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Aprendendo com a europa!

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  • Publicado: 18/03/2011
  • Por: admin

<span style="font-weight: bold;">por Rafael Miotto</span><br /><br />Todos que visitam a Europa se surpreendem com diversos aspectos do Velho Continente. Comparando com o Brasil, por exemplo, &eacute; inevit&aacute;vel averiguar que o sistema de transportes dos pa&iacute;ses europeus, assim como a seguran&ccedil;a dos cidad&atilde;os, est&atilde;o anos-luz &agrave; nossa frente. Contudo, h&aacute; de se ressaltar que a hist&oacute;ria desses pa&iacute;ses &eacute; milenar e a sua civiliza&ccedil;&atilde;o j&aacute; passou por muitas experi&ecirc;ncias para chegar ao estado atual. Por que, ent&atilde;o, n&atilde;o utilizar algumas dessas experi&ecirc;ncias j&aacute; realizadas no &quot;Velho Mundo&quot; em terras brasileiras? Por exemplo, h&aacute; algum tempo as autoridades v&ecirc;m criando alguns incentivos para as pessoas trocarem os carros pelas motos, principalmente nas capitais. Uma das principais iniciativas neste sentido aconteceu em 1996, quando a Uni&atilde;o Europeia criou uma legisla&ccedil;&atilde;o de equival&ecirc;ncia entre as habilita&ccedil;&otilde;es de carro e moto. <br /><br />Desse modo, quem possui a habilita&ccedil;&atilde;o para autom&oacute;veis (carteira B) e tem mais de dois anos de experi&ecirc;ncia no tr&acirc;nsito pode pilotar uma motocicleta ou scooter de at&eacute; 125 cm&sup3;, sem a necessidade de tirar a carteira A, utilizada para motocicletas de todos os tipos. &quot;Em alguns lugares de Paris &eacute; simplesmente imposs&iacute;vel andar de carro e isso fez com que muita gente passasse a andar de moto diariamente, melhorando o fluxo de tr&acirc;nsito na cidade&quot;, disse Eric Breuillac, um fot&oacute;grafo brasileiro radicado na Fran&ccedil;a h&aacute; mais de dez anos. Entre os pa&iacute;ses europeus que aderiram a equival&ecirc;ncia de habilita&ccedil;&atilde;o est&atilde;o: It&aacute;lia, Fran&ccedil;a, Espanha e &Aacute;ustria. <br /><br />E, colocando esta ideia em pr&aacute;tica, tiveram um grande crescimento do n&uacute;mero de motocicletas nas ruas. Em sua maioria, os scooter dominam o mercado pela comodidade que trazem. &quot;Voc&ecirc; tem a vantagem de&nbsp; ter o c&acirc;mbio autom&aacute;tico, o espa&ccedil;o em baixo do banco e, al&eacute;m disso, nos dias de chuva voc&ecirc; quase n&atilde;o se molha e sente muito menos frio&quot;, acrescentou o guia tur&iacute;stico Jaime de Souza, que utiliza um scooter Piaggio todos os dias para rodar por Paris.<br /><br />Desde a &uacute;ltima renova&ccedil;&atilde;o do Piaggio MP3, realizada no final de 2008, este simp&aacute;tico scooter passou a ser homologado como triciclo em diversos pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europeia. Desse modo, em muitos pa&iacute;ses do bloco o triciclo pode ser dirigido por quem tem apenas a habilita&ccedil;&atilde;o B (carros), com a limita&ccedil;&atilde;o de at&eacute; 34 cv de pot&ecirc;ncia. As modifica&ccedil;&otilde;es no MP3 incluem um pedal de freio no p&eacute; direito, que faz a frenagem do triciclo de modo combinado entre os eixos, e a principal: a dist&acirc;ncia entre as rodas dianteiras foi aumentada em 46,5 cm&sup3;, aumentando ainda mais a estabilidade do ve&iacute;culo em curvas. Al&eacute;m disso, o scooter conta com bloqueio da suspens&atilde;o dianteira quando parado, assim, o ocupante n&atilde;o necessita colocar os p&eacute;s no ch&atilde;o.<br /><br /> Para completar o pacote, os piscas aumentaram de tamanho. Tudo isso fez com que a marca italiana encontrasse uma brecha na legisla&ccedil;&atilde;o europeia e tornasse os MP3 250 e 400 best-sellers. Outra medida tomada pelas autoridades francesas, para melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de tr&acirc;nsito em Paris, foi proibir que carros circulem por algumas &aacute;reas centrais. Al&eacute;m disso, encontrar uma vaga para estacionar um carro pode ser um grande desafio de paci&ecirc;ncia e exige o desembolso de uma grande quantia de dinheiro. Em contrapartida, um trabalho muito interessante come&ccedil;ou a ser realizado na Cidade Luz. Existe um servi&ccedil;o de motot&aacute;xi no Aeroporto Charles de Gaulle feito, nada mais nada menos, por motocicletas Honda Goldwing. &quot;Um diretor de uma empresa prefere, muitas vezes, trocar um t&aacute;xi normal por uma&nbsp; Goldwing. <br /><br />Primeiro porque a moto ser&aacute; mais r&aacute;pida no tr&acirc;nsito e segundo porque as motos chegam a lugares que os carros n&atilde;o chegam. Isso mesmo o motot&aacute;xi chegando a custar duas vezes mais do que um t&aacute;xi comum&quot;, explicou o jornalista franc&ecirc;s Charles-Henrick Gaurier. No entanto, mais pa&iacute;ses t&ecirc;m mostrado a valoriza&ccedil;&atilde;o das motocicletas, como ve&iacute;culo inteligente para a mobilidade no tr&acirc;nsito. Por exemplo, desde 2006, em Londres, na Inglaterra, motocicletas e bicicletas podem utilizar as faixas que eram exclusivas para &ocirc;nibus. A primeira experi&ecirc;ncia realizada em tr&ecirc;s vias da cidade comprovou que os acidentes com ciclistas e motociclistas ca&iacute;ram 44%. <br /><br />Assim, a medida foi expandida para as outras vias da cidade. Enquanto isso, no Brasil, as autoridades, apesar dos avan&ccedil;os nas vendas de motocicletas nos &uacute;ltimos tempos, v&ecirc;m adotando medidas contradit&oacute;rias em rela&ccedil;&atilde;o ao uso de motos. Em vez de utilizar estes exemplos j&aacute; bem-sucedidos na Europa, para resolver alguns problemas de mobilidade que enfrentamos em nosso pa&iacute;s, os legisladores e a m&iacute;dia parecem ir na contram&atilde;o do mundo. De um lado, as motos est&atilde;o sendo proibidas de circular em algumas vias e, de outro, as motocicletas s&atilde;o massacradas pela imprensa. Mas, ent&atilde;o, quem ser&aacute; que tem mais experi&ecirc;ncia no assunto? Com certeza, as motos s&atilde;o uma &oacute;tima op&ccedil;&atilde;o para a mobilidade no Brasil!<br /><br /><span style="font-weight: bold;">Equival&ecirc;ncia na habilita&ccedil;&atilde;o</span><br />Ap&oacute;s a iniciativa dos governantes de equivaler a habilita&ccedil;&atilde;o de carros a motos at&eacute; 125 cm&sup3;, as vendas de scooter quase dobraram na Fran&ccedil;a. De 24 000 unidades, em 1995, ano anterior ao in&iacute;cio das novas regras, as vendas saltaram para <br />44 000, em 1996. Em 2009,foram matriculados 77 000 scooter na Fran&ccedil;a.<br /><br style="font-weight: bold;" /><span style="font-weight: bold;">Velho continente movido a duas rodas</span><br />Apesar das motocicletas terem uma grande import&acirc;ncia no dia a dia dos europeus, outro ve&iacute;culo de duas rodas &eacute; essencial para os habitantes do Velho Continente. Por toda a Europa &eacute; espantoso ver a quantidade de bicicletas pela rua, em Amsterd&atilde;, por exemplo, sem d&uacute;vida, as bicicletas s&atilde;o o ve&iacute;culo n&ordm;1 para a popula&ccedil;&atilde;o. Pessoas de todas as idades e classes sociais utilizam as &quot;bikes&quot;, que ficam literalmente empilhadas nas ruas. Outro exemplo interessante ocorre em Paris, na Fran&ccedil;a, onde o governo disponibiliza bicicletas em diversas esta&ccedil;&otilde;es na cidade. O servi&ccedil;o &eacute; feito de maneira &quot;self-service&quot; com um cart&atilde;o especial ou mesmo um cart&atilde;o de cr&eacute;dito comum. Com a primeira meia hora de uso gratuita e as posteriores por 1 euro, voc&ecirc; pode se deslocar por toda a cidade e depois deixar a bike em qualquer outra esta&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel em Paris.

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