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Dafra NH 190: Para competir com as gigantes

6 Minutos de leitura

  • Publicado: 30/05/2020
  • Por: Willian Teixeira

A Dafra amplia seu line-up em 2020 com duas motos, e a NH 190 é uma trail muito honesta que chega para disputar mercado com as motos das gigantes japonesas.

Texto: Ismael Baubeta
Edição: Willian Teixeira
Fotos: Gustavo Epifânio

A Dafra busca crescer em terra de gigantes, tem estrutura para isso e conta com a parceria de players importantes como a indiana TVS, fabricante da Apache, e a taiwanesa Sym, que produz, entre outros, o Citycom 300, modelo mais vendido da marca. Depois de um bom tempo mantendo seu line-up com mudanças apenas em modelos já existentes, a Dafra decidiu ampliar a linha com a trail NH 190 e com mais um scooter, o HD 300, ambos da Sym.

NH 190, a honesta aposta da Dafra para encarar as rivais japonesas

À primeira vista a NH 190 chama a atenção, suas linhas são angulosas, cheias de vincos e recortes, beira o exagero, mas tem bastante volume, o que valoriza o visual. O farol é subdividido com um foco para luz baixa e outro para alta. Embora seja uma trail, ela segue o conceito de sua concorrente direta Honda XRE 190, com dois para-lamas, um sobre a roda e outro sob o farol. De qualquer jeito o design foi bem cuidado e está muito melhor do que alguns produtos asiáticos costumavam apresentar, pois o quesito evoluiu muito com o tempo e a concorrência. Talvez o que mais destoou no desenho é a enorme ponteira que sai para cima, como se fosse uma moto de rali.

Altura e posição

Subindo na NH 190 a primeira impressão é de que o banco é mais baixo do que sua altura sugere, como se parte da espuma tivesse sido retirada para rebaixá-lo, inclusive a espuma mole faz sentir a base dura do banco, comprometendo o conforto. A altura do banco, segundo a ficha técnica da moto, é de 820 mm (na XRE são 836 mm), diferença pequena, mas a percepção é de que a NH é mais baixa.

Volume: as proporções são generosas na dianteira e contrastam com a traseira afilada

A ergonomia da NH 190 é relativamente neutra, o guidão elevado por dois enormes risers fica muito próximo do piloto. Eu com meus 1,80m fiquei com os cotovelos a 90°. O ideal é que estivessem ligeiramente menos flexionados, com o guidão mais adiantado. Parece que há pouco espaço para o piloto. As pernas ficam levemente flexionadas, mas a cintura da moto oferece bom encaixe para elas. Em movimento Ao tentar dar a partida, estranhei. Mesmo com o corta-corrente em posição de desligado, o motor dá a partida, só não liga, não entendi. Uma vez ligado o motor você percebe a vibração, que não chega a incomodar e ela aumenta ao rodar em baixa e média rotação, mas em alta ela diminui.

Estilo: a NH 190 é bem estilosa e chama a atenção; os mais curiosos perguntam qual é

O motor monocilíndrico de 183 cm³, quatro válvulas e arrefecimento a líquido rende 18 cv a 8.500 rpm e 1,6 kgf.m a 7.500 rpm de potência e torque máximos respectivamente, quase 2 cv a mais do que a XRE 190. Por outro lado, tem um pouquinho menos de torque (0,03 kgf.m) que também chega a seu máximo 1.500 rpm depois que a Honda, o que explica a maior demora nas arrancadas da moto taiwanesa.

Na aceleração inicial ela parece chocha, precisa de giros para sair com mais rapidez, até as 3.000 rpm ela é preguiçosa, daí para cima melhora e tem respostas mais honestas. O motor precisa de gás para empolgar.

Spoiler e protetor de motor são itens de série

Na estrada indo para a locação onde fotografamos chegou a marcar 133 km/h no painel, já na volta, com mais vento contra, não passou dos 122 km/h, o que não é ruim, diga-se de passagem. O câmbio de seis marchas tem engates macios, mas é preciso percorrer mais espaço com o pedal para engatar as marchas. A relação de câmbio poderia ter a primeira marcha um pouco mais curta para torná-la mais esperta nas arrancadas, já as marchas mais altas estão mais bem escalonadas.

As suspensões são bastante rígidas para o péssimo pavimento de uma cidade como São Paulo, e a consequência é a transmissão para o corpo do piloto de boa parte da vibração vinda do pavimento. Se o banco fosse mais macio, com espuma de melhor qualidade, o sofrimento do corpo seria menor. Por outro lado, por conta destas mesmas suspensões, é divertido contornar curvas com ela sempre aprumada e bem apoiada no chão.

Banco tem pouca espuma e compromete o conforto

Usando os freios

Como manda a legislação, a NH 190 tem sistema de assistência às frenagens, no caso o freio combinado. Um disco na frente e outro atrás que ao ser acionado com o pedal, aciona instantaneamente o dianteiro. Notei que se você utilizar somente o traseiro a frente da moto abaixa bastante em comparação a outros modelos com sistema semelhante), sinal de que mais força de frenagem é levada para a pinça dianteira.

Freio traseiro é potente

O manete do freio dianteiro deixa claro que o freio é impreciso, há momentos em que o freio atua com pegada inicial mais agressiva, em outros o manete endurece e exige mais força e ainda há momentos em que ele cede estranhamente como acontece quando o sistema entra em fadiga, mas é só apertar novamente o manete que ele volta ao estado normal.

Sistema dianteiro é impreciso

Os R$ 13.490 pedidos pela NH 190 são menos do que os R$ 14. 925 que a Honda cobra pela XRE 190, mas a rede de concessionárias bem maior da Honda e a tradição da marca japonesa podem pesar na decisão dos motociclistas. Contudo, vale a pena fazer um test-ride para quebrar paradigmas.

Painel digital é simples, mas bem resolvido

Dados de fábrica
Monocilíndrico, arrefecido a líquido | DOHC | 4 válvulas | câmbio de 6 velocidades

Cilindrada: 183 cm³
Potência máxima: 18 cv a 8.500 rpm
Torque máximo: 1,6 kgf.m a 7.500 rpm
Diâmetro x curso do pistão: 63,5 mm x 57,8 mm
Taxa de compressão: 11,1:1.
Quadro: Tipo diamond em aço
Cáster: 26°
Trail: 145 mm
Suspensão dianteira: Garfo telescópico com 135 mm de curso
Suspensão traseira: Monoamortecedor com 145 mm de curso, ajuste pré-carga
Freio dianteiro: Disco de 288 mm, pinça de 2 pistões (Combinado)
Freio traseiro: Disco de 222 mm, pinça de 1 pistão
Modelo do pneu: Pirelli MT60
Roda dianteira: 100/90 – 19”
Roda traseira: 130/80 – 17″

Medidas:
Comprimento: 2.068 mm
Largura: 900 mm
Altura do assento: 820 mm
Entre-eixos: 1.405 mm
Tanque: 11 litros
Peso (OM): 152 kg
Preço: R$ 13.490 (em 29/05/2020)

Punhos tradicionais poderiam ter melhor acabamento
Ponteira alta destoa do conjunto

Primeira impressão: por Ismael Baubeta

A NH 190 é bem resolvida visualmente, tem design moderno e chama a atenção. É verdade que o motor é um pouco preguiçoso em baixas rotações, mas fica mais esperto à medida que os giros sobem. Mesmo com a rigidez das suspensões, um pouco duras para a cidade, tem bom comportamento, inclusive oferecendo bastante diversão na estrada.

O design das motos asiáticas melhorou muito nos último anos graças ao intercâmbio de profissionais e tecnologia do mundo globalizado

O sistema de freio poderia ser mais preciso e o banco mais confortável. Os R$ 13.490 da etiqueta estão de bom tamanho. A iluminação em LED e a tomada USB são diferenciais na categoria. A concorrência é forte e a Dafra tem a seu desfavor uma rede de concessionárias bem menor que Honda e Yamaha. Mas vale a pena fazer um test-ride para conhecer o modelo.

Tomada USB é diferencial na categoria
Desafio: a NH 190 aceita desafios, basta você ter espírito aventureiro para se divertir