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Turismo: o Deserto do Atacama sempre surpreende

7 Minutos de leitura

  • Publicado: 01/04/2020
  • Por: Willian Teixeira

Não importa quantas vezes você visite a região do Atacama, sempre há coisas para conhecer e surpresas no ambiente e no cartão-postal
Texto e fotos: Ton Pederneiras

O Atacama costuma ser o primeiro grande destino de todo motociclista. E quanto mais próximo ao deserto no norte do Chile, mais interessante a expedição se torna.

Partindo de São Paulo, são necessários quatro longos dias de deslocamento para chegar à região de Salta, no norte da Argentina, ponto onde a viagem começa a ganhar mais atrativos.

Salta – Cafayate: As rochas e o vinho

Antes de cruzar a cordilheira, desviamos sentido sul pela ruta 68 para Cafayate. O destaque nesse roteiro é a natureza rochosa da região formada por vários cânions e formações espetaculares como o Anfiteatro e a Garganta do Diabo, por onde caminhamos entre seus paredões imensos. No caminho há também vários locais simpáticos e coloridos para almoçar ou lanchar, onde o turista pode degustar pratos, lanches e bebidas da região.

Trecho da Ruta 68 entre Salta e Cafayate

O caminho segue sinuoso e pitoresco em um trecho sem trânsito e perfeito para pilotar, aproveitando cada curva. Cafayate é uma cidade da província de Salta, importante região produtora de vinhos na Argentina, lá a possibilidade de hospedagem dentro de vinícolas. O centrinho é cheio de opções de museus da produção de vinho a restaurantes para degustá-los e comer uma boa carne.

Cafayate – Tilcara: A floresta e a história

Depois de uma noite bem dormida entre as parreiras, voltamos pelo mesmo percurso, explorando a região. Uma opção seria subir a ruta 40 por terra, passando pela inusitada Quebrada de Las Flechas, com suas formações em diagonal e por Cachi. Passamos por Salta novamente e seguimos ao norte por uma estrada muito estreita e praticamente sem retas, chamada La Cornisa. A estrada é turística e cruza uma floresta ligando Salta a Jujuy.

A grande sinergia dos grupos cresce na viagem

De lá seguimos para Tilcara, o maior centro arqueológico do norte da Argentina. A cidade tem uma arquitetura típica do Atacama com casas de adobe e há artesanato por todos os lados. Ali são sediadas muitas festividades tradicionais, em especial o carnaval. É possível também visitar o Pukará de Tilcara, uma fortaleza pré-colombiana com pirâmides dentro de um deserto de cactos gigantes, local capaz de nos transportar no tempo.

Tilcara – São Pedro: A cordilheira e o salar

Num dia incrível do tour saímos preparados para o frio da Cordilheira dos Andes. A subida é feita por curvas fechadas, caminhões lentos e algumas falhas no pavimento que requerem atenção do piloto, mas ainda assim a diversão é garantida. Logo chegamos ao marco do ponto mais alto da travessia com 4.170 metros, logo depois cruzamos a aduana para entrar no Chile. Paramos para o almoço em Pastos Chicos, onde matamos a fome e o frio da estrada, depois seguimos para Salinas Grandes.

O salar é cênico, no alto da montanha com estátuas gigantes de sal, lá o mar branco some no horizonte e rende muitas fotos criativas. O deslocamento total nesse dia é de 450 quilômetros praticamente todos em elevada altitude e o visual é de tirar o fôlego. A cada hora tudo muda e vimos novas composições coloridas de terreno, montanhas, lagos e animais entre as moitas amarelas e espaçadas, clássicas do deserto.

Salinas grandes: no alto da cordilheira, o sal predomina e compõe a vista com as montanhas ao fundo

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O vulcão Licancabur marca a chegada a San Pedro. Na parada para fotos todos comemoram a chegada ao destino, cujo pico nevado será visto no horizonte em toda a expedição. A cidade tem farta opção de gastronomia, de petiscos e “una cerveza” a menus elaborados.

Vista do vulcão Licancabur

Atacama: Lagunas e pôr do sol

San Pedro foi nossa casa durante dois dias e aproveitamos para pilotar pelas redondezas. No primeiro dia fomos no sentido sul para visitar as Lagunas Altiplânicas depois de 100 quilômetros chegamos ao primeiro trecho off-road do tour, que, apesar de curto (com 5 quilômetros), esconde alguns bancos de areia capazes de derrubar os desatentos. Tombinhos na areia que viram histórias para rir mais tarde.

O charme de San Pedro de Atacama

Vencido o desafio o visual mais tradicional do deserto se agiganta à nossa frente, o azul do céu e o paredão de montanhas nevadas ao fundo se refletem na lagoa cristalina, é inesquecível. Mais alguns metros adiante, a Laguna Miñiques traz mais um pouco da beleza dos extremos do deserto.

Fotogênica: a paisagem no caminho para as Lagunas Altinplânicas é incrível

Na volta, o almoço é uma típica sopa com galinha em Toconao no paradouro San Santiago antes de visitar a Laguna Cejar. A laguna salubre nos seduziu para um banho e, ao entrar na água gelada, o viajante se surpreende ao perceber que é impossível afundar devido à densidade provocada pelo sal, vale a contemplação durante o banho com os pés e braços para fora d’água. O corpo fica branco de sal, mas há duchas no local para se lavar.

As motos e seus pilotos à beira da Laguna Miscanti

A tarde avançou e seguimos para a Piedra del Coyote, onde vimos o primeiro pôr do sol no Atacama sobre o vale recortado pelas formações rochosas, lugar especial para nosso brinde.

Galera reunida no alto da Piedra del Coyote
O lindo pôr do sol é sedutor em Piedra del Coyote

Atacama: Os gêiseres e o deserto

Madrugamos para visitar os geisêres de El Tatio, que ficam a 80 quilômetros de San Pedro. A atividade vulcânica acontece ao amanhecer com temperaturas negativas, então, optamos por um tour de van com um guia local. O café da manhã é feito lá, no meio do nada, junto aos vapores que brotam do chão.

Os gêiseres de El Tatio têm o melhor momento ao amanhecer, quando a baixa temperatura favorece a visualização dos vapores

Na sequência, visitamos as Thermas de Puritana para um banho nas águas quentes. De lá seguimos pelo vale repleto de rebanhos de guanacos e vicunhas até o povoado de Machuca, onde vivem descendentes de povos pré-colombianos. Lá aproveitamos para comer espetinhos de carne de lhama e pastel de queijo de ovelha.

Vila de descendentes précolombianos de Machuca

O tour continuou, todo por terra, passando por belíssimos lagos com flamingos e paisagens ímpares. Na tarde livre curtimos o centrinho de San Pedro, uma esquina do mundo onde aventureiros vem de toda parte para explorar o deserto, integrando-se ao visual aventureiro da cidade. No final da tarde, o pôr do sol é no Vale da Lua, onde as inúmeras depressões fazem parecer o terreno lunar.

De volta à cidade, jantamos e fizemos um interessantíssimo passeio para ver o céu noturno do deserto do Atacama, que, por ser o local mais árido do mundo, tem o céu muito limpo e, por isto, abriga muitos observatórios por lá.

Ton Pederneiras, o narrador, guia e fotógrafo das aventuras na noite de apreciação do céu

São Pedro – Salta: Paso de Jama

Chega o dia da volta e levantamos acampamento já com saudade da cidade que nos acolheu por tantas noites. Café da manhã reforçado, segunda pele no corpo e equipamento de frio para a volta gelada pela cordilheira. Mesmo durante o verão, é comum enfrentar temperaturas negativas na montanha, e no nosso caso foram -2ºC.

Na vista do mirante Paso de Jama, rodar nesta estrada é um grande prazer

O cenário surpreende sempre! É o caso da descida do Paso de Jama que, vista do alto, revela sua infinidade de curvas entre pedras e cactos gigantes. Após a descida, retornamos a Salta, onde comemoramos a viagem em uma excelente parrilla e vinhos argentinos. Mais tarde aproveitamos um pouco da animada vida noturna Saltenha.

Ton Pederneiras | 11 99512-1382
Tour Guide TRX e jornalista
www.destinoincerto.com.br
Apoio: Bieffe Capacetes e Alpinestars

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