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Crônica: Convivência é o que nos resta

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  • Publicado: 11/07/2016
  • Por: admin

<p>A convivência é o pós-venda. É o que resta de duradouro na relação. No começo tudo é paixão, todo cidadão quer namorar, ir ao cinema, passear no parque ao som de "Shiny Happy People", procriar e criar. Casam na concessionária quando a música da vitrola fica mais baixa, surgem os ruídos na relação, no motor, no câmbio e… No bolso.</p>

<p>Natural até então, mas a questão é como você lida com tudo isso depois que já colocou a "magrela" emplacada na garagem. Onde está o cerne da questão? Em duas partes: ELES e NÓS.</p>

<p><img alt="Se não conseguimos nem mudar o respeito ao consumidor em uma concessionária, o que dirá mudar o país!" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/motociclismo_pos_venda_2016_2_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p><strong>ELES:</strong> Você escolhe uma montadora, namora aquele modelo querido, dá umas voltinhas no parque, é seduzido pelo anjo da concessionária, e imagina que o casamento vai ser glorioso e cheio de rosas, certo? Errado! Muitas vezes, no Brasil, isso é conto de fadas que acreditamos quando estamos inebriados pelo cupido das duas rodas.</p>

<p>Este estado letárgico é incentivado por propagandas, campanhas românticas, ganchos com datas festivas, promessas de "aqui tudo é diferente", e por aí vai. Aí você casa e compra o motociclo, e, salvo exceções, tem contato com o lado selvagem da vida.</p>

<p>Canso de escutar casos sobrenaturais a respeito de revisões milionárias do Saci, descaso no atendimento da Mula-sem-cabeça, surdez do Boi-ta-tá perante a experiência do cliente, cegueira da Cuca para quem realmente usa a moto.<span style="line-height: 1.6em;">Mas calma, isso só acontece no Reino das Águas Claras de Monteiro Lobato? Não, é logo ali na esquina!</span></p>

<p>Sabe onde começa esta trapalhada do pós-venda? No umbigo do "bicho gente". Conhece a missão, visão e valores de uma companhia? Sim, aquela placa que fica escondida e vira paisagem nas recepções das empresas? Que fala em respeito ao cliente etc.</p>

<p>Pois bem, essa missão deveria ser desdobrada pelas camadas gerenciais e até operacionais da fábrica, chegando aos canais de venda, estar no sangue! Mas o que acontece é que em algum lugar, bem perto do bolso da calça e da vaidade do executivo de vendas esta mensagem costuma se perder. "Vamos bater a meta de vendas, porque depois de consumir a fruta, o caroço da ameixa não tem sabor gostoso e só dá trabalho para engolir".</p>

<p>Esse é o pensamento generalizado. Mas, as empresas são feitas de pessoas, que, por sua vez, consomem produtos de empresas, que são constituídas por outras pessoas com interesses, egos, vaidades etc. Percebem que aqui a cobra começa a comer o próprio rabo? </p>

<p><strong>NÓS:</strong> Permita-me virar o tabuleiro do jogo. Aceitamos tudo isso! <strong>E eu me incluo nesta turma.</strong> Temos uma parcela de culpinha também! Voltamos e compramos produtos da mesma marca e se bobear na mesma concessionária. Amigo, é como nossa mente funciona. A estrutura é igual só muda o contexto, desde como abordamos fatos políticos, votamos, aceitamos, até como lidamos com a compra de uma motocicleta.</p>

<p>Queria uma entrevista com "o gigante que acordou" meses atrás e anda sonolento. Minha primeira pergunta seria: caro enorme ser de muitas cabeças, <strong>como você quer mudar um país se não tem memória dentro da sua própria casa? </strong>Seja para votar, seja para comprar uma moto, os erros são assustadoramente semelhantes! E os problemas não estão nas respostas, e, sim, nas perguntas. <strong>Keep riding!</strong></p>

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