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Crônicas MOTOCICLISMO: Customizar é preciso, viver…

2 Minutos de leitura

  • Publicado: 19/12/2014
  • Por: admin

<p>A frase que originou o título do texto talvez seja uma das mais incompreendidas da língua portuguesa. Quando foi aplicada ao mundo náutico e imortalizada pelo brilhante Fernando Pessoa, o aforismo "Navegar é preciso, viver não é preciso" se referia à precisão em navegar e não à sua necessidade. Pois é, e ainda rimos dos portugueses. Em outras palavras, a correta tradução do português para o português seria:  "A navegação exige precisão, a vida, não". Dito isso, vamos sair do mundo náutico azul e voltar ao asfalto cinza, já com nossa cabeça ajustada.</p>

<p>Vou chegar devagarzinho lá na minha afirmação de que "customizar é preciso, viver não". Sempre digo que motociclismo pouco tem a ver com motos, no sentido mecânico da engenhoca, ou seja, moto por moto, e muito mais a ver com a experiência de se pilotar uma moto, no sentido de aproveitar tudo o que tem moto mas não é moto. Passeios, amigos, conhecimento e estilo de vida.</p>

<p>Pronto, falei: estilo de vida. Chegamos ao ponto. Quando achamos um vivente que concorda que estilo de vida tem moto mas não é moto, provavelmente estamos conversando com um motociclista. Até a escolha de marca e modelo está relacionada com o estilo, e é por isso que grandes marcas investem altas cifras tentando associar estilos de vida específicos a suas criações.</p>

<p><img alt="Customizar é preciso, viver…" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/97755310texto_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p>Estilo de vida é composto de detalhes da personalidade de cada um e tem reflexo na forma de viver, vestir, comer, ler, e… E… Customizar. Transformar aquele troço de duas rodas à imagem e semelhança de nossa alma. Desfilar em duas rodas vestido da maneira que mais se parece conosco e trajar sua montaria de forma condizente. Customizando, alterando aquele modelo de série, saído da linha de montagem, imprimindo personalidade nas cores, no som, nas linhas, no grafismo, nas luzes, enfim, criando nossa alma gêmea mecânica. E quanto mais precisas forem as mudanças, mais próximo do ideal de complemento e reflexo de nós mesmos a moto chegará. Se fosse psicanalista, pediria para o paciente motociclista levar a moto para a sessão. "Por favor senhor, deite-se no divã e explique a sua motocicleta, a sua criação."</p>

<p>Muitos motociclistas se definem a partir da sua criação, assim como um artista usa sua habilidade e sensibilidade para mostrar o mundo ao mundo através de sua "lente". <span style="line-height: 1.6em;">"Mostre-me sua moto que lhe direi quem és!" é o que diz a voz que leva o motociclista para a oficina, que nas ruas ajusta o foco do seu olhar observando outras motos, outros detalhes modificados. É um mantra silencioso, velado, permanente, que reflete o desejo da precisão na customização. Cada detalhe não é importante, é fun-da-men-tal.</span></p>

<p>Rodando na cidade, navegando pelas estradas, parado no farol, aquela inspiração do mantra expira quase em voz alta: "Vejam minha moto, ela é o reflexo do que sou. Olhem bem, e me decifrem pela metade, olhem com muita atenção para mim e para minha criação, e me vejam nu".</p>

<p>Keep riding!</p>

<p>Por Roberto Severo</p>

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