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Comparativo: Kawasaki Z400 x Yamaha MT-03

8 Minutos de leitura

  • Publicado: 04/04/2020
  • Atualizado: 06/04/2020 às 9:48
  • Por: Willian Teixeira

Kawasaki Z400 e Yamaha MT-03 são um bom caminho na evolução motociclística. São leves, ágeis, cheias de emoção na pilotagem e são a porta de entrada para quem pretende abandonar as motos pequenas. A Kawasaki Z400 chega com muitas virtudes para fazer frente à Yamaha MT-03, que conquistou inúmeros admiradores e é líder na categoria.

Texto: Alexandre Nogueira
Edição: Willian Teixeira
Fotos:
Renato Durães

Kawasaki Z400 e a Yamaha MT-03 são as nakeds do momento para quem quer sair das motos pequenas (lugar que já foi ocupado pela Honda CB 500F). Elas oferecem esportividade de sobra para pilotos iniciantes ou experientes por um preço bastante honesto e cumprem a missão de entregar desempenho empolgante para manter ou acender a chama da motovelocidade dos proprietários. Com motores modernos, de baixa manutenção e eletrônica suficiente para otimizar o funcionamento, proporcionam muita agilidade e desempenho para as correrias do dia a dia, sem abrir mão da economia.

Yamaha MT-03 e Kawasaki Z400: bons caminhos na evolução motociclistica

A Kawasaki reforça a briga no segmento, lançando a nova Z400 para agregar a família das nakeds da marca juntando-se às irmãs maiores Z650 de dois cilindros paralelos e Z1000 de quatro cilindros em linha.

Atrás de seu espaço

A atrevida Yamaha MT-03 já é considerada a queridinha dos mais jovens pelo seu ímpeto esportivo e pelo visual agressivo e insinuante, principalmente nesta versão com rodas e grafismos na cor laranja. Ambas adotam ingredientes simples na composição da receita, oferecendo motocicletas excitantes e com um ótimo resultado final no que se refere a desempenho.

A arquitetura dos motores é a mesma nos dois modelos, com dois cilindros paralelos refrigerados a água dotados de injeção eletrônica de combustível de dois corpos com um mapeamento super-refinado.

Muita diversão! Embora os motores não sejam usinas de potência, são capazes de animar, e a capacidade de fazer curvas garante emoção nos rolês

A Kawasaki Z400 conta com o novo motor da Ninja 400, capaz de render 48 cv a 10.000 rpm e 3,9 kgf.m a 8.000 rpm de potência e torque máximos. Característica que faz o motor acordar mais cedo e com mais força do que o motor de 321 cc da Yamaha MT-03, que também é herdado da irmã esportiva YZF R3 e rende 42 cv a 10.750 rpm e 3,02 kgf.m a 9.000 rpm, respectivamente. São motores de funcionamento liso, com baixo índice de vibrações e que gostam de funcionar em alta rotação, o que torna a tocada ainda mais divertida e adrenalizante.

A entrega de torque é linear e suave, a Z400 está mais esperta do que a Z300, mas bem como a MT-03, explode mesmo acima das 9.000 rpm. Em meio ao trânsito a Z400 roda mais solta e com menor abertura do acelerador. A faixa de corte da MT-03 são altas 12.500 rpm e é muito legal perceber isso quando a shift light começa a piscar no belo painel inspirado nas R1 Big Bang de 2013. Puro êxtase!

Leveza e agilidade

Os chassis de ambas são confeccionados em tubos de aço e o projeto garante ótima rigidez para a proposta urbanoide esportiva. Os conjuntos são leves e ágeis e em momento algum percebi balanços nem imprecisão ao atacar e contornar curvas de alta.

Gostei mais do chassi da Kawasaki Z400 por ele oferecer melhor feedback e estabilidade superior em altas velocidades. Em meio ao trânsito, a leveza colabora com a agilidade, ajudada pelo bom ângulo de esterço dos guidões que têm uma posição mais elevada. Você pilota bem à vontade no trânsito e também consegue bastante esportividade ao encontrar uma posição para percorrer as deliciosas curvas de uma serrinha sinuosa.

Galeria: Kawasaki Z400

A Yamaha MT-03 chega a 180 km/h de velocidade máxima e num track day você chega ao limite do conjunto ciclístico da máquina. Ela é muito fácil e divertida. A Kawasaki Z400 parece mais bem resolvida na questão do conforto para o dia a dia em meio ao trânsito, o cockpit é mais amplo, enquanto a Yamaha MT-03 tem um cockpit nitidamente mais esportivo, um tanque menor e mais estreito. Nos testes de velocidade alcancei 192 km/h com a nova Kawasaki Z400.

Semelhanças e diferenças

As duas marcas adotam garfos dianteiros hidráulicos e convencionais sem qualquer regulagem e monoamortecedor traseiro apenas com regulagem na pré-carga da mola, com um acerto bem equilibrado para o conforto ao rodar na cidade e esportividade suficiente para entrar na pista, com nítida vantagem da Z400 em performance, afinal as cem cilindradas a mais fazem uma grande diferença.

Ela tem aquele pouquinho a mais que a gente gostaria de ter no motor de 300 cilindradas. A moto da Kawasaki aceita muito bem o piloto iniciante ou inexperiente que vai fazer um uso espartano e sem adrenalina, que vai usar a motocicleta na cidade, mas também vai agradar os mais experientes e afoitos, que curtem boas esticadas nas saídas dos semáforos e a tocada esportiva por estradas nos finais de semana.

Nas duas o triângulo ergonômico guidão, pedaleiras, banco é bom para a cidade e bem confortável mesmo no trânsito intenso e a baixa velocidade. O espaço no cockpit possibilita fazer um bom trabalho corporal para atacar curvas, com ótimo manuseio e agilidade para pilotos de até 1,80 metro de altura.

Galeria: Yamaha MT-03

Os pés apoiam com facilidade no chão e o assento do piloto é mais confortável na MT-03, além da espuma mais macia o formato dele na Kawasaki empurra um pouco o piloto contra o tanque. Em nenhuma delas o assento da garupa é dos mais confortáveis, principalmente pela posição muito elevada das pedaleiras. Em percursos curtos não há problema, já para encarar mais quilômetros é de se pensar.

Os freios são excelentes para a classe e ambas adotam a receita de disco simples na dianteira e disco simples na traseira equipados com ABS que garante espaços bem curtos nas frenagens com ótima sensibilidade e precisão na alavanca.

O design de cada uma é bem característico das marcas. A Kawasaki chega renovada, tem um tanque maior e um porte bem adequado à proposta, com linhas retas e bem definidas, enquanto a MT-03 possui linhas mais arredondadas, além de um shape mais esguio e esportivo, por isso a questão da beleza fica ao gosto de cada um, mas é unânime a opinião de que a naked da Kawasaki é mais careta e conservadora.

A Z400 tem iluminação total em LED e a MT-03 apenas luz de posição na dianteira e a lanterna traseira em LED, soluções que devem aparecer se ela receber o upgrade que a R3 recebeu.

O painel de instrumentos da Kawasaki é o mesmo da irmã maior de 650 cilindradas, simples e bem elaborado, tem conta-giros de ponteiro digital central e um display LCD bem completo de informações, inclusive com temperatura da água do radiador. Já na MT-03 o painel é inspirado no da R1, com conta-giros analógico e demais informações à direita em display LCD. Nele também há shift light (ajustável à partir das 7.000 rpm), mostrando o DNA racing.

O tanque de ambas comporta 14 litros de gasolina. As duas são ótimas opções, oferecendo conforto para o dia a dia e esportividade. A Yamaha tem perfil mais esportivo para quem curte agressividade na pilotagem com posição do corpo mais agressiva. A Kawasaki tem melhor posição de pilotagem, mas o conjunto também oferece muita esportividade.

Tanto Kawasaki Z400 quanto Yamaha MT-03 custam na faixa dos R$ 23 mil. As duas são excelentes opções, mas a Kawa leva pequena vantagem por oferecer um desempenho mais animador.

CONCLUSÃO: por Alexandre Nogueira

2º Yamaha MT-03

1º Kawasaki Z400

Sou fã da Yamaha MT-03 pela leveza, agilidade e ímpetuosidade do motor. Não é à toa que ela superou a CB 500X e já vende quase o dobro que a moto da Honda, mas agora a Z400 chegou para tentar tomar o lugar da Yamaha, porque o novo motor de 400 cilindradas trouxe o fôlego que falta na MT e assim empolga mais.

A nova Kawasaki anda mais com menos exigência do acelerador, proporciona uma tocada sossegada sem precisar extrair o sangue de seus dois cilindros em altas rotações. Ela é mais encorpada, mais estável e acertada no chão, mesmo pesando um quilo a mais do que os 166 kg da MT-03, o que compensa o menor conforto de seu banco. E a diferença de preço é muito pequena para ser fator determinante na escolha. Sinceramente, me parece que os motores de 300 cilindradas estão ficando para trás.