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Kawasaki Ninja 400R: a Ninjinha cresceu

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  • Publicado: 30/09/2020
  • Por: Alexandre Nogueira

No Brasil a Ninjinha 250 logo se tornou a queridinha dos jovens pilotos apaixonados pela motovelocidade desde seu lançamento em meados dos anos 2000. Pouco depois ela passou por modificações e ganhou um motor de 300 cilindradas.

Agora a Kawasaki apresenta a Ninja 400R, uma motocicleta totalmente nova e com melhorias para torná-la referência na categoria das pequenas esportivas, duelando no Brasil apenas com a Yamaha YZF R3, mas na Ásia, Europa e Estados Unidos briga também com Honda CBR 250RR, Suzuki GSX 250R e KTM RC 390R.

Ninja 400 tem a YZF-R3 como única rival no Brasil (Renato Durães)

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Pela cilindrada muitos a consideram uma pequena média, mas a sua tocada é tão fácil e segura que os iniciantes se sentirão muito à vontade na tentativa de aprender as técnicas de pilotagem bem como superar seus limites. Os mais experientes terão uma dose extra de diversão porque esta Ninja 400R mantém as características das antecessoras com uma tocada agressiva e excitante com o giro do motor na casa das 10.000 rpm.

Com tocada fácil, Ninja 400 é opção interessante para iniciantes e experientes (Renato Durães)

Eu estava realmente muito ansioso para conhecer a nova máquina, então montei na motocicleta e saí em busca de respostas e a primeira impressão foi o tamanho do cockpit, uma motocicleta pequena e de encaixe perfeito para pilotos com até 1,80 m de altura, com uma ergonomia que permite passeios na cidade ou na estrada com bastante conforto. Mas ela gosta também de uma pista, para se divertir e aprimorar as técnicas de pilotagem num track day ou para superar seus limites e competir no Campeonato Brasileiro.

A nova Ninja 400R recebeu um novo motor de dois cilindros paralelos com exatas 399 cilindradas, mas o tamanho do motor permaneceu praticamente igual. A potência máxima chegou em 48 cavalos a 10.000 rpm e consequentemente o torque teve uma melhora de 40%, chegando a 3,9 kgfm nas 8.000 rpm. Na versão anterior a potência máxima de 39 cavalos surgia nas 11.000 rpm então é muito notável a diferença na tocada, pois não é necessário fazer tantas trocas de marchas graças à enorme elasticidade do motor e o escalonamento perfeito do câmbio de seis marchas.

O chassis também é completamente novo, uma treliça de aço inspirada na Ninja H2, com melhorias na geometria e na distribuição das massas e que ajudou a nova Ninja 400R a perder 4 kg de peso ficando agora com 168 kg em ordem de marcha e com a estabilidade explicitamente superior à versão anterior de 300 cilindradas que tinha um chassis tipo Diamond. A nova Ninja 400R é mais fácil de tocar esportivamente e transmite muita confiança.

A suspensão dianteira agora utiliza um garfo convencional de 41 mm de diâmetro e o ângulo de cáster passou de 27° para 24,7° reduzindo a distância entre eixos para melhorar a agilidade em baixas velocidades. É impressionante a precisão com que consegui atacar curvas de todos os tipos, sem o menor balanço ou escapada da trajetória escolhida. Senti a nova Kawasaki Ninja 400R sempre na mão numa estrada repleta de curvas de todos os tipos, de baixa e de alta, em descida e subida e com algumas retas para esticar as marchas.

A balança traseira utiliza o sistema Uni-Track em conjunto com um monoamortecedor KYB a gás que possui um anel com cinco regulagens na pré carga da mola. Fiquei impressionado com a estabilidade do conjunto, levando em consideração o set up original de fábrica, então logo imaginei o quanto esta atrevida esportiva de 400 cilindradas pode melhorar. As novas rodas de cinco raios tem aro de dezessete polegadas calçadas com pneus Dunlop Spotmax GPR-300, sendo o dianteiro 110/70 e o traseiro, agora maior, um 150/60 e a sensação de segurança e confiança que eles me transmitiram foi muito positiva.

Galeria: detalhes da Kawasaki Ninja 400

O sistema de freios não poderia ficar sem alterações e agora o único disco dianteiro tipo margarida é de 310 mm, mordido por uma pinça Nissin de duplo pistão. Na traseira o disco único de 220 mm da conta do recado para melhorar a estabilidade nas frenagens mais agressivas. Uma nova unidade de controle do sistema ABS é ítem de série e atua muito bem.

Ao montar percebi que a posição de pilotagem é praticamente a mesma, mas o guidão está posicionado um pouquinho mais perto do piloto. A altura do assento é a mesma e oferece facilidade para apoiar os dois pés no chão mesmo para os pilotos de média estatura. Minha reclamação quanto ao cockpit é que a Kawasaki instalou a ponteira de escapamento muito perto do pé direito e muitas vezes me flagrei com o calcanhar apoiado na ponteira. Outro descuido é o fato de não haver regulagem de altura das alavancas de freio e embreagem.

O tanque de combustível comporta 14 litros e proporciona um encaixe perfeito dos joelhos para qualquer condição de tocada. O painel de instrumentos é o mesmo da Ninja 650 e segue o novo padrão Kawasaki com um grande mostrador analógico para as rotações do motor junto com um pequeno mostrador digital com as informações de bordo e as luzes espia de advertência de injeção eletrônica, do ABS e de pressão de óleo. A nova Kawasaki Ninja 400R custa à partir de R$ 27.990 mais o frete.