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Aventura ao seu alcance

6 Minutos de leitura

  • Publicado: 28/05/2015
  • Por: admin

<p>Para curtir uma aventura de moto, você não precisa necessariamente ir à Terra do Fogo, deserto do Atacama e nem tampouco ao Alasca. Bem próximo a São Paulo, há um roteiro daqueles capazes de estampar um sorriso no rosto até mesmo daqueles motociclistas mais sérios. Tudo por conta das incríveis paisagens pelo caminho e claro, dos vários tipos diferentes de terrenos que transformam um simples passeio numa aventura para lá de inesquecível.</p>

<p>O nosso roteiro começa em Peruíbe, cidade do litoral paulista distante 145 km da capital. Nela está o início da estrada do Guaraú, um dos acessos à Estação Ecológica da Juréia Itatins, uma das áreas de mata atlântica mais preservadas do país. E justamente para mantê-la sempre bonita e longe de “agressões”, um rigoroso controle de visitantes é feito na guarita de entrada da Estação.</p>

<p>Alguns trechos são diversão pura, como a travessia de alguns pequenos rios ou a de verdadeiros túneis formados pela vegetação, perfeitos para clicar fotos incríveis. Nem é preciso dizer que a estrada é de terra, e que mesmo estando em relativo em bom estado, exige atenção por conta das várias pedras no caminho – que fizeram como vítima, o pneu da Honda XRE 300, nossa brava companheira nessa viagem, inclusive amassando seu aro. Por isso, é recomendável rodar em baixa velocidade e estar sempre atento; caso contrário, você terá que contar com a ajuda de uma alma caridosa para levá-lo até Peruíbe, lugar onde se encontra o borracheiro mais próximo.</p>

<p><img alt="Muita tranquilidade nas areias brancas e finas da pacata, bela e preservada praia da Barra do Una, na Estação Ecológica da Juréia" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/tur152_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /><br />
Esse mesmo caminho que percorremos e que aconselhamos você a também fazê-lo existe há quase 500 anos! Poucas décadas após o descobrimento do Brasil, Martim Afonso de Souza foi o responsável pela abertura do tal caminho, cujo principal objetivo era ligar a capitania hereditária de São Vicente a Iguape e Cananéia. Esperto como era, certamente Martim Afonso também deve ter parado para admirar e se refrescar nas belíssimas e refrescantes cachoeiras da região e, claro, nas praias de Guaraú, Caramborê e da Barra do Una, com sua areia fina e branca.</p>

<p>Após a beleza e a lama da Juréia, vem um trecho de 128 km de asfalto até Iguape, o nosso próximo destino desse roteiro. Para chegar até a pacata e agradável cidade, basta voltar a Peruíbe e seguir a rodovia Padre Manoel da Nóbrega sentido BR-116. Já na Régis Bittencourt, você deverá seguir em direção a Curitiba e depois acessar a SP-222. Cheia do charme que só uma cidade com 476 anos — fundada em 1538 — tem, Iguape é repleta de casarões centenários, muitos em bom estado, sendo que alguns foram transformados em belas pousadas e hotéis. A cidade ainda possibilita que seu visitante possa curtir a calma típica de uma pequena cidade litorânea, seja passeando pela praça da imponente catedral, seja bebericando nos aconchegantes bares e restaurantes.</p>

<p><img alt="O belo casarão da Câmara Municipal de Iguape" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/tur13_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p>Para quem curte passeios culturais, é possível visitar o pequeno Museu Histórico e Arqueológico de Iguape, instalado no local que sediou a primeira casa de fundição de ouro do Brasil. Nele há interessantes artefatos e documentos sobre a escravatura e até mesmo ossos e utensílios de grupos humanos da pré-História, alguns datados de cinco mil anos!<br />
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Apesar de tudo isso já valer a visita à cidade, sair dela sem curtir a magnífica vista do mirante (onde há a “tradicional” estátua do Cristo) é uma verdadeira heresia, já que do alto é possível ver toda a cidade, os mangues a sua volta e a vizinha Ilha Comprida, nossa próxima parada. Seu nome se auto-justifica, já que a ilha tem 74 quilômetros de extensão e apenas 4 quilômetros de largura máxima. Graças a essa forma peculiar, Ilha Comprida é privilegiada geograficamente, afinal ela tem nada menos que 74 quilômetros de praia.</p>

<p><img alt="Vista do mirante em Iguape. Imperdível!" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/tur15_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p>Como não há uma rua ou avenida que ligue uma ponta a outra da ilha, a maior parte do trajeto é feita pela praia, numa experiência difícil de esquecer. Apesar de areia e maresia não serem lá muito “amigáveis” com as motos, percorrer dezenas de quilômetros tendo como companheiro o mar e ainda desfrutar de uma revigorante brisa durante a pilotagem são sem dúvida uma sensação única de prazer, uma das melhores que já sentimos em uma motocicleta.<br />
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Mas fique atento. Quando a maré sobe, o trânsito pela praia fica impossibilitado, o que pode não ser nada agradável se você estiver bem no meio dela. Por isso, antes de cruzar a ilha de uma ponta a outra, procure se informar sobre os horários das marés. De preferência, vá cedo, ou após as 15h00.</p>

<p><img alt="Acompanhar os pescadores de Ilha Comprida e ver a fartura de peixes pode ser mais interessante do que você imagina!" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/tur14_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p>Se você percorrer a longa praia pela manhã, poderá assistir à interessante atividade dos pescadores nativos da ilha, além de ver peixes curiosos, como um pequenino tubarão-martelo. Outra atração são as dunas de areia fina e branca. Algumas, com 10 metros de altura, são as favoritas das crianças locais, que as descem escorregando numa verdadeira farra.</p>

<p>À beira-mar, os pássaros dão um show à parte, principalmente pelos voos rasantes na água em busca de peixes, e também pela ausência de medo, permitindo a aproximação de “humanos” curiosos. Aliás, por possuir importância ambiental, a ilha foi incluída pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), como reserva da biosfera do planeta.</p>

<p><img alt="Diversão em Ilha Comprida. Lembre-se de lavar a moto assim que possível, para evitar a ação da maresia na moto" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/tur216_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">Ao deixar Ilha Comprida para chegar a Cananéia, a próxima cidade do roteiro, é preciso fazer a travessia de balsa — mais um agradável passeio, afinal, a vista é belíssima. O desembarque acontece bem em frente a uma bela e arborizada praça, provavelmente a mais antiga do país. Isso porque ali, em 1502, ancorou uma expedição vinda de Portugal que acabou dando origem à Vila de Maratayma, que anos mais tarde ganharia o nome de Cananéia e a condição de cidade, fundada oficialmente por Martim Afonso de Sousa em 1532, mesmo ano da fundação de São Vicente, a cidade mais antiga do Brasil. Após a aventura na areia de Ilha Comprida, aproveite para se alimentar ali mesmo, em uma das muitas opções disponíveis.</span></p>

<p>Apesar da idade, Cananéia parece ter parado no tempo. Ela continua pequena e calma, repleta de construções centenárias, um lugar perfeito para relaxar e admirar o vaivém dos barcos nas águas da orla. No que se refere à gastronomia, a cidade é o lugar certo para se fartar de peixes, camarões e uma infinidade de frutos do mar, todos sempre fresquinhos e bem preparados.</p>

<p><img alt="Após cruzar pela areia a Ilha Comprida, uma pausa para admirar os barcos na orla de Iguape" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/tur0_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p>Para fechar o roteiro e dar a ele um sentido ainda mais forte de aventura, há a opção de ir de Cananéia a uma pequena vila de pescadores chamada Airiry. O lugar está praticamente na divisa dos estados de São Paulo e Paraná, e o caminho que leva até ele é ruim – possível de ser feito, na maior parte do ano, apenas de moto trail ou carro 4×4. Mas se o barro for demais para você, não se preocupe, pois o final do roteiro ainda pode ser igualmente especial. Basta você rumar com sua moto para a paradisíaca cachoeira do Pitu, em Itapitangui (junto à rodovia SP-193). Nela, o banho de água límpida e gelada não só comprovará que toda a viagem valeu a pena, como certamente fará você pensar em qual será o destino de sua próxima aventura.</p>

<p>Vale lembrar que para quem é do Paraná, é só seguir a rota descrita, no sentido oposto, e retornar para casa pela BR-116.</p>

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