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KTM 890 S: peça para sair da estrada

8 Minutos de leitura

  • Publicado: 06/07/2022
  • Por: Ismael Baubeta

A KTM 890 S – Adventure em outros países – tem terra no DNA. Trata-se de uma moto com uma evidente aptidão para o fora de estrada, mas que se sobressai no asfalto com muita classe

Desde que foram mostradas em São Paulo pela primeira vez, eu já desejava acelerar uma destas belezuras que o grupo Factory KTM está trazendo, as KTM 890 R e 890 S.

Aliás suas nomenclaturas foram “tesourada” por aqui e sabem por quê? A Fiat tem registrado o nome Adventure e “proibiu” a marca austríaca de utilizar o codinome que há anos se utiliza nas motocicletas de estilo aventureiro, como na BMW R 1250 GS. Se o veículo tivesse quatro, seis ou mais rodas ainda faria sentido, mas uma moto? Isso é simplesmente ridículo. Alguém devia avisar o pessoal do marketing ou do jurídico que motos são bem diferentes do que carros e não competem entre si.

Feito este comentário, então vamos ao que interessa: a KTM 890 S, versão que vamos testar. 

Muito aguardada entre os fãs da marca austríaca, a KTM 890 S tem os atributos que o apreciador do off-road exige (Foto: Renato Durães)

A identidade laranja da KTM 890 S

As 890 Standard e R são as sucessoras das 790, que nós brasileiros não tivemos por aqui, e a identidade desta KTM aventureira de nosso teste segue assinada pelo farol bipartido, mas o chassi de treliça tubular (famoso da marca) deu lugar a um do tipo diamond, onde o motor faz parte da estrutura. Por isso ele fica mais escondido atrás da “roupa” e do tanque que vai até a parte sob o motor. Outra característica das motos KTM é a cor laranja e o porte de moto off-road, embora com para-lama baixo.

Não se preocupe, é provável que ao se aproximar desta KTM você se sinta baixinho, pois ela é grandalhona, alta, mas não é extremamente larga e tem porte de cavalo puro-sangue. Guidão e parte superior do tanque ficam na altura do peito (eu tenho 1,8 metro) e exigem atenção para montá-la, manobrá-la e descer de seu banco que está a 830 mm do chão, mas sua regulagem de altura vai ajudar você, caso seja necessário.

As suspensões da máquina mostram seu valor no off-road, habitat natural da 890 S (Foto: Renato Durães)

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Isso é o que poderíamos esperar de uma legítima austríaca que tem como slogan “Ready to Race”, ou seja, pronta para competir. Agora você vai entender que esse slogan não é somente coisa do marketing da empresa, mas da proposta de todas as motos que eles produzem para tentar chegar mais longe que suas rivais.

Objetivo claro

Tudo nesta KTM 890 S foi pensado para o desempenho esportivo, seja pelo asfalto, seja desbravando caminhos pela terra. Claro que com roda de aro 21 polegadas na dianteira e de 18 na traseira o foco é a poeira e a lama, mas ela é capaz de surpreender no asfalto também.

Engenharia e tecnologia KTM

A engenharia austríaca tem o preceito básico de desempenho em suas motos, principalmente nas de off-road. No caso da 890, o chassi é tipo diamond em aço tubular e as suspensões são de sua subsidiária WP (White Power), modelo Apex, com bengalas de 43 mm de diâmetro totalmente reguláveis (com ajustes hidráulicos separados em cada uma), e o amortecedor traseiro é mais singelo, apenas com ajuste de pré-carga da mola 

e acoplado diretamente à uma balança de alumínio reforçada, sem links, o que diminui a quantidade de peças móveis e a consequente manutenção. As duas têm curso de 200mm e oferecem alto desempenho. 

Motor e eletrônica

O motor recebeu várias melhorias em relação à versão de 790 cm³. O virabrequim tem mais massa giratória para ajudar o torque em baixa rotação, os pistões são forjados e as bielas e o comando de válvulas também foram melhorados. Daí o aumento de 10 cv em relação à sua antecessora.

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O motor segue a receita de dois cilindros paralelos, agora com 899 cm³, refrigeração líquida e 106 cv a 9.000 rpm e 10,2 kgf.m a 7.000 rpm de potência e torque máximos. A eletrônica também é avançada. ABS cornering, controle de tração e anti-wheelie conversam com os modos de pilotagem para o melhor aproveitamento em qualquer situação. Por exemplo, no modo off-road, a potência do motor é reduzida, a entrega é suavizada e o deslizamento da roda aumenta. Já o ABS da roda traseira é desligado e o da dianteira é amenizado, e com o sensor de inclinação anulado permite-se mais movimentos e derrapagens na pilotagem.

Completam o pacote um belo painel em TFT colorido de cinco polegadas, repleto de informações, conectividade pelo App KTM My Ride, piloto automático e, nesta versão testada, o assistente de câmbio quickshifter, que é opcional para ela.

Comportamento da 890 S

Depois de subir na moto – é preciso superar a altura da parte de trás do banco para acessá-la – e encostar parte dos pés no chão, sinto que a posição de pilotagem é boa e bastante confortável. A princípio o banco parece um pouco duro, mas depois de alguns quilômetros você percebe que a rigidez é o justo.

O guidão é largo e o excelente ângulo de esterço permite rapidez e agilidade mesmo em espaços apertados, por isso no trânsito o serpentear entre os carros é tarefa fácil e, por que não, divertida também.

Ao dar a partida no motor seu barulho comprova que nível de ruído não foi uma prioridade da KTM, também não é sinal de mau funcionamento, o importante é o desempenho e a sensação que ele pode causar. Basta começar a acelerar para se empolgar e querer sentir até onde ele pode chegar, berrando e inebriando quem está no comando do acelerador, no caso eu.

As acelerações são rápidas, a subida de giro empolga e ouvir seu berro enquanto subo as marchas usando o quickshifter me faz querer continuar espremendo o acelerador. Aliás, o quickshifter desta moto teve o funcionamento bastante irregular, exigindo giro mais alto para as trocas acontecerem e mesmo assim, depois da primeira troca com ele, as demais não eram precisas, talvez uma questão de ajuste, já que é um acessório.

Ciclística 

A KTM 890 S é uma trail raiz, concebida para aguentar qualquer tranco. O chassi tipo diamond é forte e o subchassi aparafusado a ele foi reforçado para oferecer robustez em uso extremo, mesmo com carga. 

Uma moto com 200 mm de curso nas suspensões tem clara vocação para o off-road e poderia ser limitada no asfalto, mas isso não acontece com a 890 S. Logicamente em piso ruim ou terra e buracos elas engolem com vontade os obstáculos, dá para procurar os desníveis e tentar uns saltos, sempre com boa desenvoltura, mas se você decidir se divertir no asfalto também vai curtir curvas com inclinações radicais e empolgantes para uma trail.

Na terra ou no asfalto, a máquina permite boa desenvoltura (Foto: Renato Durães)

As regulagens na compressão e retorno hidráulicos das bengalas podem deixá-la ainda mais esperta em qualquer caminho. O amortecedor é limitado nas regulagens, mas tem funcionamento bastante progressivo. O conjunto transmite muita confiança tanto no asfalto quanto na terra, independentemente do tipo de tocada sobre ela. A sensação de leveza que a KTM 890 S oferece ao piloto é uma grande virtude, afinal uma moto de 215 quilos com sua estatura poderia ser menos ágil, mas ela surpreende em qualquer situação, na cidade, na estrada ou na terra, ela é extremamente versátil.

Freios

O sistema de freios é poderoso e tem funcionamento exemplar. A eletrônica interfere diretamente no ABS, de acordo com o que o piloto busca, seja no off-road ou no asfalto, já que o sistema cornering permite frenagens com a moto inclinada, sem comprometer a segurança. Os dois discos de 320 mm da dianteira com as pinças radiais de quatro pistões são poderosos instrumentos e têm tato preciso e combinados ao disco de 260 mm garantem excelentes frenagens.

Conclusão

A KTM 890 S não é para qualquer motociclista, não só pelo salgado preço de R$ 134.990 (mais frete), mas porque sua pegada é mais raiz. Os engenheiros austríacos focaram no desempenho em primeiro lugar, em segundo também e só depois é que pensaram no conforto. Embora não seja uma moto desconfortável, ela está distante, por exemplo, de uma BMW R 1250 GS nesse quesito. Comparação inevitável, já que pelo seu preço é possível pegar uma moto da marca alemã também, você não acha? De todo modo eu teria uma na minha garagem.

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