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Competições
R3Horas revive endurance na motovelocidade nacional

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  • Publicado: 09/02/2021
  • Atualizado: 11/02/2021 às 10:04
  • Por: Leo Pereira

Depois do sucesso da R3 bLU cRU Cup, categoria monomarca da Yamaha que utiliza as motocicletas R3 para revelar novos talentos do motociclismo brasileiro, foi realizada no último final de semana, entre os dias 5 e 7 de fevereiro, a R3Horas de Goiânia, primeira prova oficial do calendário brasileiro de motovelocidade no ano.

A R3Horas é uma corrida de endurance que foi criada pela AD78, empresa do ex-piloto e promotor Alan Douglas juntamente com a divisão Racing da Yamaha, a Yamaha Racing Brasil.

35 motos disputaram a R3Horas de Goiânia no último final de semana (LZ Photos Media)

História das provas de endurance no Brasil

As corridas de endurance na motovelocidade no Brasil começou na década de 70 com Eloy Gogliano e José Roberto Beilstrein com as 500 Milhas Brasil, prova que durou até 1991. Após um hiato de 18 anos, as competições voltaram em 2009 e foram realizadas até 2016. E depois de 4 anos sem competições endurance na motovelocidade, a Yamaha Racing Brasil junto com a AD78 criam a R3Horas com a primeira etapa em Goiânia, enquanto a segunda etapa está prevista para acontecer no circuito de Curvelo, em Minas Gerais, entre os dias 12 e 14 de março.

Teve chuva em Goiânia (LZ Photos Media)

Detalhes das R3Horas de Goiânia

Foram disponibilizadas 35 motocicletas R3 para os pilotos que já participam da R3 bLU cRU Cup para formarem suas equipes para participar da prova de endurance. Para que houvesse uma hegemonia entre as equipes inscritas, todos os times passaram por uma análise criteriosa da organização. Por exemplo: um time formado pelo Meikon Kawakami e Tom Kawakami (ambos pilotos do mundial da SSP300 do WSBK) e Turquinho (atual campeão da R3 bLU cRU Cup) seria rejeitado pela organização.

O cobiçado troféu das R3Horas de Goiânia (LZ Photos Media)

As equipes obrigatoriamente precisavam ser formadas por no mínimo três e no máximo quatro pilotos. Sendo assim, em sua maioria, as equipes foram compostas por um piloto da R3 bLU cRU Cup e os outros integrantes eram ex-pilotos, patrocinadores ou até amigos. Em resumo, o evento foi uma grande confraternização em comemoração ao ano de 2020 e abertura da temporada 2021.

R3Horas de Goiânia (LZ Photos Media)

O nível da competição foi bastante alto e contou com a participação de alguns dos maiores nomes do motociclismo brasileiro da atualidade como Meikon e Tom Kawakami, Turquinho Jr. e Danilo Lewis, piloto que corre nos EUA no MotoAmérica. Além deles, tivemos também a participação de praticamente todos os pilotos da R3 Cup, figuras conhecidas como André Verissimo, Duende, Tato Velludo, Diego Faustino e Mamute, além de personalidades como o ex-jogador e ídolo do São Paulo Futebol Clube, o uruguaio Diego Lugano.

Um detalhe bastante característico das provas de endurance é a largada Le Mans. Neste estilo de largada, os pilotos ficam no grid de um lado da pista e as motocicletas ficam do outro lado seguradas por um membro da equipe. As motocicletas ficam com a chave no contato, em ponto morto e pronta para serem ligadas. Ao apagar da luz vermelha (como em uma largada normal) os pilotos saem correndo em direção a sua moto, sobem, dão a partida e saem para a prova!

Veja abaixo uma galeria de fotos da largada Le Mans das R3Horas de Goiânia. As imagens são da LZ Photos Media:

O abastecimento foi feito pelo “staff” do evento e o tempo mínimo de parada de box para troca de piloto, troca de pneus e abastecimento, era de 5 minutos obrigatórios.

A duração da prova foi limitada em 3 horas e 21 minutos, que representa a cilindrada das motocicletas R3 e o ganhador da prova, seria quem desse mais voltas no circuito neste tempo. Todas as motocicletas são absolutamente iguais e foram sorteadas entre as equipes.

Assim como na R3 Cup, as motos das R3Horas de Goiânia são todas iguais e definidas em um sorteio na véspera da prova (LZ Photos Media)

Protocolos da Covid-19 para o evento

Devido a pandemia do novo coronavírus, desde os prestadores de serviço do autódromo até os pilotos e staff foram testados antes de receberem suas credenciais para acessar o evento. Além disso, tinham dois fiscais dentro do evento alertando sobre o uso correto das máscaras.

Todo mundo de máscara e seguindo os protocolos contra a Covid-19 (LZ Photos Media)

Treinos para as R3Horas de Goiânia

Assim como na maioria das provas de motovelocidade ao redor do mundo, a quinta feira foi dedicada às equipes para montarem suas estruturas e reconhecimento de pista (track walk). Ainda na quinta feira, previsão do tempo mostrava 98% de previsão de chuva com poucas tréguas e foi o que aconteceu.

Aquele track walk para reconhecimento do autódromo Ayrton Senna (LZ Photos Media)

Os treinos da sexta feira começaram com pista seca no período da manhã e se encerrou com o piloto Uruguaio Facundo Llambias (#7) com o melhor tempo de 1min41s145. Já no período da tarde, foi com chuva e quem fechou o dia com o melhor tempo no molhado, foi o piloto da nossa equipe Matheus Machado (#70).

Na madrugada da sexta para sábado choveu muito forte e os treinos começaram também no molhado. Todos os treinos do sábado foram classificatórios e como ninguém sabia como seria a condição de pista durante o dia, todos foram para a pista tentar fazer seu melhor tempo desde o primeiro treino. Em nenhum momento as condições de pista foi 100% seco e quem levou a melhor mais uma vez e ficou com a Pole Position, foi a equipe do piloto uruguaio Facundo Llambias que tinha como companheiros de equipe o Cauan Rodrigues e o Ramon Cruz com o tempo de 1min47s573 e pneu para pista seca no piso úmido.

Coração a mil!

No domingo, a pista amanheceu seca e fizemos o warm-up nesta condição. Mesmo com previsão de chuva, imaginamos que largaríamos com pneus Super Corsa para condição de pista seca, e que usaríamos os pneus de chuva durante a corrida, mas pouco antes da largada, caiu uma chuva forte e enxarcou o piso novamente. Com isto, a condição de largada foi “wetrace” (corrida em condição de piso molhado) e tivemos que largar com pneus de chuva por determinação da direção de prova!

Galera correndo na largada em estilo Le Mans. Tem mais fotos na galeria que está mais acima (LZ Photos Media)

A largada é sempre um momento de tensão para nós pilotos, e em uma largada Le Mans, mais ainda! Ao apagar das luzes, o piloto pole position Facundo Llambias (#7) foi tocado pelo piloto Luca Heckler (#58) saiu na grama, mas conseguiu controlar sua moto e voltar para a pista.

Pista molhada nas R3Horas de Goiânia (LZ Photos Media)

Como a R3Horas é uma corrida de longa duração e as condições de pista mudavam a todo momento, a estratégia de cada equipe influiu diretamente no resultado final.

Teremos R3Horas em Curvelo, Minas Gerais, em março (LZ Photos Media)

Destaque para a equipe do Kevin Fontainha (#26), do Gustavo Manso (#88) e do Meikon Kawakami (#87) que se mantiveram sempre nas primeiras posições, mas quem levou o caneco de campeão, foi a estratégia da equipe do Paulinho SBK (#30) composta pelos pilotos Felipinho, Fucinho, B. Ribeiro e B. Garcia que também chegaram a liderar parte da prova, mas que conseguiram fazer apenas 5 paradas de box.

Equipe do Paulinho SBK recebendo a bandeirada em Goiânia (LZ Photos Media)

Nossa equipe para as R3Horas de Goiânia

Através do promotor do evento Alan Douglas, recebemos um convite do Vinny, pai do piloto Matheus Machado (#70) para participar da R3Horas e formamos uma equipe composta pelos pilotos: Matheus Machado que é piloto da R3 bLU cRU Cup, J. Junior que corre no Superbike Brasil, Thales Monteiro que é instutor da Triumph TRX e já foi campeão brasileiro de SSP600cc e eu, Léo Pereira também instrutor da Triumph TRX e campeão brasileiro de endurance de 675cc. Tínhamos também na equipe o Brandão e o Vinny como chefes de equipe na estratégia e o Bruno na telemetria.

Eu estava a 7 anos sem alinhar no grid com uma moto speed para uma corrida e o Thales a quase 10! Além disso, entre 30 e 40kg a mais e entre 20 e 30 anos a mais que os meninos da que é piloto da R3 bLU cRU Cup.

Passamos o sábado e domingo colhendo dados, trocando experiencias com os meninos da equipe que correm com as motocicletas de menor cilindrada e nos adaptando a motocicleta. Como o piso em nenhum momento ficou 100% seco, ou 100% molhado nos treinos, essa evolução foi mais lenta, mas na corrida, já estávamos bem perto do tempo que gostaríamos de chegar no final de semana!

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Nossa corrida foi perfeita! Nos divertimos muito e por um descuido de estratégia nosso e uma pastilha mal colocada em uma das paradas, não conseguimos terminar entre os 8 primeiros da competição. Mesmo assim, por todos os outros acertos, terminamos em P17 e nos colocou a frente de equipes muito mais fortes que a nossa! 

Conclusão

Em quase 20 anos acompanhando e estando envolvido de alguma forma com o esporte motovelocidade no Brasil, nunca tinha visto um evento parecido com a R3Horas. Na verdade, uma prova de endurance onde todas as motocicletas eram iguais e em condições iguais de competição para todas as equipes, nunca tinha visto em nenhum lugar no mundo! Isso só demonstra a seriedade, a capacidade e vontade de acertar e incentivar o esporte.

Este projeto da Yamaha Racing Brasil juntamente com a AD78, já é case para a categoria no mundo e a partir de 2021, passa a ser também uma seletiva Sul-Americana para o mundial da R3Cup.

Em 2021, teremos 6 pilotos na equipe AD78 na Europa; 2 pilotos no mundial da SSP300, os irmãos Tom e Meikon Kawakami e 4 pilotos no mundial da R3 CUP; João Arratia, Eduardo Burr, Humberto Turquinho e Caique Lanna. A temporada 2021 da equipe brasileira na Europa, será em março nos treinos livres em Misano.

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