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Mercado
A pandemia e suas distorções no mercado de motos

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  • Publicado: 15/09/2020
  • Por: Ismael Baubeta

A pandemia da Covid-19 mexeu com o mercado em todos os segmentos e, logicamente, no de motos também. Afinal, em março, a maioria das fábricas de motos anunciou a corajosa e inevitável decisão de parar de produzir para evitar o alastramento do vírus. Assim contribuíram com o Estado de Manaus (um dos mais atingidos do Brasil e onde a maioria das fábricas atua) e com a saúde de seus funcionários. Obviamente isto teve consequências desastrosas para quase toda a cadeia da moto.

A Honda tem em Manaus a sua maior planta de produção de motocicletas do mundo e emprega 5.500 pessoas. BMW, Dafra (Ducati), Harley-Davidson, Suzuki, Triumph e Yamaha também têm unidades fabris por lá e todas pararam de produzir ou diminuíram drasticamente a produção.

Motos
Honda Elite 125 (Divulgação)

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Consequências

Não poderia ser diferente: as consequências foram desastrosas. As concessionárias continuaram vendendo pelo meio online e acabaram desabastecidas, gerando falta de motocicletas para o momento na reabertura gradual dos estabelecimentos comerciais.

Por outro lado, uma corrida pelas motos usadas por um grande contingente de pessoas para entrar no segmento do delivery, aqueceu o mercado destas motos, além de repercutir no de peças de reposição e serviços de oficina.

Delivery de comida e remédios apresentou alta exponencial na pandemia (Agência Brasil)

Distorções numéricas

Para você ter uma ideia, algumas das distorções vistas no início da retomada da produção, na flexibilização do isolamento social, já estão voltando ao antigo “normal”. Mas ainda é possível notar discrepâncias em vários números de entidades do meio, como Fenabrave e Abraciclo.

Por exemplo: publicamos há alguns dias uma fotografia deste filme pós-flexibilização, na qual mostramos que em julho e agosto a Yamaha Fazer 250 ficou à frente da Honda CB 250 Twister. Isso encurtou a diferença nos emplacamentos dos dois modelos, mas no acumulado do ano a Twister continua à frente da sua principal concorrente.

BMW R 1250 GS também apresentou oscilação no total de emplacamentos durante a pandemia (Divulgação)

Apesar do momento de retomada e dos números irem voltando ao normal, outras disparidades podem ser observadas. Como a BMW R 1250 GS (em todas suas versões), que emplacou uma média de 330 motos no último trimestre de 2019, número que caiu para 247 nos primeiros três meses de 2020. Mas com o “novo normal” ocorreu uma reviravolta: depois de uma queda significativa pela pandemia em abril (76 unidades) e maio (143), no trimestre de junho, julho e agosto essa média subiu para 418 R 1250 GS emplacadas.

Participação de mercado

Vamos falar dos números de emplacamentos. A Honda em março, mês em que as fábricas paralisaram suas linhas de produção, detinha, segundo a Fenabrave, 80,08% dos emplacamentos, enquanto a Yamaha, segunda maior do país, tinha 13,63%.

Linha de montagem da família SH da Honda, em Manaus (AM)
Funcionários em ação na linha de produção da Honda em Manaus antes da pandemia (Divulgação)

Em abril, Honda e Yamaha mantiveram suas participações nos emplacamentos praticamente inalteradas e as mudanças foram na terceira colocação, quando a BMW assumiu o terceiro lugar, deixando a Haojue para trás, com participação de 1,09%.

A discrepância no quesito emplacamentos aconteceu em junho, quando a Honda teve muito menos emplacamentos e ficou com 66,08% de participação e 30.325 motos lacradas. No mesmo mês, a Yamaha passou para 22,08%, mantendo quase o número de emplacamentos de março (10.273), com 10.135 unidades lacradas.

Funcionários em fábrica da Yamaha antes da pandemia (Divulgação)

Já em julho, a Honda subiu de patamar com 66.164 emplacamentos e 75,34% de participação. Em agosto, a Honda emplacou 75.246 motocicletas e ficou com 78,38% de share. A Yamaha no mesmo período fez respectivamente 13.967 emplacamentos com 16,4% de participação em julho e 14.244 com 14,84% de share em agosto.

Se passarmos um pente-fino em todos os modelos ranqueados pela Fenabrave durante o ano, vamos encontrar muitas situações atípicas. Afinal, a produção foi voltando aos poucos. Algumas marcas retomaram rápido, outras lentamente. Só mesmo fechando este ano de 2020, cheio de percalços, é que teremos números mais realísticos do mercado.

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