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O que pensa Diego Borghi, CEO da Ducati do Brasil

8 Minutos de leitura

  • Publicado: 08/09/2021
  • Atualizado: 09/09/2021 às 19:41
  • Por: Isabel Reis

Diego Borghi é o CEO da Ducati do Brasil e o responsável pelo seu crescimento, com uma rede total de 15 concessionárias. No próximo ano, a Ducati completará dez anos como subsidiária no país e vai muito bem, obrigada.

A Ducati, que é comandada pelo Grupo Volkswagen, mais especificamente pela Audi, que a adquiriu em 2012, vem demonstrando uma atuação muito profissional em todo o mundo. Diego brinca falando que “a fusão reuniu a paixão do italiano com o racional do alemão”.

O que pensa Diego Borghi, CEO da Ducati do Brasil

A melhor notícia é que apesar de tantos contratempos de pandemia, da falta de componentes na linha de produção, da disparada do dólar e euro, as perspectivas de lançamentos continuam grandes.

Para este ano, por exemplo, a Ducati apresentará a Streetfighter V4 por aqui. E o executivo ainda promete outra novidade até o final de 2021.

Já para os próximos cinco anos também não faltarão emoções para os amantes da alta performance, com a previsão de até três lançamentos por ano.

Se quiser acompanhar toda a entrevista, assista ao vídeo integral, sem edição.

Caso prefira, leia a transcrição da revista logo abaixo:

MOTOCICLISMO: Como é a relação entre Ducati e Audi? Existe algum tipo de interferência ou são operações bem separadas?
Diego Borghi: Principalmente no Brasil, o impacto é praticamente nulo. Globalmente falando, tivemos a aquisição em 2012 da Ducati pela Audi, o que trouxe muito mais profissionalização. Muito mais mapeamento, procedimentos, um jeito muito mais controlado de tocar negócios. Ficou uma empresa muito mais eficiente. Aqui no Brasil, por exemplo, eu estou falando de dentro do escritório da Audi, que é onde fica também a Ducati do Brasil. Temos uma sinergia grande que envolve os pontos de venda, de varejo. Fizemos um projeto piloto em 2019, no qual uma loja da Audi em Campo Grande, MS, teria também a Ducati no mesmo ambiente comum. Claro que respeitando a identidade de ambas as marcas. Respeitando também que não houvesse motocicletas no mesmo showroom de carros: a Ducati sempre em um showroom segredado, mas dentro do mesmo espaço. Isso trouxe uma grandiosidade ao negócio. Foi o primeiro piloto desse tipo de “sinergia combo” para o mundo, inclusive. Cerca de 1/3 dos projetos globais de trabalho unificado estão aqui no Brasil.

Quantas operações no formato de combo existem hoje no Brasil?
O mais recente foi a volta da Ducati para o Nordeste, em João Pessoa, PB, dentro da Audi também. No total são seis operações combo aqui no país. Mas também temos lojas exclusivas, que representam a maior parte da nossa rede, que é de 15 no total.

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Como está esse ranking mundial de vendas da Ducati? Onde se encaixa o Brasil nesse ranking?
O principal país em vendas, já há dois anos, é a Itália, seguida pelos Estados Unidos. Em terceiro lugar, há uma briga entre Alemanha e Inglaterra. França está próxima e a China vem ganhando cada vez mais representatividade dentro do grupo. O Brasil está entre os dez países do mundo em termos de volume. Como subsidiária, estamos em 16 países. Mas atuamos em mais de 100 países, considerando os importadores independentes.

No mundo, a Audi tem uma estratégia de carros elétricos de alta tecnologia. Existe a possibilidade de a Ducati retomar o projeto de motos elétricas de alta performance?
A Ducati tem vários projetos elétricos dentro do seu laboratório de desenvolvimento. Inclusive está na Moto E: o piloto brasileiro Eric Granado tem ido bem em algumas etapas do Mundial. Para fins comerciais existem alguns estudos, projetos. Muitas coisas estão sendo feitas nos bastidores da Ducati. Mas oficialmente ainda não temos nada para apresentar ao mercado. Lembrando que o nosso maior desafio é a bateria. Para o nosso segmento específico, de produtos de alta performance, há uma complexidade maior. Por esse motivo que a maior parte dos concorrentes também não conseguiu entrar na eletrificação das motos mais potentes.

O que pensa Diego Borghi, CEO da Ducati do Brasil
Operação Ducati-Audi em Campo Grande (Arquivo)

Qual é a estratégia para vender motos com preços tão elevados e com faixas tão amplas de preço? Começando R$ 64.000 e indo até R$ 160.000?
Como o nosso propósito é sempre entregar o que há de melhor para os nossos clientes, em termos de modernidade, de tecnologia embarcada, isso representa um valor agregado e uma precificação diferenciada. Mas vale lembrar que se formos internacionalizar os nossos preços, hoje os produtos da Ducati do Brasil ainda são dos mais baratos do mundo. A Panigale V4S é a mais barata que existe no mundo, traduzindo em dólar ou euro. Por mais que a gente tenha aumentado o preço, brigamos para não corrigir 100% do valor que está lá fora. Lembrando que a Ducati começa com 800 cilindradas, que é o principal line-up global e aqui no Brasil não é diferente. Fazemos de tudo para ter um mix maior e mais adequado à nossa realidade aqui no país.

Além da Panigale, teremos outros modelos, como a Multistrada V4?
Sim, teremos. Mas vale lembrar que o motor da Multistrada é diferente do V4 da Panigale. O motor da Panigale V4 é um 4 cilindros, o mesmo utilizado na Streetfighter V4. A Multistrada é um motor diferente porque seu objetivo não é ser uma bigtrail superesportiva. Ela veio para revolucionar o segmento e por isso é muito mais balanceada que qualquer outro produto que exista no mercado, com toda a tecnologia embarcada que tem. O seu motor V4 chama Gran Turismo, justamente para algo mais dedicado a viagens, que é um dos principais usos da Multistrada V4.

O que pensa Diego Borghi, CEO da Ducati do Brasil
A nova Multistrada V4 (Arquivo)

Mas o motor V4 tem chance de chegar aqui em breve?
Essa é a quebra de paradigma da Ducati. A mudança de dois cilindros para quatro cilindros, mais recentemente, demonstrou uma estratégia extremamente vencedora do ponto de vista comercial, de produto, de performance, de confiança, de vários outros fatores. Isso fez com que toda a tecnologia se voltasse para essa plataforma dos quatro cilindros. Aqui no Brasil também sabemos que é uma estratégia vencedora. A Panigale V4 é um produto que tem uma demanda maior do que a gente imaginou. Vai chegar no futuro a Streetfighter V4 e a Multistrada V4, sem dúvida nenhuma. A gente tem a expectativa que serão um grande sucesso, como está acontecendo no mundo todo.

Trata-se de um futuro próximo?
Eu diria que a Streetfighter é um futuro mais próximo do que a Multistrada V4, por questão de homologação. As duas estão em processo de homologação.

Diego Borghi recebe troféu do Moto de Ouro das mãos de Gustavo Marano, da Suomy, no Salão Duas Rodas 2019 (Arquivo)

Em 2020 a Ducati vendeu em torno de 1.100 unidades. Este ano, até o final de julho, foram cerca de 600 unidades. Como esperam fechar o ano de 2021?
A gente imagina fechar um pouco acima, próximo das 1.200 unidades, apesar de todos os contratempos da cadeia de suprimentos, que estamos sofrendo globalmente. Há uma fila muito grande de motocicletas inacabadas em produção, justamente esperando componentes. Lembrando que os kits do Brasil vêm da Itália para serem montados aqui. Com isso, acabam faltando alguns componentes específicos para a finalização. 

Se você pudesse fazer um balanço, como ficamos com pandemia, disparada do dólar, etc?
Olhando para trás, hoje é mais fácil falar do que no meio do ano passado. Mas a grande verdade é que iniciamos 2020 com euforia, com um planejamento de ano muito forte. Aí veio a pandemia, aquela “escuridão”, com falta de previsibilidade. E aí aos poucos e o pesadelo não foi tão grande assim em termos de vendas. Para esse ano, já fizemos um plano mais pé no chão e tudo indica que será 100% materializado. 

Ducati Streetfighter
Streetfighter V4 no radar da Ducati para o Brasil (Arquivo)

Na sua avaliação, como será o ano de 2022 para a Ducati aqui no Brasil e no mundo?
Temos um cronograma de lançamentos bem importantes, entre dois e três produtos todos o ano para os próximos cinco anos. Será um enriquecimento do line-up, introduzindo novos modelos. Em outubro já teremos um lançamento e depois, para o final do ano,mais novidades. O próximo lançamento é a StreetfighterV4.

Quer complementar algo, fazer uma conclusão?
A gente vem enfrentando muita coisa diferente nessa pandemia. O que mais fizemos foi deixar as pessoas da equipe em primeiro lugar. A gente sabe que tem superprodutos, mas o mais importante foi pensar nas pessoas. Ficar em casa não é a mesma realidade para todo mundo. Tem gente com criança pequena, tem outros com idosos. Alguns funcionários só conseguiam trabalhar três, quatro horas por dia, em função desses fatores. E isso não foi um problema para nós. A empatia foi algo colocado em prática desde o início da pandemia.

Uma mensagem para o nosso leitor, que tem um perfil bem adequado para o tipo de produto da Ducati
A nossa mensagem é que a gente continua acelerando cada vez mais forte, acreditando nesse projeto incrível, que é ter a marca Ducati aqui no Brasil. Especialmente o setor de motos, que envolve muito a floresta amazônica. O fato de existir a Zona Franca de Manaus, já ajuda a preservar um pouco a floresta. Isso nos deixa entusiasmados com esse nosso segmento, já que as marcas estão quase todas lá. Vale lembrar que no ano que vem completamos dez anos de Brasil. E garantimos novidades incríveis para a frente, para todos os fãs e entusiastas da marca. Tenho certeza que o que vem pela frente em produtos é algo incrível. Quem tiver oportunidade de visitar alguma de nossas lojas, fica aqui o convite para as 15 operações no Brasil.

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