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Turismo, história, carne, vinho e muita pilotagem no Sul do Brasil e Uruguai

6 Minutos de leitura

  • Publicado: 07/08/2021
  • Por: Alexandre Nogueira

Para chegar ao Uruguai são pelo menos 3 dias do Brasil na ida e mais 3 na volta, então resolvi aproveitar a passagem pelo sul do Brasil também.

No primeiro dia descemos a serra da Graciosa, comemos um bom Barreado em Morretes e a noite jantar alemão em Joinville. No segundo dia pegamos a BR101 para o Sul e entramos sentido Rancho Queimado. Eu havia feito essa serra recentemente sob chuva forte e havia sido tenso, mas neste dia o clima frio e o céu aberto nas Serras Catarinenses providenciaram uma experiência sensacional de pilotagem entre curvas e mirantes. Almoçamos uma boa carne no paradouro Santo Antonio em Urubici para entrar no clima Uruguaio. Eu estava um pouco preocupado com o tempo de deslocamento, esse seria nosso dia mais puxado então abortei a visita ao Corvo Branco para aproveitar mais o Rio do Rastro.

Texto e fotos: Tom Pederneiras

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Abastecemos no posto temático Serra Azul e invadimos os maravilhosos 70 km que separam Urubici do Rio do Rastro entre araucárias e cânions! Mas o Rio do Rastro estava mal humorado naquela tarde! Não vimos o mirante, a serra, as motos ou qualquer coisa a mais de 4m de distância. Entretanto, descer a serra entre as brumas para mim compensa não vê-la do mirante, algo único e que eu adoro! Seguimos por dentro de Santa Catarina para chegar a Torres e o cansaço bateu! Pela noite, pra compensar, mais comida e vinho uruguaio no restaurante Tannah! Na manhã do terceiro dia caminhamos pelas impressionantes falésias a beira mar em Torres! Descemos entre o mar e a Lagoa dos Patos e o cenário já era totalmente diferente do sudeste. O vento nos castigou! A reta sem fim valeu a pena quando chegamos à balsa para Rio Grande durante o por do sol.

Dia 04, o dia de chegar ao Uruguai! Começamos nossa descida cruzando a reserva do Taim, o Pantanal do Rio Grande do Sul, na beira da estrada muitos animais e mais de uma centena de capivara curiosas admiravam as motos fugindo do Carnaval. Gasolina ruim fez a gente parar antes da fronteira e abastecemos tremendo de frio. Chegamos no Chuí e trocamos dinheiro rapidamente em meio aquele caos para ir a aduana onde a fila desanimava. Uma hora depois estávamos pilotando pelos prados uruguaios. É incrível como tudo muda, estradas estreitas e vazias com o horizonte distante e verde. Assim seguimos até nosso primeiro destino por lá: Punta del Diablo. Se eu tivesse um desejo seria ter 15 anos ali, uma barraca e viver como um Hippie ali. O cenário da península era deslumbrante e a paz, apesar do movimento, reinava, parecia um filme antigo, tudo em câmera lenta. Almoçamos em uma das barracas com vista para o mar e a contragosto seguimos em frente para San Carlos, pertinho de Punta del Este.

Hospedagem rural

Dia 05, 06 e 07. Se eu acertei uma coisa nessa vida foi esse hotel rural. A Casa Quetzal fica afastada de tudo e as acomodações podem ser em uma construção que parece um castelo ou em chalés-barracas no gramado. Precisaria de uma matéria inteira para descrever. Dormimos e acordamos ali 3 vezes para aproveitar a região e os atrativos de Punta. A cidade é feita para passear, paramos as motos em frente aos famosos dedos da Mano del Ahogado e após as fotos fomos bater perna. Almoçamos em frente aos veleiros do porto e caminhamos por toda a costa. A noite encomendei uma parrillada surpresa para o grupo com muito (mas muito) vinho mesmo! Dormimos tarde e acordamos tarde também.

A programação do dia foi visitar a belíssima Viña Eden onde curtimos um picnic sob as árvores com mais vinho e fizemos também a visita para conhecer o processo de produção dos vinhos. A noite o ponto alto do tour! Seguimos de moto até Punta Ballena onde fica a Casa Pueblo. A construção na encosta do rochedo foi feito pelo artista, escultor e poeta Carlos Páez Vilaró e lembra os castelos de areia molhada que as crianças fazem na praia. A construção é pintada com a tinta das casas de Santorini, na Grécia. Lá admirei um dos pores do sol mais lindos da minha vida ao som do poema escrito pelo artista, quem não se emocionar ali não é insensível. Dia novo para seguir pela costa do Uruguai até Montevidéo, com almoço marcado no Mercado del Puerto. Entre as carnes espalhadas so-bre parrillas, em corredores que lembram nosso Mercadão em São Paulo, saboreamos mais pratos desse país encantador.

Após o almoço compras em uma loja de fábrica ali do lado. Encerramos nosso tour pelo litoral com uma chegada triunfal entre coqueiros que ladeavam a estrada na chegada a Colônia de Sacramento. Outro “rinconcito” indescritível do Uruguai. A cidadela fica dentro de uma antiga fortaleza portuguesa em ruínas com muralhas e um farol no centro das ruelas de pedra. Lá de cima vimos novamente o sol se por, desta vez sobre Buenos Aires pequenininha lá ao fundo!

Churrasco no gramado

É tanta beleza que perdemos a conta dos dias, mas sabíamos que era nosso último dia com sotaque castelhano! Cortamos o Uruguai pelo interior e, naquele dia, todas as pontes estavam em reforma forçando várias paradas. Mas antes que deixássemos o país mais uma paradinha surpresa especial! Deixei a estrada para entrar em um caminho de terra que nos levou a Estância La Estíria, tradicional hacienda uruguaia, com criação de cavalos e parrilla no gramado.

Almoçamos entre histórias e lendas antes de pegar a estrada. Acordamos em Santana do Livramento, no Brasil e seguimos para São Miguel das Missões onde visitamos as ruínas de São Miguel Arcanjo. A noite show de luzes e poesia para contar a guerra entre índios, jesuítas, portugueses e espanhóis. Na manhã seguinte visitamos as incríveis ruínas, que a muito tempo desejava ver de perto com um guia local. Seguimos então para Concórdia e contemplamos outro por do sol, dessa vez, sobre a belíssima ponte que separa o RS de SC sobre o rio, vejam só, Uruguai!

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Jantar muito bom na cantina Família Dalagnol!

A ideia era extender o tour mais um pouquinho, então, seguimos para Tibagi (PR) onde visitamos os Cânions de Guartelá. Uma caminhada longa mas a beleza natural copensa. Passamos também pelos panelões onde á água que desce some em buracos circulares no chão. O Hotel Itagi surpreendeu e a noite foi de conversa e pizza na beira da piscina. Último dia de alegrias! O grupo começou a se desfazer, cada qual tomando seu rumo. Seguimos com os paulistanos pelas ótimas estradas do Paraná e São Paulo depois de ter cruzado todo tipo de caminho. Paramos no Porthal do Rastro da Serpente, nossa última foto antes de pegarmos a Castelo Branco para o interior, sozinhos agora, mas com o interior repleto de histórias.

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