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Opinião: recall, “mal” necessário para evitar acidentes

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  • Publicado: 11/10/2019
  • Atualizado: 11/10/2019 às 15:44
  • Por: Ismael Baubeta

As campanhas de recall avisam os consumidores que seu produto tem algum defeito de fabricação e que ele deve ser sanado para evitar males maiores. Pode parecer um saco ter que fazê-lo, mas principalmente no caso de motos e carros, os riscos de acidentes podem ser grandes, o que torna a missão mais fácil.

A lei do recall tem se modernizado a ponto do consumidor ter sua responsabilidade em responder ao chamado e fazer a correção do defeito. Caso contrário, a informação de que o veículo não compareceu ao chamado será sinalizada em seu documento e, consequentemente, a transferência em caso de venda não poderá ser feita até a realização do reparo previsto pelo recall.

Recall parece ruim, mas seu propósito é evitar acidentes (Divulgação)

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No começo de outubro, entrou em vigor a portaria dos ministérios da Infraestrutura e da Justiça que criou o Serviço Nacional de Registro e Notificação de Recall de Veículos. O objetivo é aprimorar o serviço de aviso aos consumidores para substituição ou reparo de veículos que saíram das fábricas com algum defeito.

A principal mudança em relação ao passado recente da lei, é que o não comparecimento ao recall do proprietário no prazo de um ano, a partir do início do chamado, será registrado no documento do veículo no próximo licenciamento.

Pensando de maneira lógica e objetiva, o recall não deveria ser lei. Em caso de defeito, o fabricante, baseado na ética e na moral, teria que fazer a convocação de livre e espontânea vontade. Mas como um recall pode significar um prejuízo milionário na maioria das vezes, moral e ética escorrem pelo ralo, infelizmente.

Caso o veículo não compareça ao chamado de recall, a informação constará em seu documento (Pixabay)

Lembro de uma época em que trabalhei em uma montadora de motos que, inacreditavelmente, recebia a ordem da matriz para fazer o recall e simplesmente não o fazia. Tratava as motos que chegassem com o defeito como atendimento de garantia, substituía a peça e só, economizando um monte de dinheiro em detrimento da integridade e vida dos proprietários de suas motos. Atitude inconsequente e, hoje, criminosa.

Por outro lado, também estão os proprietários que não se preocupam com o chamado para arrumar o veículo, pensando talvez, serem alheios às probabilidades de acidente. Ledo engano! São tão inconsequentes quanto os que se negavam a fazer o recall, talvez pior, já que são eles mesmos que estão atrás do guidão ou do volante “defeituoso”.

No final, a nova lei vai ajudar o consumidor que comprar um veículo novo ou usado, e coloca a responsabilidade em cada um da cadeia. Não deveria ser algo obrigatório, e sim, da consciência de cada um. Concordam? Deixem sua opinião nos comentários. Grande abraço!

Ismael Baubeta é editor da Revista Motociclismo no Brasil. Motociclista há mais de trinta anos, fez da paixão pelas motos sua profissão.