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Nova KTM 890 Duke eleva o nível da categoria naked

5 Minutos de leitura

  • Publicado: 10/02/2021
  • Por: Alexandre Nogueira

A nova KTM 890 deu um salto respeitável em relação à 790, escalando degraus no desempenho e comportamento sem perder as virtudes de máquina prática e divertida, como uma verdadeira naked deve ser.

Embora a versão anterior 790 Duke já fosse uma motocicleta de concepção muito moderna, a 890 chegou a outro nível. A KTM fez isto em basicamente todos os aspectos, é mais leve, poderosa e mais moderna em relação à tecnologia, mas mantém as qualidades e a versatilidade que uma motocicleta polivalente precisa.

KTM 890 Duke R: esportividade na medida certa (Divulgação)

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Estamos acostumados a ler ou testar motocicletas muito poderosas, onde a barreira de 200 cv de potência parece algo normal, então se você lê 121 cv em uma ficha técnica, pode pensar que não é um número tão alto. Há pouco tempo essa barreira eram os 100 cv, superados apenas por motos superesportivas, some a isto o peso desta Duke 890 de apenas 166 kg declarados a seco, em um conjunto que pode se tornar complicado de dominar ou muito radical para o usuário comum.

É verdade que a eletrônica chegou para domar muitas motos que sem ela seriam difíceis de pilotar, mas também é verdade que se começa uma moto pela parte mecânica quanto às respostas do motor e comportamento do chassi, para depois afiná-la com os microchips, virtude bem logradas na 890. Quando “você a conhece pessoalmente” você vê uma motocicleta de design moderno, que marca seu corpo conciso e estilizado e um farol que embora seja atual já é padrão na KTM.

KTM 890 Duke R: visual inconfundível (Divulgação)

O assento é mais alto que na 790, mas por ser estreito facilita apoiar os pés no chão, mas o mais marcante é o guidão, que é muito largo, plano e localizado mais para baixo do que estamos acostumados nos modelos de média cilindrada da marca, segundo a KTM, desta forma você tem mais controle da roda dianteira e a postura não é forçada, tudo em busca de maior interação do corpo e da motocicleta, mesmo com a pedaleiras mais altas do que na 790.

KTM 890 Duke R: desempenho de superesportiva (Divulgação)

Antes de começar a rodar você escolhe o modo de pilotagem dependendo do que você vai fazer ou das condições. Ao retirar a moto na concessionária, depois de sentir o controle de tração em linha reta, passei ao modo chuva, nele o motor suaviza muito e a eletrônica torna-se mais intrusiva. Isso vem como reflexo que agora as motocicletas se adaptam ao que você vai fazer, seja dar uma volta pela cidade (modo Street), na estrada (Sport) ou na pista (Track), além do modo chuva (Rain), então você tem muitas motocicletas em uma. O acelerador eletrônico é bastante rápido e sensível, mas a resposta motora varia com os modos mencionados, de modo que logo acima 2.000 rpm responde suave e progressivamente.

KTM 890 Duke R: também permite passeios tranquilos (Divulgação)

É muito poderoso em comparação com outros da categoria, mas também muito suave, de modo que em aberturas normais do acelerador em baixas e médias rotações é uma motocicleta muito boa no dia a dia. Não parece ser uma máquina de devorar curvas como se vê nos anúncios, muito radical, digo de forma positiva, porque uma moto muito esportiva pode tanto agradar como desagradar e diminuir sua versatilidade no uso.

A vida sobre esta Duke é fácil, ela se mexe com soltura e tem boa pegado do torque, mesmo em marchas altas. O trabalho do eixo balanceiro nota-se quando você vai a 120 km/h, sem nenhuma sensação desagradável de vibração do motor, só senti falta da proteção aerodinâmica, é o preço da estética. Em contrapartida, o preço a pagar pelo consumo é baixo, já que você pode conseguir médias de quase 25 km/l.

KTM 890 Duke R: quando solicitada mostra toda sua fúria (Divulgação)

Também há uma besta incorporada à Duke 890, basta você selecionar o modo Sport navegando pelo menu com os práticos botões do punho esquerdo. Quando você acelera em primeira marcha com vontade, a roda dianteira vai teimar em olhar para o céu, enquanto no painel TFT a luz de atuação do controle de tração avisa que está fazendo tudo para fazê-la baixar, fazendo parecer que ela é mais brava do que parece, enquanto você se segura mais forte ao largo guidão, até que você involuntariamente (por distração) atinja o corte de ignição a 10.000 rpm. Só senti falta de um quickshifter bidirecional para as trocas de marchas.

KTM 890 Duke R: painel TFT tem conexão Bluetooth (Divulgação)

A ciclística é marcada por um chassi monoviga de aço e um conjunto muito leve, que poderia ser definido como uma naked esportiva e com toque de supermotard, uma vez que não é tão rígido e aprumado como as derivadas de superesportivas. As suspensões WP também evoluíram e são capazes de dar um bom equilíbrio para esta motocicleta que poderia ser nervosa não fosse por elas, especialmente pelo garfo multi-ajustável invertido de 43 mm que permite aproveitar as frenagens ao máximo com progressividade.

O sistema de freios é Brembo Stylema, com o cilindro mestre Brembo MCS com o qual você pode escolher entre três posições da alavanca na bomba, onde você encontra um grande equilíbrio entre a pressão do freio e o toque da alavanca, que também pode ser ajustada em altura, assim como a embreagem. Os freios têm auxílio eletrônico ABS com função de inclinação e modo supermoto, deixando a traseira livre para derrapar se você monta uma pista, podendo atuar na dianteira com a moto inclinada, e sua gestão é simplesmente excelente.

Considerando o seu peso e a alavanca que você faz com o guidão, a KTM 890 Duke R se move de um lado para o outro com a facilidade de uma caneta deslizando sobre o papel. Algo notável considerando que as suspensões e o alto centro de gravidade fazem com que haja transferência de pesos em frenagem e aceleração. Então, de acordo com sua experiência, configure as suspensões para o seu peso e ela responderá perfeitamente a quaisquer solicitações.

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