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  • 21/06/2022
Entrevista: Mariano Perez, novo General Manager da Motul no Brasil

9 Minutos de leitura

  • Publicado:
  • Por: Isabel Reis

Mariano Perez, novo General Manager da Motul no Brasil, tem uma larga experiência no mercado de motos e automóveis, além de competições.

O executivo argentino trabalhou durante 17 anos na Pirelli e recentemente aceitou os novos desafios na Motul, uma multinacional francesa, mas presente em praticamente em todos os mercados do mundo.

Entrevista com Mariano Perez, novo General Manager da Motul no Brasil

O executivo entra em um momento marcante, quando a Motul completa 30 anos de operações no Brasil. E as metas são grandiosas, como a de triplicar os resultados nos próximos três anos. A Motul internacional estaria focada na expansão da operação brasileira, que hoje representa menos de 5% do grupo. Em 2021, a companhia anunciou os planos de ampliar a diversificação do portfólio com aposta em produtos da linha de cuidados para motos, capacetes, automóveis e até bicicletas. Além disso, pretende elevar a produção local de maneira terceirizada e quem sabe até mesmo com fábrica própria no país, em um período de cinco anos.

Falamos com Mariano Perez para saber todos os detalhes desses planos. Você pode acompanhar a entrevista com o General Manager da Motul Brasil em vídeo e em texto:

Após 17 anos na Pirelli, o que te moveu a fazer essa mudança para a Motul?

Mariano Perez – A Pirelli é uma grande empresa e foi praticamente uma história de vida profissional. Mas resolvi assumir novos desafios, sair um pouco da zona de conforto. O fato de a Motul ter me escolhido foi um grande prazer. Afinal é uma multinacional com uma grande presença no Brasil e no mundo. Uma marca premium de produtos de alto valor agregado. E que também tem um forte DNA no segmento de competições (veja em Revista Racing), seja de duas ou quatro rodas. Um segmento que eu me identifico muito.

Entrevista com Mariano Perez, novo General Manager da Motul no Brasil
Mariano Perez é argentino e já atua no mercado brasileiro há 20 anos, especialmente com motos e carros (Foto: Divulgação)

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A Motul vai completar 30 anos no Brasil, este ano. Qual a sua principal missão neste momento?

Mariano Perez – É uma data super importante para nós. Trata-se de uma empresa francesa que não é produtora de básicos: somos uma empresa de formulação, de tecnologia e de inovação. A gente traz esses produtos para o consumidor. Tendo 30 anos aqui no Brasil, os nossos principais desafios envolvem aprimoramentos de nossa cadeia de distribuição. Estamos cada dia mais conectados com nossos mais de 25 distribuidores e ainda mais perto dos consumidores. Estamos cortando esse dinamismo de ser uma empresa B to B para ser uma empresa B to C, também. Com isso podemos trazer os produtos com posicionamento e preços ideiais para o consumidor. Outro grande desafio é em produção.

Como está a produção local do lubrificante 3000+ para motos de baixa cilindrada?

Mariano Perez – Até março do ano passado, 100% de todos os produtos da Motul eram importados. Nessa ocasião lançamos o nosso primeiro produto mineral, o 3000+, para motos de baixa e média cilindrada. Ele é fabricado no Brasil. E recentemente lançamos mais dois produtos para motos produzidos no país, o 5000+, que é semi-sintético. E temos o nosso primeiro produto para veículos de passeio de quatro rodas, também fabricado aqui.

Onde fica a fábrica da Motul?

Mariano Perez – A nossa fábrica é terceirizada e um parceiro faz esse “blend”, essa mistura, com nossos produtos de formulação francesa. As matérias primas são importadas e logo depois fazemos esse trabalho de blended, para chegar a produtos mais competitivos aqui no nosso mercado.

Como está a linha de aditivos? São produzidos no Brasil ou importados?

Mariano Perez – Atualmente a linha de aditivos mais famosa é importada. O único aditivo que estamos produzindo localmente é um cooler para arrefecimento.

Os demais lubrificantes para motos de maiores cilindradas ainda são importados? Aproveitando, a Motul está em quanto países no mundo?

Mariano Perez – Os nossos produtos para motos de altas cilindradas, como o 300V, continuam sendo importados. Temos presença mundial praticamente completa. Em mais de dez lugares no mundo nós preparamos a mistura, assim como no Brasil. E temos mais de 20 escritórios localizados na América Latina, Estados Unidos, Europa, Ásia… uma presença global.

Como é a atuação da Motul no setor de lubrificantes para automóveis, no Brasil?

Mariano Perez – Nessa área temos um produto lançado aqui e direcionado para maior economia de combustível, e para também para veículos com quatro ou cinco anos de uso. Somos uma empresa de alto valor agregado. Temos também linhas com maior tecnologia e inovação, com uma formulação homologada para carros premium. 

Vocês inauguraram um espaço premium em uma loja de motos. Qual é o objetivo e ficará só nessa loja ou essa pode ser uma estratégia maior, B to C?

Mariano Perez – Sim, a nossa estratégia B to C é muito forte e se está consolidando. Como já havia falado, estamos nessa transição de ser uma empresa B to B para B to C. Temos uma rede de distribuidores muito forte em todo o Brasil. É por intermédio desses parceiros estratégicos que conseguimos chegar ao varejo. E queremos estar cada vez mais perto desse varejo, como dessa oficina de moto, a Union, na cidade de São Paulo. Mas é um começo do nosso programa Motul Garage, tanto para motos como para automóveis. Ele irá nos aproximar desse canal de retail, seja oficina de carro ou de motos, autopeças, autoparts, autocentros. Queremos uma maior participação e são eles que irão apresentar a nossa marca ao consumidor. Até o fim do ano tentaremos trazer umas 200 ou 250 lojas trabalhando nesse formato de programa de fidelidade da Motul.

Entrevista com Mariano Perez, novo General Manager da Motul no Brasil
A Motul tem grande tradição no automobilismo e está sempre presente em Le Mans (Foto: Divulgação)

A Motul tem uma ligação muito forte com o automobilismo. Nos conte como é feito este desenvolvimento e como começou a ligação da Motul com as pistas?

Mariano Perez – A Motul tem historicamente uma ligação muito forte com o automobilismo. No final das contas o nosso produto 300V é super histórico, com grande presença no automobilismo mundial. Sem dúvida, falar de Le Mans é falar de Motul. Voltei recentemente de Le Mans: é uma sinergia de muitos anos de parceria. A Motul, por exemplo, ficou nos pódios de praticamente todas as categorias. Desde o hipercar e conquistando os primeiros lugares nas categorias mais relevantes. Com certeza o nosso produto 300V, que é o indicado para o mundo das competições.

E como é essa relação com o automobilismo no Brasil?

Mariano Perez – O nosso embaixador é o Nelsinho Piquet, em uma parceria que começou em 2021. Ele é um superpiloto, com uma força que nos ajuda a levar a nossa marca ao topo do mais alto nível. Temos uma estratégia muito consolidada nesse segmento. Ele atua mais na imagem do que em sugestões tecnológicas, até porque os nossos produtos de competição são desenvolvidos na França. Aqui no Brasil o Nelsinho atua mais como embaixador da marca e como nosso piloto, seja na Stock Car, seja nas corridas da Porsche, e no ano passado ele correu no Rally dos Sertões. E no próximo ano vai correr em Le Mans, na United Motorsports, que também é patrocinada pela Motul. Tem muito em comum entre o que o Nelsinho está fazendo e o que a Motul está procurando.

Entrevista com Mariano Perez, novo General Manager da Motul no Brasil
Nelsinho Piquet é embaixador da Motul no Brasil e deve correr em Le Mans no próximo ano (Foto: Divulgação)

Quais são as categorias de corridas no Brasil que a Motul tem mais ligação?

Mariano Perez – Não patrocinamos um campeonato, mas, sim, equipes que depois participam dos campeonatos. No caso da Stock Car estamos em conjunto com a equipe da Motul, do Nelsinho Piquet. Depois somos patrocinadores do Rally dos Sertões, onde também temos algumas equipes. E em competições de motos temos algumas equipes no Superbike, por exemplo. Temos equipes da KTM participando do Enduro ou no rali. 

Mesmo sendo Off Road, essas categorias também ajudam no desenvolvimento de produtos? É o mesmo tipo de lubrificante?

Mariano Perez – Sim, é o mesmo tipo. A gente sempre fala que vai do mundo das pistas para o mundo real. A Motul está presente no Dakar, atuando em dois times de MotoGP, que é o caso da Suzuki e Pramac Racing Ducati. Somos oficial partner do Mundial de Superbikes. Depois temos as equipes de Le Mans, do hipercar, utilizando Motul… tudo é um laboratório. Essa atuação ajuda a entender o que está acontecendo e como o seu produto está sendo utilizado em situações extremas, que depois vai obter o melhor resultado no dia a dia.

Entrevista com Mariano Perez, novo General Manager da Motul no Brasil
A Motul também tem uma forte presença no Mundial de Superbike, inclusive batizando o campeonato, cujo nome oficial é Motul FIM Superbike World Championship (Foto: Divulgação)

Gostaria de complementar esse bate-papo com mais alguma informação?

Mariano Perez – Queria destacar que a Motul é uma empresa com valor de marca muito forte. Respiramos o mundo do motorsport. Mas também queremos continuamente desenvolver produtos que atendam às necessidades do consumidor brasileiro. A gente aposta no Brasil. Somos uma empresa com produtos de alto valor agregado, tecnológico inovador e de qualidade para o nosso consumidor, seja ele de moto, de carro, de produtos marítimos, caminhões, máquinas, aditivos. Nós temos, por exemplo, linhas de cuidados para motos, de forma que o motociclista possa dar um bom trato na sua motocicleta ou no capacete. Temos uma gama de produtos com uma extensão muito interessante, que não é somente a de lubrificantes. Até mesmo para bicicletas.

Qual mensagem você gostaria de passar para os leitores da Motociclismo e da Racing?

Mariano Perez – A minha mensagem é: não desistir ou esquecer dos seus sonhos, porque sempre precisamos nos desafiar constantemente para conquistar o que a gente se propõe. Leitores, entusiastas do mundo de duas rodas ou de quatro rodas: aproveitem a vida, aproveitem o seu carro, a sua moto, porque isso faz a gente (que respira esse mundo) mais feliz. Apesar de todo contexto, devemos procurar ser felizes e buscar conquistar o que a gente quer.

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