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Motos para todas as pessoas

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  • Publicado: 04/12/2009
  • Por: admin

<p>A vida, às vezes, reserva algumas dificuldades para as pessoas. Nesses casos, restam duas opções: desistir ou encarar os problemas e continuar obtendo conquistas. Com certeza, não é fácil, ainda mais quando alguém fica debilitado por ter perdido alguma parte de seu corpo por acidente ou doença. Além dos empecilhos de uma deficiência física, o valor cobrado, por exemplo, em um automóvel automatizado, fica em torno de R$ 40 000.<br />
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Essa seria uma alternativa aos portadores de necessidades especiais, porém, é uma quantia de difícil acesso para muitos. Em contrapartida, encontramos em motocicletas, devidamente adaptadas, uma solução viável e econômica para se locomover com independência pelas ruas. No entanto, as motos também podem realizar outro sonho e se tornam uma opção de lazer e até de sucesso profissional no esporte.<br />
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Um exemplo claro disto é o do gaúcho Anderson Alberton, de 28 anos.  Nascido sem a mão direita e parte do antebraço, Anderson buscou forças no motocross para superar os desafios. "No meu caso, é a vontade que leva a fazer esse trabalho. Se a pessoa quiser muito uma coisa tem de correr atrás para conseguir", explica o piloto. O gaúcho participa de competições do esporte há mais de 10 anos e, depois de um tempo afastado, voltou em 2002 com resultados expressivos.<br />
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Conquistando o título do Rio Grande do Sul de motocross, em 2008, Alberton terminou em 5º lugar no Campeonato Brasileiro de 2009 e tem grandes ambições para a próxima temporada. "Das oito etapas do Brasileiro deste ano, consegui fazer cinco holeshots. Se treinar mais e tiver uma estrutura, vou em busca do título no próximo ano", acrescenta Alberton, que compete na categoria CRF 230 do Brasileiro de Motocross.<br />
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Para obter esses resultados excepcionais, o piloto fez por conta própria alterações em sua motocicleta. Trabalhando como mecânico em Porto Alegre, RS, Alberton produziu um sistema em que utiliza embreagem, freio e acelerador na mão esquerda. Mas, quem acha que o envolvimento do gaúcho com as motos termina aí, está enganado. No dia a dia, ele utiliza uma moto de rua com as mesmas adaptações como meio de transporte. Só que devido a uma incoerência dos órgãos públicos, sua habilitação para motocicletas foi revogada durante a sua renovação de carta.<br />
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"Já entrei com um processo na justiça e tenho certeza que recuperarei a habilitação", disse Alberton, otimista com a situação. Essa determinação impressiona, entretanto, nem todos em sua situação tem o conhecimento necessário para realizar esse tipo de trabalho em uma motocicleta. E, do interior de São Paulo, surge uma alternativa.<br />
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Uma oficina localizada em Sertãozinho, próxima a Ribeirão Preto, SP, traz aos portadores de necessidades especiais uma oportunidade de conseguir a sonhada liberdade de locomoção. Com uma ideia que surgiu em meados de 1995, a princípio para ajudar amigos, tornou-se uma realidade bem-vinda aos deficientes. Recebendo o nome de Motor Gato, a adaptação transforma a motocicleta em um triciclo com eixo traseiro totalmente novo. O conjunto apresenta suspensão, transmissão diferencial, freios e carenagem.<br />
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"Escolhemos a Honda Biz e outras motocicletas similares por possuírem câmbio semiautomático, sem necessidade de embreagem. O projeto evoluiu muito, buscando robustez e confiabilidade. Os triciclos, hoje, podem transportar um piloto e um passageiro e passam por aprovação do Inmetro", explica Rodrigo Garcia, que realiza o trabalho junto ao seu pai, o "Negrão".<br />
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Existem dois tipos de adaptações feitas pela Motor Gato: uma com banco original, que custa R$ 4 250, e outra com  assento ergonômico, saindo pelo valor de R$ 4 550. Somando ao valor de uma Biz, cerca de R$ 5 000, o triciclo totalmente adaptado sai por menos de R$ 10 000. Isso equivale a menos de 1/4 do preço de um automóvel com câmbio automatizado, sem falar na economia que a moto proporciona com o passar do tempo, em relação ao consumo de combustível.<br />
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"O objetivo do triciclo é proporcionar mobilidade para pessoas com pouco ou nenhum movimento nos membros inferiores, por isso, realizamos mudanças nos comandos, substituindo os pedais de câmbio e de freio, que passam a ser acionados manualmente", acrescenta Garcia. Outra modificação ocorre no freio traseiro, que passa a ser acionado por uma alavanca à frente do assento, facilitando o comando.<br />
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Além disso, existe a inclusão do freio de estacionamento, possibilitando o veículo permanecer imóvel enquanto o usuário se transfere à cadeira de rodas, por exemplo. Ainda existem outras adaptações opcionais, como acomodação para muletas e, no caso do assento ergonômico, até mesmo cinto de segurança. Todo o processo de adaptações leva 30 dias para ficar pronto e, além da Biz, modelos similares como a FYM FY-100 10A e a Sundown Web podem ser utilizados.<br />
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"Nós prestamos um serviço ainda pouco conhecido pela grande maioria das pessoas. Muitas vezes, nossas adaptações trazem de volta o prazer de andar de moto, ou mesmo, dá pela primeira vez a oportunidade de guiar. O triciclo traz a independência ao usuário", finaliza Garcia.<br />
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<strong>Exemplo de vida</strong><br />
Para participar das competições de motocross, o piloto e mecânico, Anderson Alberton, realizou por conta própria as modificações em sua Honda CRF 230. No lado direito do guidão, fez um suporte para encaixar em seu corpo, enquanto na mão esquerda tem os manetes de freio embaixo e de embreagem, na parte superior.<br />
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"Gostaria de agradecer a todos que me apoiam, especialmente: Lauro Motos, Avtec, Bash, Bob Racing e Gemir Produtos Serigráficos", disse Alberton. No momento, o piloto gaúcho lidera o Campeonato Gaúcho de Motocross em sua categoria, em busca do bicampeonato. Alberton o conquistou no ano passado. </p>

<p><strong>Serviço</strong><br />
Motor Gato <a href="http://www.motorgato.cjb.net">www.motorgato.cjb.net</a><br />
Tel.: (16) 3942-3989 </p>

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