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KTM 200 Duke, fora do lugar comum

8 Minutos de leitura

  • Publicado: 16/09/2020
  • Por: Willian Teixeira

Naked de entrada da marca austríaca, a KTM 200 Duke tem muitas virtudes que podem justificar o preço mais alto, questão de gosto e bolso.

Por: Ismael Baubeta
Fotos: Renato Durães

A KTM é uma marca passional, seu histórico de conquistas nas competições, iniciado no off-road e que está se ampliando para o asfalto, nas provas de motovelocidade, comprovam o DNA esportivo da marca que faz questão de oferecer motocicletas de caráter explosivo e, invariavelmente, muito divertidas.

Esta Duke carrega as linhas agressivas e pontiagudas das demais motos da família, mas não é por ter o menor motor de todas que se descola das irmãs na emoção e diversão quando se está em seu comando, pelo contrário, ela possibilita proporcionalmente as mesmas sensações até para quem é cético quando está na pilotagem de motocicletas.

O design da Duke segue inalterado desde seu lançamento, mas continua bem atual e agressivo, com o chassi de treliça à mostra, o farol em forma de escudo e sua traseira minimalista, o laranja das rodas e do chassi ajuda a reforçar seu compromisso com a esportividade. A versão 2020 recebeu o ABS de um canal (somente na roda dianteira), embora a roda traseira tenha o sensor instalado como se o tivesse atrás também. Depois só mudança nos adesivos decorativos.

Agressiva: o design da 200 Duke remete a esportividade

A ergonomia da KTM 200 Duke é boa, mas a posição de pilotagem com o guidão largo e próximo ao corpo fica mais sobre o tanque, e as pedaleiras recuadas, que deixam as pernas bastante flexionadas, demonstram boa parte de seu compromisso com a tocada esportiva, tipo de configuração que invariavelmente compromete no quesito conforto, mas você é recompensado pela agilidade, rapidez e leveza no direcionamento e condução da moto. O banco de espuma bastante rígida não ajuda se o propósito for fazer longas jornadas com a moto.

A capacidade de inclinação da Duke impressiona

No dia a dia

Saindo para rodar pela cidade, você percebe como ela é esperta, compacta e leve, sua agilidade facilita as manobras no tráfego denso, apesar da certa limitação do seu ângulo de esterço, ela é competente e responde rápido aos comandos do guidão, que por sua vez exige cuidado por ser um tanto largo e ficar na altura da maioria dos espelhos. Mas é deitando-a nas curvas que você percebe o DNA KTM, parece não haver limite para o ângulo de inclinação, e as pedaleiras recuadas ajudam a deixá-la ir além da imaginação para uma moto de pequena cilindrada. São as provas que ela vai dar para você sentir o compromisso dela com a esportividade, basta gostar da tocada esportiva, mas, caso você curta ir além, também estará bem montado.

Compacta e leve, a 200 Duke empolga para fazer curvas

A 200 Duke é mais uma das motos da marca laranja que empolgam e divertem ao ser acelerada, seu motor monocilíndrico de quatro válvulas e de refrigeração líquida é capaz de render 26 cv e tem boa pegada, precisa de giros para dar mais emoção e ganhar velocidade rápido, e, quase invariavelmente, nas saídas do semáforos ela convida a subir as rotações para sair em disparada e, às vezes, medir força diante de outras motos sob o comando de motociclistas curiosos em saber qual é mais rápida, faz parte do pacote de diversão.

O motor monocilíndrico austríaco vibra um pouco, mas essa característica não chega a incomodar. O câmbio de seis marchas é bem escalonado e permite aproveitar os 1,9 kgf.m de torque máximo, que, segundo a ficha técnica, está disponível às 8.000 rpm. A unidade que pegamos estava recém-ativada (saiu da concessionária com dez quilômetros), e, provavelmente por isso, os engates nas reduções ainda estavam um pouco duros, mas para subir as marchas o funcionamento foi bastante preciso, e o acionamento da alavanca da embreagem mostrou-se suave.

Galeria: detalhes da KTM 200 Duke

Outra virtude desta KTM é o sistema de freio composto por generoso disco de 300 mm de diâmetro na dianteira, mordido por pinça radial de dois pistões da marca Bybre (marca pertencente à italiana Brembo), este por sua vez, é acionado hidraulicamente através de mangueiras reforçadas com malha de aço, tipo aeroquipe, essa configuração oferece potência de sobra para fazer parar os cerca de 140 quilos da moto quase que instantaneamente com boa pegada inicial e progressividade nas frenagens, o bom tato no manete também merece destaque. Na traseira, um disco de 230 mm de diâmetro e pinça de pistão único apoia o sistema, porém sem a intervenção do ABS, exclusivo da roda dianteira.

Pequena notável

A KTM tem atributos diferenciados que podem justificar o preço mais alto estampado na sua etiqueta, em comparação com as concorrentes diretas, a Honda CB 250 Twister e Yamaha Fazer 250. A Duke oferece alguns componentes e configurações diferenciados para o segmento, como chassi de treliça, motor com refrigeração líquida, sistema de freio com pinça radial e mangueiras tipo aeroquipe, além de punhos retroiluminados, mas não é todo mundo que está disposto a pagar mais por isto, por exemplo, em detrimento do conforto, por isso a KTM não tem o mesmo objetivo de volume que têm as grandes marcas.

Posição de pilotagem neutra com desempenho surreal para a categoria

Há também o status que a marca oferece, assim como a BMW utiliza os dividendos de modelos consagrados, a KTM utiliza os louros das competições para desenvolver e valorizar suas motos. Mas a Duke permite outro nível de diversão, o usuário desta moto quer outro tipo de curtição sobre duas rodas, como dar uns “rolés” em kartódromo e até arriscar algumas manobras, mas tudo o que ela oferece pode não fazer sentido para você desembolsar uma grana a mais se sua compra for simplesmente por necessidade de locomoção ou trabalho, sem levar em conta o lado passional.

As inclinações são suficientes para garantir a diversão

As comparações com suas concorrentes têm particularidades, afinal, apesar de a “Dukezinha” de 200 cm³ ter o motor mais potente entre as motos da categoria (26 cv), ela não era certamente uma moto para brigar diretamente no preço, afinal os R$19.990 pedidos pela Duke eram quase R$ 4.000 a mais que os R$ 16.114 pedidos pela Twister (22,4 cv) e quase R$ 2.300 a mais que os R$ 17.709 da Fazer (21,3 cv), uma diferença que é mais plausível se você analisar friamente as virtudes de todas e comparar com suas pretensões para o uso da motocicleta e, claro, a possibilidade de sua conta bancária.

Agora a nova gestão da marca austríaca no Brasil está se esforçando para conquistar o espaço perdido para a concorrência pelo preço e reposiciona o valor da 200 Duke para R$ 16.990 mais frete, o que a torna claramente muito mais atraente e competitiva no segmento, principalmente para quem acha que o preço estava salgado e era o empecilho para a compra.

A Duke não foi concebida para ser uma moto de trabalho, mas para oferecer muita adrenalina dentro de uma categoria em que suas concorrentes são motos que servem tanto para o deslocamento como para o trabalho em um dia a dia agitado e com muitos quilômetros rodados e nível de conforto maior.

DADOS DE FÁBRICA
MOTOR
Tipo: Monocilíndrico
Arrefecimento: A líquido
Válvulas: 4
Alimentação: Injeção eletrônica
Cilindrada: 199,5 cm³
Diâmetro x curso do pistão: 72 x 49 mm
Taxa de compressão: 11,5:1
Potência máxima: 26 cv a 10.000 rpm
Torque máximo: 1,9 kgf.m a 8.000 rpm

TRANSMISSÃO
Embreagem: Multidisco banhada a óleo
Câmbio: 6 marchas
Secundária: Corrente

CHASSI
Tipo: Tipo treliça tubular em aço
Balança: Alumínio
Cáster/trail: n.d.

SUSPENSÃO
Dianteira: Garfo telescópico invertido
Curso: 150 mm
Regulagens: Não possui
Traseira: Monoamortecida
Curso: 150 mm
Regulagens: Pré-carga de mola

FREIOS
Dianteiro: Disco 280 mm
Pinça: Radial de 2 pistões ABS
Traseiro: Disco 230 mm
Pinça: 1 Pistão

PNEUS
Modelo: Pirelli Diablo Rosso ll
Dianteiro: 110/70-17
Traseiro: 150/60-17

MEDIDAS
Comprimento: n.d.
Largura: n.d.
Entre-eixos: 1.361 mm
Altura do assento: 810 mm
Distância mínima do solo: 170 mm
Capacidade do tanque: 10,5 litros
Peso (em ordem de marcha): 140 kg
Capacidade máxima de carga: 210 kg

Conclusão

A KTM 200 Duke é uma moto de baixa cilindrada, mas é capaz de divertir marmanjos como eu, que gosto de fazer curvas e sair forte dos semáforos, mas a esportividade cobra no conforto. As motos concorrentes diretas da KTM 200 Duke são as já consolidadas Honda CB 250 Twister e Yamaha Fazer 250, que são mais baratas.

Visual Dark: o acabamento total black torna o visual ainda mais impactante

É verdade que temos que levar em consideração quanto se tem disponível para a compra e o que cada uma delas pode entregar, além, é lógico, do uso que vai se dar para a moto. Se o empecilho for a grana e a vontade é de ter uma moto diferenciada e mais arisca, vale a pena o esforço para adquirí-la.

Conforto não é seu ponto forte, mas, quando o assunto é diversão, ela é top

A KTM é como a BMW, uma marca premium, tem menor volume e o fato de ter menos concessionárias no país também pode desfavorecer a escolha, mas é certo que esta Duke é bem divertida e empolgante.

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