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Kawasaki Vulcan S 650, uma custom média de respeito

8 Minutos de leitura

  • Publicado: 27/06/2020
  • Por: Willian Teixeira

A Vulcan S 650 é a única de média cilindrada disponível no Brasil, mas não é só isso que a faz ter sucesso nas vendas, ela tem excelentes atributos para ocupar sua garagem, confira!

Texto: Alexandre Nogueira
Edição: Willian Teixeira
Fotos: Christian Castanho

A Kawasaki Vulcan S 650 é a única custom de média cilindrada vendida no Brasil, isso é parte do motivo de seu sucesso. Ela emplacou em 2019, 820 unidades, empatando com a campeã, Fat Boy, nada mal! A Vulcan S é diferenciada, tem um estilo New School e pretende estabelecer um novo paradigma para atrair um público mais jovem e descolado, que não segue os tradicionalistas da velha escola e vive suas próprias regras e, porque não, com menos grana para investir.

Kawasaki Vulcan S 650, uma custom média de respeito
Apesar de “grandalhona”, a Vulcan S oferece bastante conforto no trânsito

Esta versão que avaliamos, combinando tons de preto fosco e preto brilhante, é ao mesmo tempo sóbria e elegante, e o preço praticado na rede de concessionárias é de R$ 32.590,00, já a exclusiva versão cinza metálica fosca sai por R$32.990,00, preços mais que justos.

Particularmente, eu adoro esta máquina, principalmente por causa do forte motor bicilíndrico que também equipa a ER-6n, a Ninja 650 e a Versys 650. O motor de dois cilindros paralelos e 650 cm3 adota um cabeçote de oito válvulas com duplo comando, refrigeração líquida e injeção eletrônica, mas, desde a versão 2016, teve sua potência reduzida de 72 cavalos para 61 cavalos a 7.500 rpm, o torque de 6,4 kgf.m aparece nas 6.600 rpm. A nova diagramação do comando de válvulas e no sistema de admissão prioriza o torque em baixa, melhorando as retomadas.

Kawasaki Vulcan S 650, uma custom média de respeito
Seu motor bicilíndrico também equipa Ninja 650 e Versys 650

Motor valente e econômico

O motor tem ótima elasticidade e proporciona arrancadas muito divertidas, fortes e rápidas, graças também ao macio e bem escalonado câmbio de seis marchas, que tem as primeiras marchas mais curtinhas e a última marcha mais longa, priorizando as baixas rotações para a estrada, tipo overdive. A 100 km/h constantes em sexta marcha, o motor gira a baixas 4.500 rpm, mas basta acelerar fundo que o motor responde imediatamente com bastante vigor e sem necessidade de reduções, o que colabora ainda mais para uma tocada tranquila e confortável.

Kawasaki Vulcan S 650, uma custom média de respeito
A Vulcan S é extremamente ágil e divertida. Sua desenvoltura no trânsito é excelente, só não é melhor pela largura do guidão e das pedaleiras.

O consumo na estrada, rodando a 100 km/h constantes e com a indicação ECO acesa no painel, ficou na casa dos 30 km/l, e na cidade ela chegou a fazer 23 km/l andando numa boa, respeitando os radares que não permitem mais de 50 km/h. Bebeu 18 km/l acelerando um pouco mais agressivamente nas arrancadas dos semáforos.

O tanque de combustível comporta 14 litros e garante uma ótima autonomia. O sistema de escapamento é novo e permitiu enquadrar a Vulcan S 650 no rígido Promot (programa de controle de emissão de gases vigente no Brasil para motocicletas, ciclomotores e afins).

Kawasaki Vulcan S 650, uma custom média de respeito
O escape é a peça mais estranha da moto

Ciclística

O chassis é de aço tubular tipo Diamond e tem ótima rigidez, sua geometria, mesmo com ângulo de cáster mais aberto, não atrapalha as manobras de baixa velocidade em meio ao trânsito apertado. Ela é muito fácil de conduzir no trânsito, diferente de algumas custom maiores e mais pesadas, a baixa altura do banco ainda ajuda nas manobras e no apoio dos pés no chão, a agilidade é um dos pontos fortes, mesmo pesando 228 kg em ordem de marcha.

O guidão é bastante largo, e as pedaleiras idem, e podem limitar a passagem no corredor, mas pouco. Ela também é boa nas estradas com curvas de alta, onde mostra o seu potencial para contorná-las com estabilidade superior, se comparada a outras máquinas do segmento.

Kawasaki Vulcan S 650, uma custom média de respeito
Assim como farol, a lanterna é de LED

A suspensão dianteira utiliza garfo telescópico convencional, e a traseira, um monoamortecedor com sete ajustes na pré-carga da mola, sua posição é deslocada para a direita da balança, compondo um visual agressivo e diferenciado. O funcionamento do conjunto é bem superior ao das motos que adotam dois amortecedores na traseira, e uma tocada mais esportiva é muito bem aceita pela Vulcan S 650.

Kawasaki Vulcan S 650, uma custom média de respeito
O amortecedor está deslocado para a direita, facilitando o acesso à regulagem de pré-carga da mola

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A ergonomia é típica de custom com as pernas mais à frente, mas ela tem uma pitada de esportividade. As pedaleiras do piloto são reguláveis e permitem o acerto perfeito para qualquer biotipo e experiência do condutor. O assento baixo e o chassi estreito permitem apoiar os dois pés no chão com facilidade, contribuindo para a confiança do piloto nas manobras em baixa velocidade.

Kawasaki Vulcan S 650, uma custom média de respeito
Sobriedade na bela combinação do preto brilhante e do fosco

Mais virtudes que defeitos

Os freios são a disco nas duas rodas e, com a assistência eletrônica do ABS, garantem curtos espaços de frenagem, apesar do disco simples na dianteira. O banco é amplo e muito confortável, mesmo para jornadas mais longas na estrada, mas a garupa, como em quase toda moto custom, sofre com o tamanho reduzido do assento.

Kawasaki Vulcan S 650, uma custom média de respeito
Os punhos são tradicionais e de bom acabamento
Kawasaki Vulcan S 650, uma custom média de respeito
Detalhe do disco traseiro e seu sensor do ABS

O guidão é grande e largo, proporcionando uma posição ereta e bem confortável para as viagens e uma pegada segura para serpentear uma serrinha cheia de curvas. A tocada esportiva transborda adrenalina por conta das altas rotações e do forte ronco do motor, mas, certamente, fica limitada por causa das pedaleiras que não permitem inclinações mais ousadas, porém garanto que qualquer piloto desce da Vulcan S 650 com um largo sorriso no rosto.

Kawasaki Vulcan S 650, uma custom média de respeito
O banco é confortável para o piloto, já o garupa tem espaço limitado
A regulagem dos manetes ajuda a melhorar a ergonomia

Modernidade

O belo painel também é moderno, mescla conta-giros analógico e um display digital completo de informações. O visual clássico com elementos de modernidade é o grande trunfo desta motocicleta, com várias peças em preto fosco no lugar dos cromados e as rodas de liga que dão uma abordagem mais esportiva logo ao primeiro olhar. O farol em formato de gota garante forte personalidade a esta custom oriental.

O painel mescla conta-giros analógico e informações em bloco digital, ambos com boa visualização
As pedaleiras reguláveis ajudam na ergonomia

A Kawasaki Vulcan S 650 é muito bem resolvida e chega para atender diversos tipos de motociclistas, o iniciante, o comprador da primeira moto, quem quer subir ou até mesmo mudar de categoria. Para quem curte o estilo de vida do universo custom, a Vulcan S 650 tem estilo e atributos de sobra para atender ao “Neo Easy Rider”.

DADOS DE FÁBRICA
Bicilíndrico, arrefecido a líquido
DOHC | 8 válvulas | câmbio de 6 velocidades
Cilindrada: 649 cm³
Potência máxima: 61 cv a 7.500 rpm
Torque máximo: 6,4 kgf.m a 6.600 rpm
Diâmetro x curso do pistão: 83 mm x 60 mm
Taxa de compressão: 10,8:1
Quadro: Tipo diamond em aço
Cáster: 31º
Trail: 120 mm
Suspensão dianteira: Garfo telescópico com 130 mm de curso
Suspensão traseira: Monoamortecedor, 80 mm de curso, ajuste pré-carga
Freio dianteiro: Disco de 300 mm, pinça de 2 pistões (ABS)
Freio traseiro: Disco de 250 mm, pinça de 1 pistão
Modelo do pneu: Dunlop Sportmax D220
Roda dianteira: 120/70 – 18”
Roda traseira: 160/70 – 17″

MEDIDAS
Comprimento: 2.310 mm
Largura: 880 mm
Altura do assento: 705 mm
Entre-eixos: 1.575 mm
Tanque: 14 litros
Peso (OM): 228 kg

Preço: R$ 32.990 (em 27/06/2020)

A Vulcan parece menor do que realmente é

Primeira impressão, por Alexandre Nogueira

A Vulcan S 650 é perfeita para livrar o segmento custom da ideia de que este tipo de moto tem que ser grande, pesada e dura de pilotar. Aos motociclistas que acham isso, fica o convite para subir em uma Vulcan e, provavelmente, rever seu conceito, afinal uma das virtudes dela é a agilidade e a facilidade de pilotar, seja onde for, inclusive no tráfego mais intenso e apertado, ela tem ginga e com certeza vai surpreender quem não a conhece.

Vulcan S 650 é a única custom de média cilindrada vendida no Brasil

O motor também é digno de elogios, o senão fica pelo pequeno banco do garupa, que pode causar desentendimento no casal, mas os R$ 32.590 da etiqueta desta moto fazem valer ainda mais o investimento, não é à toa que vendeu tanto quanto a Fat Boy em 2019.