conta do largo guidão, mas, acredite, vai valer o esforço. O acabamento é refinado nos mínimos detalhes e o contraste entre tons de preto brilhante e preto fosco faz reluzir ainda mais a sofisticação e o requinte desta máquina genuinamente italiana.

Teste: Ducati Diavel 1260S, Mad Max à italiana

O enorme assento tem acabamento premium e proporciona muito conforto. O sofisticado painel multicolorido TFT traz velocímetro, computador de bordo com consumo instantâneo, indicador de marcha, conta-giros em escala de barras com shift light, cronômetro, piloto automático e todas as configurações de DTC e ABS, tudo facilmente acessado pelos botões do punho esquerdo. Esteticamente não há comparação sequer que possa ser feita com nenhuma outra motocicleta do segmento.

A Ducati Diavel 1260 S é uma moto diferente, ousada, é preciso saber apreciá-la e dominá-la para que ela ofereça as excitantes sensações de sua performance diabolicamente irresistível de forma confiável. O alto torque para as arrancadas nas longas retas ou para as saídas de curvas de uma serrinha sinuosa recompensa alta dose de satisfação e prazer. Aqui a Ducati só oferece a 1260 S na cor preta, o preço é de R$ 109.990.

NÚMEROS DO DINAMÔMETRO
Potência máxima: 140,81 cv a 9.060 rpm
Torque máximo: 12,21 kgf.m a 7.490 rpm
Resultados obtidos no dinamômetro de rolo inercial Servitec modelo 2010, do centro técnico da revista MOTOCICLISMO

Teste: Ducati Diavel 1260S, Mad Max à italiana

Conclusão – por Alexandre Nogueira

A Ducati Diavel 1260 S tem um visual extraordinariamente exclusivo e um desempenho pra lá de excitante. Sua mistura de naked com custom oferece uma posição de pilotagem confortável e uma tocada muito divertida, com desempenho digno de superesportiva.

Não há comparação plausível que possa ser feita com nenhuma outra motocicleta por aqui. Uma coisa é certa, sua performance não condiz com passeios românticos, mas é possível levar uma garupa para um passeio inesquecível. A Ducati Diavel 1260 S é uma obra de arte e deve ser apreciada. Seu preço pode assustar, mas a tecnologia embarcada e o nível de diversão que oferece fazem o investimento valer a pena.

Teste: Ducati Diavel 1260S, Mad Max à italiana