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ENTREVISTA: Orlando Leone

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  • Publicado: 27/11/2013
  • Por: admin

Motociclismo – A ANFAMOTO reúne associados de vários segmentos e a própria Montanna possui fornecedores nacionais e também do exterior. Em quais segmentos os produtos nacionais ainda podem evoluir e em quais eles já destacam em tecnologia e qualidade, inclusive em relação aos importados?

Orlando Leone – Esse é um ponto que sempre destaco. Antes de 1990 o país tinha uma política de importação absolutamente proibitiva. Uma restrição imposta com normas e métodos, que impulsionou o mercado informal. Quando na era Collor foi feita a abertura das importações, os consumidores brasileiros começaram a ver outras marcas. Digo sempre que a importação foi um diferencial para a indústria nacional que saiu do comodismo e procurou inovação tecnológica, mão de obra especializada e foi buscar competitividade. Hoje vejo o mercado mais amadurecido.

O produto nacional tem muito a evoluir, em todos os segmentos, mas para isso precisamos contar com as reformas políticas, desoneração da carga tributária, matéria prima com melhor qualidade, revisão das normas trabalhistas, desburocratização, investimentos pesados em infraestrutura, logística e diminuição do custo Brasil. Assim teremos uma condição mais justa de competir com os importados. 

M – Há alguma ação da ANFAMOTO no sentido de isentar, ou ao menos reduzir drasticamente, os impostos sobre equipamentos de segurança (capacetes, jaquetas etc..)? Em abril foi protocolado um pedido de isenção de ICMS para capacetes em São Paulo. Houve algum avanço em relação a isso?

OL – Sim, há e temos mantido contato constante com o Governo para acompanhar a questão. A ANFAMOTO tem feito uma série de contatos com políticos que vem trabalhando na isenção de alguns impostos sobre os equipamentos. Nosso mais recente contato foi com o Deputado Federal Severino Ninho, que tem um projeto tramitando na Câmara. Acontece que essa é uma matéria delicada. Sabemos que Minas Gerais saiu na frente nesse sentido e conseguiu a isenção. Porém quando se trata de um Estado como São Paulo já é mais difícil. São Paulo tem uma situação fiscal, hoje, totalmente sanada, devido a Lei da responsabilidade fiscal e dessa forma não tem como abrir mão da arrecadação. Porém o que a ANFAMOTO quer mostrar ao poder publico, e venho fazendo um trabalho intenso nesse sentido, é que arrecadamos cerca de R$ 14 milhões (número estimado por falta de informações oficiais) em ICMS só com o capacete ao passo que se gasta o triplo com internações e indenizações só em São Paulo com vitimas de acidentes envolvendo motocicletas e motociclistas. Estamos diante de um quadro alarmante, o número de motociclistas mortos em acidentes aumentou 18% em dois anos. Além disso, as estatísticas mostram que os que mais morrem são jovens entre 18 e 28 anos, ou seja, em idade produtiva. O país também perde com isso. Estamos aguardando um posicionamento do Governo Estadual.

M – E com relação às motopeças, os produtos produzidos no Brasil são competitivos no exterior ou a carga tributária ainda é um fator limitante para as exportações?

OL – Nosso nível de qualidade melhorou muito, hoje temos produtos no Brasil que são certificados e com qualidade muito superior aos importados.

Atualmente muitos são os problemas enfrentados pelas empresas nacionais, não só a carga tributária é a grande vilã, somasse a ela a burocracia aduaneira, a instabilidade cambial, dificuldade na obtenção de crédito, custo do frete internacional, gargalos logísticos, entre outras. Com todas essas barreiras o país e a indústria nacional perdem muitos negócios importantes.

Embora o governo nos últimos tempos tenha adotado medidas de incentivo a exportação, criação de algumas linhas de crédito ao pequeno exportador a indústria brasileira compete em situação de desvantagem em relação aos concorrentes internacionais.

Outro ponto que me chama atenção é a falta de conhecimento de instrumentos de apoio à exportação e a falta de uma cultura exportadora. A indústria nacional precisa de incentivos para cultuar essa prática. É inexorável o avanço da globalização, precisamos urgente de uma contundente política de exportação para equilibrarmos nossa balança comercial. 

M – Nos últimos dois anos a venda de motocicletas caiu substancialmente, exceto no segmento dito “Premium”. Qual foi o reflexo disso na venda de motopeças e equipamentos de segurança?

OL – O mercado de motocicletas não vem vivendo sua melhor fase. A queda nas vendas tem sido acentuada e vem sendo sentida ano a ano. Quando o mercado não está aquecido o segmento de motopeças, acessórios e equipamentos de segurança também é atingido. Evidentemente que quem mantém sua motocicleta em dia, faz manutenção principalmente dos itens de segurança, acaba consumindo esses produtos, por consequência a manutenção cresce num primeiro momento, porém não da maneira esperada pelo segmento. O mercado “Premium” está bem aquecido, vários lançamentos estão chegando e consequentemente aumenta a reposição dando abertura aos lojistas para esse mercado. 

M – A conscientização dos motociclistas em relação à utilização de equipamentos de segurança compensou de alguma maneira essa queda?

OL – O motociclista já traz no DNA a adrenalina, mas tem que ter responsabilidade. Ainda temos poucas campanhas enfatizando a utilização desses equipamentos como forma de salvar vidas. A ANFAMOTO tem para 2014 em seu planejamento uma serie de campanhas educativas e vai firmar parcerias com diversos órgãos públicos para a disseminação do uso desses equipamentos. Quanto mais protegido mais seguro. O segmento de peças é muito distinto do de equipamentos de segurança, são valores diferentes o que de certa forma compensa de forma discreta a queda. Ainda temos observado que alguns motociclistas começaram a voltar os olhos para os equipamentos que são certificados e que tem uma qualidade melhor, esse fator também movimenta a linha.

Acredito que os fabricantes de motocicletas deveriam estimular muito mais essas campanhas, para que os motociclistas invistam em equipamentos de qualidade. Bem como as autoridades também tem que se empenhar mais na fiscalização.

M – O senhor acredita que essa queda nas vendas de motocicletas é puramente uma questão econômica (especialmente restrição ao crédito), ou há outras razões que justifiquem esse desaquecimento do mercado? (falta de incentivo à utilização da moto, como motofaixas, por exemplo, má condição de ruas e estradas, exploração sensacionalista dos acidentes envolvendo motos, etc..).

OL – Na realidade a restrição ao crédito é a ponta do iceberg. O mercado de motocicletas teve seu boom, a ponto de se tornar um fenômeno, promovendo até a readequação no cenário urbano. A melhora na economia favoreceu o consumo, fazendo com que outros consumidores adquirissem a motocicleta, inclusive para utilizá-la como meio de trabalho. Esse boom trouxe para o Brasil os maiores fabricantes de motos, inflando o mercado e deixando como consequência a restrição de crédito, pois as financeiras não querem prejuízo e nem ficar com a essa conta para pagar.

Somado a tudo isso á uma certa tolerância institucional. Foi instituído um Código de Trânsito dito mais rigoroso e que ao mesmo tempo não há por parte das autoridades fiscalização adequada e nem tão pouco a parte educativa. Dessa forma quando falo sobre tolerância institucional, é que esses acidentes acabam caindo na fatalidade e são tolerados, às vezes tornando as vitimas desses acidentes praticamente os culpados pelo acidente. Hoje há uma inversão de valores, não há prevenção, só correção do fato consumado. Já dispomos de conhecimento, bons profissionais, tecnologia e ferramentas para construção de vias mais seguras, veículos também mais seguros e construção e remodelação do desenho da infraestrutura atual pensando no pedestre, no motociclista, no ciclista e inclusive campanhas de reeducação efetivas no trânsito. Esse tipo de campanha deveria começar na escola.

Um país que tem educação em vários níveis, de certo também proverá um futuro melhor onde teremos todas as esferas equilibradas. Hoje essas condições que citei interferem diretamente no mercado.

M – Notamos que os consumidores estão mais exigentes em relação à qualidade dos equipamentos de segurança que adquirem. O mesmo acontece com as motopeças? Falta uma maior regulamentação/padronização na qualidade dos produtos comercializados?

OL – Como mencionei em outra questão faltam realmente campanhas para esclarecer e incentivar o uso de produtos certificados. Estamos trabalhando fortemente nessa questão. Os equipamentos que já estão certificados como o capacete, por exemplo, realmente é fabricado dentro dos padrões de segurança e qualidade. Seguimos normas e todos os fabricantes produzem dentro de uma condição de igualdade. Falta sim regulamentação ainda para uma série de produtos. A ANFAMOTO se preocupa muito com essa questão. Dessa maneira temos mantido contato constante com o INMETRO e estão em fase de certificação produtos como coroa, corrente, pinhão e escapamentos.

Acredito que ainda é pouco, mas já estamos no caminho e fazendo com que as motopeças sejam inseridas mais rapidamente nos programas de certificação.

M – Qual é a expectativa dos associados da ANFAMOTO para 2014? As previsões são otimistas ou devemos ter mais um ano complicado?

OL – 2014 será um ano de desafios. Teremos a copa e depois as eleições. Vamos acreditar no desenvolvimento econômico e em políticas publicas que auxiliem o empresariado, na desburocratização e na desoneração da indústria, em elementos que favoreçam nossa positividade. Vamos encarar os desafios com coragem, força e trabalhar para promover mudanças efetivas em nosso País.

Nossa prioridade é continuar investindo no dialogo inovação, compromisso com nossos associados em ações que favoreçam continuamente o crescimento do mercado de motopeças.

Gostaria de lembrar também aos leitores que em 2014 será realizado o VIII Salão Nacional e Internacional das Motopeças.

M – Um dos grandes problemas que temos hoje diz respeito ao roubo e furto de motos. Uma questão de segurança pública, mas que afeta o setor como um todo. Essa questão está na pauta de conversas entre a ANFAMOTO e representantes dos governos?

OL – Essa realmente é uma questão muito delicada. Segundo o Jornal do Carro/Estado de São Paulo, entre os meses de julho, agosto e setembro os roubos e furtos de motos tiveram alta de 3,57%. Esse tema ganhou ainda mais destaque frente ao caso ocorrido em outubro passado, onde um PM interferiu no roubo da moto que foi filmado. Sabemos que os roubos de motocicletas de alta cilindrada são muito comuns, pois facilitam a fuga nos roubos. Mais uma vez é o motociclista que tem que se preocupar com a própria segurança, evitando locais de risco e de maior propensão a essas situações. Esse assunto está em nossa pauta de dialogo com as autoridades, pois temos um ciclo no roubo de motos que não são somente utilizadas em fugas ou para facilitar a prática da violência, mas também para abastecer o mercado clandestino.  As autoridades tem que agir em todas as pontas.

M – A Montanna é a maior distribuidora de motopeças do Brasil. Quais as principais marcas representadas e quais delas devem trazer importantes novidades em 2014? Para as grandes marcas internacionais de acessórios e equipamentos o Brasil é visto como um mercado indispensável e de enorme potencial, assim como é para as marcas de motocicletas?

OL – O Grupo Montanna conta com uma vasta linha de produtos e marcas representadas, o nosso diferencial é que nossos clientes encontram tudo em um só lugar. Esse ano o Grupo Montanna comemorou 25 anos de mercado. Visite nosso site e confira as novidades www.montanna.com.br.

As nossas marcas são: Maxx Exclusive e Maxx Premium, contando com uma grande variedade de peças para motores, acessórios e peças plásticas, para 2014 estamos contando com mais de 100 lançamentos, todos fabricados com a qualidade O&M, certificados e produzidos com os mais altos padrões internacionais de qualidade.

Distribuímos também na linha de capacetes a marca HJC, uma das mais conceituadas do mercado, tendo para lançamento em janeiro de 2014, capacete de carbono, sendo o mais leve do mundo e vários outros modelos, replicas inclusive Jorge Lorenzo.

Apesar da fase que vem vivendo o mercado de duas rodas e de acessórios se mostra mais amadurecido também mais forte. Quem ganha com isso é o consumidor

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