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Serra do Rio do Rastro: o principal destino de mototurismo do Brasil

6 Minutos de leitura

  • Publicado: 28/12/2020
  • Por: Alexandre Nogueira

A Serra do Rio do Rastro é desejo latente de muitos motociclistas. Viajar para longe, explorar, sentir o vento e sentir-se pequeno diante do mundo são sensações comuns de quem passa por ali cravada entre curvas e paredões.

Nosso tour para a Serra do Rio do Rastro já começou descendo a Ser­ra do Cafezal, próximo a São Paulo, agora duplicada, sem trânsito e com um belo vi­sual. Seguimos pela maior rodovia federal do Brasil cruzando também a bela e mor­tal Serra do Azeite para chegar até a entrada da Estrada da Graciosa.

Texto e fotos: Tom Pederneiras
Edição: Alexandre Nogueira

Serra do Rio do Rastro

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Essa estrada merece um parágrafo à parte. Em meio à maior reserva de mata atlântica do Bra­sil, a estrada que era usada pelos tropeiros e suas mulas liga o litoral à serra. Não bastasse ser cheia de curvas, íngreme e calçada de paralelepípedos, o que aterroriza muitos pilotos em dias de chuva, ela é enfeitada de hortênsias azuis. Antes de co­meçar a descida, paramos para fotos no icônico portal barroco à beira da BR-116.

A clássica foto da Garganta do Corvo Branco

Após a descida, cruzamos alguns rios com muitas pedras e alguns banhistas e seguimos até chegar aos casarões de época em Morretes, já no Paraná. A charmosa cidade floresceu à beira do rio Nhundiaquara. Experimentamos lá o tradi­cional barreado no restaurante Madalozo à beira do rio. A carne é feita em panela de barro e ser­vida com farinha, banana e demonstrada detalha­damente pelo garçom.

Não é possível passar por Morretes e não co­mer mais do que se deve. Enquanto nos recu­peramos, atravessamos nossas motos de bal­sa entre Caiobá e Matinhos no litoral para então acessar a Estrada dos Príncipes que nos levou a Joinville, SC. Para jantar no estilo da cidade, co­memos em um restaurante alemão com direito a salsichão, joelho de porco e tartar.

Ponte antiga sobre o Rio Nhundiaquara, em Morretes

Seguindo para o sul

No dia seguinte trocamos a BR116 pela 101 e de tempos em tempos avistávamos o mar e a imen­sa ilha de Florianópolis. Paramos para almoçar em uma das praias mais lindas do Brasil: a Guar­da do Embaú, onde o rio da Madre não tem pres­sa de chegar ao mar e cria desenhos com água, areia e gôndolas. Ali almoçamos no Guarda a Gosto e o melhor prato (que não está no cardá­pio) é o Camarão da Jane – fica a dica! Enquan­to o prato era preparado, fizemos uma caminhada até a costa de pedras.

Vista do amanhecer nas Serras Catarinenses

São tantos lugares lindos que quase perde­mos o foco. Então orientamos o GPS para o Rio do Rastro. Saímos da BR101, em Tubarão, e dai para frente tudo muda. O visual serrano da região parece ter parado um século atrás, tudo é à ba­se de pedra, madeira, vacas e curvas. Após Lau­ro Müller, SC, as placas para a serra aumentam a ansiedade dos viajantes. A subida começa discreta e aos poucos as cur­vas e o relevo vão aumentando. Em pouco tempo estamos pilotando com o paredão perpendicular de pedra a nossa esquerda e o imenso vale à direita.

Ilustração da região

Então começam os cotovelos e ao olhar para ci­ma vemos a estrada subindo como em degraus, serpenteando o paredão. Conforme subimos, mi­rantes vão aparecendo nos cartões-postais da serra. Lá em cima a expectativa para ver (se a ne­blina deixar) a estrada. Às vezes é preciso esperar, outras vezes não tem jeito, a serra não se mostra.

Passarela de vidro sobre a Cachoeira do Avencal

Nos hospedamos no hotel Rota dos Cânions, em Bom Jardim da Serra, SC. Um palácio rural en­tre cânions e araucárias. Da janela dos quartos ou do salão de jantar com lareira admiramos o visual do alto das nuvens onde o tempo parece ter para­do, oferecendo uma taça de vinho. Uma vantagem de se hospedar neste hotel é estar a 7 km da ser­ra, propício para voltar à noite e percorrer suas cur­vas iluminadas. Nessa hora a cerração transforma tudo em um filme fantástico, onde luzes difusas ilu­minam a névoa e fazem o contorno das motos pa­recer fantasmas dançando na brisa gelada.

Guarda do Embaú

O dia amanhece e a luz preguiçosa da manhã dá vida à paisagem serrana. Cerca de 70 quilô­metros de ótima estrada, repleta de curvas e pe­quenos vilarejos, nos separam de Urubici. A ci­dade mais alta do Brasil é um parque de diver­são para os motociclistas. Em seu cardápio de cartões-postais temos: o Morro da Igreja com a Pedra Furada no ponto mais alto, a Cachoeira do Avencal com mais de 100 m de altura, a belíssi­ma Gruta Nossa Senhora de Lurdes, o posto Ser­ra Azul com tema vintage, o saboroso Paradou­ro Santo Antonio e a imperdível Serra do Corvo Branco, a maior fenda do mundo com uma es­trada dentro. Para chegar a ela o piloto pega uma terrinha, mas o grande desafio é sua descida, ín­greme com asfalto péssimo, personalidade do corvo. Na volta a foto clássica entre os paredões.

Serra do Rio do Rastro iluminada à noite

Churrasco na serra

De volta ao Rota dos Cânions, à noite comemo­ramos o “raid” serrano com um churrasco gaúcho no celeiro do hotel com direito a sanfoneiro. A co­mida, bebida, risadas e o choro do acordeão in­vadem a noite da serra. Acordamos mais tarde para começar nossa volta sentido São Joaquim, a cidade que se des­taca pela produção de vinho e aproveitamos para visitar a belíssima vinícola Villa Francione. O cami­nho até Lages foi a despedida das inesquecíveis estradas das Serras Catarinenses. A partir de lá a BR-116 ocupou boa parte do dia até Santa Feli­cidade em Curitiba onde jantamos em suas tradi­cionais cantinas italianas.

Visita à Pedra Furada no Morro da Igreja

Último dia, mas a viagem está longe de aca­bar. Quase 1.300 curvas do Rastro da Serpente nos separavam de São Paulo! A estrada famosa entre os motociclistas possui 250 quilômetros praticamente sem retas, equilibrando-se na cris­ta da montanha. O asfalto é um tapete e quem gosta de pilotagem se divertiu. Em Apiaí, no meio da estrada, a foto é obrigatória sob a placa da serpente. Em Capão Bonito, mais uma edi­ção da placa e mais um bar temático de moto, o Porthal do Rastro da Serpente. Antes de chegar à capital, um cafézinho para as despedidas no Casarão 54.

O grupo comemora a chegada ao topo

Foram cinco dias repletos de pilotagem, ser­ras incríveis e sabores típicos do Sul do Bra­sil. Hortênsias, paralelepípedos, o mar, cânions, araucárias, cachoeiras, pedras furadas, carne, vi­nho, cantinas, sorrisos de alegria sob os capace­tes e muitas curvas. Esses foram os ingredientes da melhor receita de viagem para o principal des­tino dos viajantes de moto do Brasil.

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