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Crônica MOTOCICLISMO: A moto do outro é mais bonita

2 Minutos de leitura

  • Publicado: 26/02/2015
  • Por: admin

<p>Vou começar com uma provocação: você sabe o que quer? Como você decide o que vai comprar? Ou melhor, como você decide qual moto comprar? Sem querer ser muito sério ou profundo, digo que os principais motores da vida, e basicamente do consumo, são a inveja e o ressentimento. E inveja pode ser do bem. Vamos combinar em criar um termo: "inveja boa"! Então anote que inveja boa significa querer ter igual ao do outro, e não que o outro NÃO tenha. Esta última, sim, é aquela inveja perniciosa, que consome a alma e deseja o mal. Por exemplo, seria desejar que a moto do seu vizinho se espatife no primeiro poste porque você não tem nem pode ter uma igual. </p>

<p><img alt="" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/texto2_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p>Dito isso, vou continuar a provocar dizendo que quem define o que você quer e o que você vai comprar é o outro. Quem é o outro e não você? Qualquer um, mas principalmente alguém que você inveja (vide "inveja boa") ou admira, que é uma espécie de inveja "não material" (de novo, no bom sentido). Inveja sem o outro é desejo, e eu não acredito que um simples desejo tenha o poder da inveja boa para mover você tão rápido.</p>

<p>Às vezes o disparador da inveja boa é um belo anúncio, uma brilhante campanha publicitária. Outras vezes vem no lançamento em um evento baseado em aniversários de uma companhia, ou em pseudoinovações e melhorias de um equipamento. Sabe aquela propaganda que faz com que você sinta que "precisa" ter aquele objeto, aquela moto? Os caras das montadoras não brincam em serviço, pensam muito no seu comportamento, como funciona seu belo cérebro. Basta dizer que motocicletas, que foram criadas essencialmente como um meio de transporte, hoje são muito mais símbolos de status, determinam condição social e até mesmo a forma de parecer e aparecer socialmente (bruto, rebelde, ágil, rápido). Mas para quem são todas essas demonstrações? Quem é a plateia? Resposta: essencialmente o outro, qualquer outro. Somente para citar um item de consumo, a moto, cada vez mais você se define no ambiente (onde há vários outros) pelas duas rodas que tem. Eis a gênesi dos grupos e tribos, que são lugares e ambientes onde as pessoas pensam parecido e conseguem ter objetos de consumo semelhantes (aplacam a inveja boa com o consumo possível, planejável).</p>

<p>Outro dia ouvi que o cultuado símbolo da caveira, do crânio, tão na moda hoje em dia, e que há tempos é usada pelos motociclistas, significava que embaixo da pele, nos ossos, somos todos iguais ou parecidos. Desculpe-me, mas acho tudo isso uma bobagem romântica desmedida. Claro que há exceções, mas o que faz muitos dos motociclistas iguais não é a moto, esta é apenas o consumo. O que nos faz parecidos é justamente o outro e nossa capacidade de satisfazer os gritos da vontade de acompanhar os desejos realizados do outro (inveja?) evitando assim qualquer ressentimento.</p>

<p>Pergunto novamente: você, exclusivamente você, sabe o que quer? Pense isso antes de comprar a sua próxima moto e você vai se surpreender.</p>

<p>Keep riding!</p>

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