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Com cautela, marcas de motos falam sobre 2021

8 Minutos de leitura

  • Publicado: 03/11/2020
  • Por: Isabel Reis

As marcas de motos falam sobre as vendas em 2021, mas com certa cautela. Em resumo, as notícias não são ruins e há um certo otimismo em relação ao crescimento. Afinal, estamos há menos de dois meses de encerrar este difícil ano de 2020 e o mercado de motocicletas vem se recuperando da queda sofrida em boa parte do ano.

Sem dúvida, a moto usada para o transporte e o scooter, com seu amplo recurso de mobilidade, puxaram o setor para cima. Apesar que as motos mais caras também tiveram pouco (ou quase nenhum) reflexo de queda este ano. Mas o grande volume de vendas está no mercado de entrada, seguido pelo de scooter, e estes dois cresceram significativamente. Um pelo aumento do sistema de entregas por delivery e, o outro, pela procura do consumidor por uma opção urbana de mobilidade, que também o poupasse das aglomerações do transporte público.

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É com essa imagem mais otimista que caminhamos para 2021, após entrevistar três executivos de importantes marcas desses segmentos. Escutamos Alexandre Cury, diretor comercial da Honda, que destacou o grande crescimento da CG: sozinha ela representa hoje 30% do total de vendas do país, segundo o profissional.

Alexandre Cury, diretor comercial da Honda, fala de 2021 com cautela

Hélio Ninomiya, gerente de Marketing, Product & Sales Planning da Yamaha, considera que a marca pode crescer até 15% no próximo ano, mas que isso depende de inúmeros fatores.

Hélio Ninomiya, gerente de Marketing, Product & Sales Planning da Yamaha

Também ouvimos José Ricardo Siqueira, gerente nacional de marcas da Dafra. Este executivo se mostrou bem otimista, projetando um crescimento de até 50% para 2021.

José Ricardo Siqueira, gerente nacional de marcas da Dafra, prevê crescimento em 2021

As perguntas abaixo estão sendo respondidas por ordem alfabética do nome dos executivos:

Faltam dois meses para encerrar o ano de 2020 e os números de vendas indicam um resultado nem tão ruim para o mercado de motos. Como vocês estão avaliando 2021?

Alexandre Cury (Honda) – O mercado de duas rodas vinha em um ritmo de recuperação em 2019 e a previsão para 2020, no início do ano, era de 5 a 10% de crescimento nos resultados, uma vez que a demanda estava aquecida. Entre os meses de abril e junho, no entanto, as vendas foram impactadas devido à suspensão da produção por cerca de dois meses e a restrição das atividades nos pontos de venda, em consequência da pandemia do Covid-19. No entanto, os resultados de vendas em agosto, setembro e outubro desse ano já registraram recuperação, com emplacamentos superiores ao mesmo período de 2019. A retomada ocorreu de forma mais acelerada do que prevíamos e a nossa expectativa é que esse cenário positivo se mantenha durante 2021. Estamos otimistas, porém cautelosos e ainda não definimos um número para o próximo ano. Existem incertezas no ambiente econômico, como a situação fiscal do país e o alto nível de desemprego, e a própria pandemia, que ainda não foi superada, e que pode seguir impactando a vida das pessoas no próximo ano.

Helio Ninomiya (Yamaha) – O mercado de motocicletas teve uma recuperação mais rápida que outros segmentos. Em setembro, por exemplo, as vendas varejo foram 13% superiores ao mesmo mês do ano passado, enquanto no segmento quatro rodas, o resultado foi 11% inferior ao mesmo período. Com esse ritmo de vendas, a nossa projeção é de que para o ano de 2020, as vendas sejam de 900 mil motocicletas, portanto, com uma redução de 15% em relação a 2019. Para 2021, a nossa projeção é de uma recuperação no mercado total de motocicletas com um crescimento aproximado de 15% em relação a 2020, mas que pode ser influenciado negativamente por uma segunda onda de casos de Covid-19, da instabilidade fiscal e de uma alta no desemprego, que afetam diretamente a recuperação econômica.

A recém-lançada Yamaha MT 03 (Divulgação)

José Ricardo (Dafra) – O mercado de motocicletas reagiu de forma bastante positiva a mais uma crise. Considerando o cenário de fechamento do ano, com vendas em patamares próximos ao que planejávamos para um “período normal”, estamos projetando um crescimento de 50% para 2021.

Em 2020 os segmentos de motos voltadas para o trabalho e o da mobilidade foram os que mais cresceram. Dá para fazer uma projeção de quanto serão as porcentagens de cada um deles, até o final do ano?

Alexandre Cury (Honda) – A pandemia fez crescer a demanda de motocicletas voltadas para o trabalho, principalmente no segmento de entregas, e para a mobilidade urbana, dada a tendência de priorização de modalidades individuais de transporte, que evitam as aglomerações. A CG, o veículo mais vendido do Brasil, é um bom referencial para demonstrar essa realidade. O modelo é um dos principais veículos para trabalho e locomoção diária de milhões de brasileiros e no último mês teve uma participação de aproximadamente 40% das vendas totais da Honda e de 30% do total da indústria.

CG 160 deverá fechar o ano com aproximadamente 40% das vendas totais da Honda (Divulgação)

Helio Ninomiya (Yamaha) – Os segmentos de baixa e média cilindrada, que contemplam essa característica de uso de mobilidade e entregas, representam mais de 90% das nossas vendas.

José Ricardo (Dafra) – A Dafra não tem atualmente no seu line-up produtos que competem na entrada de mercado, portanto para nós a participação de vendas de motos voltadas para trabalho não é tão elevada. Podemos considerar que fecharemos o ano com aproximadamente 70% das vendas para mobilidade urbana e 30% para trabalho.

Em 2021 os segmentos de entregas e mobilidade voltarão a crescer ou foi algo localizado em 2020, em função do Covid?

Alexandre Cury (Honda) – Sem dúvidas, o segmento de entregas teve um crescimento expressivo e atípico esse ano em função da pandemia, que acelerou a tendência de mudança no comportamento de compra do consumidor que, com o avanço da tecnologia, já vinha migrando para modalidade on-line. É difícil prever como será 2021 em relação a demanda por serviços de entregas, até porque ainda não sabemos como será a evolução da pandemia no nosso país. O que é certo é que o e-commerce é uma tendência sem volta e que, no médio e longo prazo, essa modalidade de consumo irá crescer, e a motocicleta tem muito a contribuir nesse processo. Para o consumidor final ela possibilita o recebimento do produto com rapidez e baixo custo de frete. Para o empresário é um ativo fundamental para a eficiência da operação logística. E para o motofretista seguirá sendo uma ferramenta de geração de renda. Em relação à mobilidade, também vejo grande potencial. Cada vez mais pessoas têm reconhecido a motocicleta e o scooter como uma opção para o deslocamento diário, pela praticidade, agilidade e baixo custo, tanto nos grandes centros urbanos, para fugir do trânsito, como no campo, ou em cidades menores, onde dificilmente há infraestrutura de transporte público.

Helio Ninomiya (Yamaha) – Para o segmento de entregas, nós acreditamos que é uma mudança de comportamento que deve permanecer no futuro. A praticidade de receber em casa qualquer tipo de encomenda, é extremamente conveniente e está também atrelada ao crescimento do e-commerce e de aplicativos para entrega no mercado brasileiro. Outra tendência é em relação ao home office, que deve permanecer mesmo em uma situação pós-pandemia. Portanto, as pessoas devem continuar procurando por oportunidades de mobilidade que sejam práticas, convenientes e de custo mais baixo, já que não precisam se locomover tanto como antes. Sem mencionar, aqueles que querem evitar aglomerações e substituir o transporte público por um transporte individual e acessível.

José Ricardo (Dafra) – Acreditamos que a venda para entregas continue crescendo. Experimentamos uma aceleração forçada da dependência do e-commerce e isso não tem volta. Ainda devemos enfrentar um ajuste nas relações trabalhistas como consequência da pandemia, forçando também a mobilidade urbana, portanto a tendência é de que ambos os segmentos continuem com crescimentos importantes em 2021.

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Dafra Citycom HD: a nova geração de um dos scooters de maior sucesso do mercado brasileiro (Divulgação)

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Há planos de investimentos em novos produtos para o próximo ano? Em quais segmentos?

Alexandre Cury (Honda) – Seguiremos investindo continuamente no fortalecimento da nossa linha de produtos, com foco em oferecer a motocicleta ideal para cada perfil de cliente. Estão previstas diversas novidades em praticamente todos os segmentos em que atuamos, entre lançamentos inéditos e novas gerações dos modelos atuais. Temos uma estratégia de fortalecimento da marca no segmento de alta cilindrada, em que a motocicleta é voltada para a diversão e constitui um estilo de vida. Pretendemos também ampliar a nossa liderança do mercado de scooters, voltado para a mobilidade urbana e ainda sustentar a posição de líder absoluto entre as motocicletas de baixa cilindrada.

Helio Ninomiya (Yamaha) – Nossa política é de não comentar sobre produtos futuros.

José Ricardo (Dafra) – Acreditamos que toda a indústria tenha enfrentado algum atraso no desenvolvimento dos seus projetos previstos para serem lançados em 2020. Esses projetos tendem a ser postergados, acumulando-se com parte de outros que já estavam previstos para 2021, portanto entendemos que será um ano de grandes novidades. Para a Dafra não será diferente. Dividimos nossas estratégias nos segmentos de scooters e de motocicletas, uma vez que são mercados distintos, e em ambos planejamos apresentar novidades importantes.

Informações Isabel Reis, Motociclismo, Motor Mídia