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Combustível promete salvar motor convencional da extinção

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  • Publicado: 31/08/2017
  • Por: Carlos Bazela

Com as regras do Acordo de Paris – do qual o Brasil também é signatário – em vigor, os países estão trabalhando pesado para diminuir suas emissões de poluentes e frear ao máximo possível o aquecimento global. E isso inclui, em muitos países, banir os motores a combustão para investir nos elétricos, apontados até agora como única solução. Até agora. Neste mês, a alemã Bosch anunciou que está trabalhando em um tipo de combustível sintético e o composto promete neutralizar a carga de poluentes na atmosfera.

“Combustíveis sintéticos podem fazer veículos movidos a gasolina e diesel neutros em carbono e ser uma contribuição significante para limitar o aquecimento global”, comenta o Dr. Volkmar Denner, chefe do conselho que gerencia a Robert Bosch GmbH.

A grande sacada é que os veículos atuais não precisariam de adaptações para rodar com sintéticos e até mesmo a estrutura dos postos de gasolina poderia ser mantida. Afinal, os motores continuariam trabalhando movidos por gasolina e diesel, só que eles seriam livres da fuligem que dispersam no ar atualmente, principalmente no caso do diesel.

E como funciona? É caro?

Para obter os combustíveis sintéticos, a Bosch utiliza CO2 como matéria-prima. Em um primeiro estágio, o hidrogênio é produzido a partir da água. Depois, o carbono é adicionado a este para produzir um combustível líquido. É possível obter o segundo elemento dessa mistura com reciclagem, a partir de processos industriais, ou mesmo capturá-lo no ar usando filtros. A combinação de CO2 e H2 resulta em um combustível sintético, que pode ser gasolina, diesel, gás ou até querosene de aviação. E como retira dióxido de carbono do ar para ser feito, o composto é considerado neutro.

A empresa alemã ainda revela que o composto não teria as mesmas limitações de produção enfrentadas hoje por biocombustíveis, como o etanol. De acordo com a Bosch, os sintéticos não dependem de fatores, como a quantidade de terreno disponível para o plantio de cana-de-açúcar, por exemplo.

O custo é o grande impeditivo dessa tecnologia. Os técnicos da Bosch estimam que cada litro desse novo tipo de combustível custaria, sem nenhum imposto, até 1,40 euros, o que corresponde a aproximadamente R$ 5,24. Por isso, a multinacional desenvolve o produto com expectativa de lançamento em longo prazo. Bem longo mesmo, por volta de 2050, uma vez que ele precisaria de uma série de políticas de incentivos e popularização para ficar economicamente viável para todos.

Bom para os motociclistas

A nova tecnologia pode prolongar um pouco mais a vida útil dos motores a combustão, o que seria um sopro de alívio para os motociclistas que ainda não conseguem se ver montados em um modelo totalmente elétrico. Mesmo em um futuro distante e com tantas novidades interessantes surgindo a cada dia nesse segmento, como a Harley-Davidson Livewire e as motos das marcas Energica, da Itália e Zero, dos Estados Unidos.

No entanto, a Bosch é categórica ao tratar o novo combustível sintético como um complemento aos motores movidos a eletricidade e não como alternativa. Pois, segundo a empresa, apenas substituir a frota circulante de veículos de passeio não daria conta de frear o aquecimento global. “Alcançar nossos objetivos climáticos futuros exige outras soluções inteligentes além de eletromobilidade”, comenta o chefe do conselho que gerencia a Robert Bosch GmbH, Dr. Volkmar Denner. O executivo explica que, mesmo no futuro com carros elétricos, as aeronaves, navios e aviões continuarão utilizando combustível e contribuindo para o efeito estufa. A menos que ele seja sintético.

Fotos: Sujay Govindaraj e Tevarak /iStock Photos

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