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Testamos o novo pneu Pirelli Diablo Rosso IV

7 Minutos de leitura

  • Publicado: 27/08/2021
  • Atualizado: 30/08/2021 às 7:58
  • Por: Ismael Baubeta

Pirelli Diablo Rosso IV é melhor e muito mais tecnológico

A evolução e tecnologia das motos de caráter mais esportivo, exige pneus cada vez melhores em condições mais amplas de utilização. Como não poderia deixar de ser, a Pirelli segue o mesmo ritmo.

Seguindo a evolução das motos, a Pirelli desenvolveu o Diablo Rosso IV, como o algarismo romano sugere, o Rosso chega à sua quarta geração.

Diablo Rosso lV
A evolução das motos exige pneus cada vez melhores em todas as circunstâncias de uso. (Foto: Pirelli)

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A família dos pneus agora está ainda mais versátil e garante uma tocada rápida e segura, com maior nível de conforto e muita esportividade.

Diferente de outros pneus esportivos Pirelli, como o Diablo Supercorsa SP, que tem foco de utilização em pista seca e o Diablo Corsa ll, de uso misto (racing e street), o Diablo Rosso IV, é superior em rendimento quilométrico e em aderência no piso molhado, mantendo o código genético oriundo das pistas, que chega para equipar com desempenho digno dos pneus superesportivos.

Pneus de rua estão cada vez mais próximos dos pneus utilizados em pista. (Foto: Superbike Brasil)

Tecnologia usada nas pistas

Os novos pneus Diablo Rosso IV têm mudanças significativas, tanto na estrutura, como na massa (composto) e no desenho dos sulcos. Boa parte das mudanças vêm da tecnologia usada nos pneus de pista do WSBK (World SuperBike).

Segundo a Pirelli, em testes comparativos com o Rosso lll, em circuito na Itália, o Diablo Rosso IV baixou o tempo de volta em mais de dois segundos, uma prova de que a melhora de desempenho é excepcional.

Pirelli Diablo Rosso lV
O design dos íncavos (sulcos) mantém o formato de raio tradicional da família Diablo da Pirelli. (Foto: Pirelli)

Antes de falar o que mudou na composição do Diablo Rosso IV em detalhes vou falar das minhas sensações acelerando diferentes motos em pista seca e no molhado.

Minha percepção ao pilotar

O ideal teria sido a Pirelli ter colocado duas motos iguais, uma com o Diablo Rosso lll e outra com o lV, assim seria mais fácil sentir a evolução e as diferenças entre os dois pneus.

Afinal, geralmente testamos as motos com os pneus originais e não lembro qual foi a última moto de frota que pilotei com o Diablo Rosso lll.

Pirelli Diablo Rosso lV
A Triumph Street Triple RS é uma moto de pegada esportiva que exige dos pneus na tocada agressiva. (Foto: Pirelli)

Como foram as percepções na pilotagem do Diablo Rosso IV:

Na primeira bateria saí com a Triumph Street Triple RS, uma moto que eu adoro e tem pegada animal, dá para fazer derreter pneus, se você desejar, principalmente nas acelerações em saídas de curva.

O Circuito Panamericano é sensacional e bem técnico. Tem curvas de baixa, de média e uma de alta velocidade que é empolgante.

Embora estivéssemos um pouco “comprimidos” pelo guia que nos puxava com uma moto menos potente, pude dar minhas descoladas do grupo e sentir boas reações dos pneus, principalmente nas frenagens fortes, sentindo a frente muito estável e totalmente nas mãos.

Pirelli Diablo Rosso lV

No contorno das curvas, as motos mantiveram a trajetória sem deslizes, no caso da Yamaha Tracer 900 GT a limitação foi dada pelas pedaleiras que frequentemente começavam a limitar a inclinação, mas o excelente apoio e aderência dos pneus garantiram muita estabilidade, senti bastante confiança também nas frenagens com a moto inclinada.

No modo Track a Street Triple permite boa dose de derrapagens, mas eu contornava as curvas bem colado ao chão e quase não senti o controle de tração atuar. Bom sinal, isso quer dizer que os pneus agarraram no chão sem patinar, e olha que eu enfiei a mão de forma agressiva propositalmente nas saídas de curva.

Pirelli Diablo Rosso lV

Os novos Daiblo Rosso lV permitem mudanças de direção rápidas e fluídas, segundo a os caras da Pirelli, graças ao design multiraio (o pneu fica com raio maior das extremidade para o centro), facilitando as inclinações e mudanças de direção, muito perceptível nas transições das chicanes.

Nas acelerações a fundo nas retas, com a moto em plena velocidade a sensação foi de que a frente fica um pouco leve, parece que o guidão fica mais solto, mas em nenhum momento a sensação foi ruim, tudo sob controle.

Na pista de ruído também pude perceber que o Diablo Rosso IV é confortável, a sensação é de que a banda de rodagem se molda às imperfeiçoes, transmitindo muito pouco delas para o guidão ou corpo.

Na pista irrigada andei com a Kawasaki Z900, e, apesar de andar respeitando o asfalto molhado, pude fazer frengens fortes, condição crítica em qualquer motocicleta, e o pneu me passou muita confiança, mais uma vez sem exigir a entrada do ABS em ação.

Pirelli Diablo Rosso lV
No molhado o que mais impressionou foi a capacidade de frenagem, quase como no seco. (Foto: Pirelli)

Oque mudou no Diablo Rosso IV

Pneu dianteiro

Agora o pneu dianteiro tem duplo composto. Na banda central, em área até 35° de inclinação, ele recebeu composto mais duro, que lhe garante maior durabilidade, e nas bandas laterais o composto é mais macio (ambos com alto teor de sílica), o que oferece maior aderência para contornar curvas, mesmo em baixas temperaturas.

Pirelli Diablo Rosso lV
O Diablo Rosso IV só na aparência pode enganar os mais leigos. É outro pneu! (Foto: Pirelli)

O design multiraio ajuda na dirigibilidade e rapidez nas inclinações, agora nas lateria dos pneus a curvatura do perfil é menos acentuada para aumentar a área de contato e aderência nas curvas.

Estrutura

O Diablo Rosso IV, usa uma nova estrutura derivada dos pneus de corrida, com correias de aço zero grau, que conseguem se adaptar perfeitamente aos diferentes níveis de estresse a que é submetida, sem comprometer o conforto.

Agora os pneus dianteiros receberam ‘cordões’ de Rayon, que são mais rígidos e, distribuídos com menos densidade (-20%), deixam mais espaço para o composto de borracha, melhorando a precisão e a sensação de pilotagem, graças às suas propriedades de amortecimento.

Pneu traseiro

A Pirelli optou por desenvolver dois tipos de pneus traseiros, os de dimensões 190/55 ZR17 e superiores, que geralmente equipam superbikes e hypernakeds, que às vezes excedem os 200 cv, tem estrutura em Lyoell de três fios, que é caracterizada por baixa taxa de deformação, se comparada a pneus de perfil estradeiro.

O resultado é uma nova estrutura que pode oferecer maior resistência às tensões geradas na entrada de curva e durante acelerações bruscas.

Nas medidas de pneus traseiros, até 190/50 ZR 17, a Pirelli desenvolveu uma estrutura de Rayon, mais rígida da que era utilizada no Diablo Rosso lll. Esse tipo de carcaça, assim como acontece com o pneu dianteiro, deixa mais espaço para o composto de borracha ajustar melhor a rigidez do pneu ao longo de seu perfil.

Pirelli Diablo Rosso lV
Os pneus traseiros tem composição diferente de acordo com as medidas. (Foto: Pirelli)

Composto traseiro

Os pneus traseiros receberam diferentes características de compostos, assim os pneus de dimensões até 190/50 ZR17, medidas que equipam a maioria das motos de baixa e média cilindrada, receberam massa de borracha bicomposta.

O composto mais duro na base, que sai até a faixa itermediária é “Full Silica” permitindo rápido aquecimento e alta quilometragem.

O composto das laterais é mais macio e foi desenvolvido também para aquecer rapidamente e permitir a aderência tal qual os pneus de competição da Pirelli.

Pneus maiores

Os pneus com dimensões de 190/55 ZR17 e superiores, foram projetados para motos que podem ultrapassar os 200 cv, por isso são divididos em cinco e têm três compostos diferentes.

Composto central

Mais duro, rico em sílica para, segundo a Pirelli, manter a estabilidade em alta velocidade, durabilidade quilométrica, aquecimento rápido e muita aderência em piso molhado.

Composto intermediário

Nas laterais a massa de borracha é mais macia e cobre ângulos de inclinação intermediários, com excelente aderência tanto no seco como n molhado.

Composto lateral (ombro do pneu)

O ombro do pneu, área de maiores inclinações tem composto 100% carbono, derivado dos compostos do Diablo Supercorsa SC de competição, garantindo muito grip e tração nas acelerações.

Melhor no molhado

Além dos compostos mais eficientes em piso molhado, os sulcos (ranhuras) foram reprojetados para melhorar o escoamento da água da superfície permitindo, juntamente com os novos compostos, muito mais desempenho em piso molhado.

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