Card image
Especiais
Coluna do Baubeta: maior fábrica da Honda no mundo fica no Brasil

3 Minutos de leitura

  • Publicado: 13/12/2019
  • Atualizado: 13/12/2019 às 22:19
  • Por: Ismael Baubeta

Com alguns pequenos retoques, reproduzo o texto sobre a fábrica da Honda que escrevi para o blog do Salão Duas Rodas, no qual tive o privilégio de manter uma coluna compartilhando notícias e palpites do mundo da moto. Este artigo mostra o quanto o Brasil é importante para a marca e como ela retribui aos colaboradores e sociedade.

Provavelmente você já saiba que a Honda é a maior fábrica de motos do Brasil, até aí nenhuma novidade. Agora, você talvez não saiba que a unidade fabril da marca em Manaus é sua maior unidade de produção de motocicletas no mundo e que o tamanho do “exército” de colaboradores ultrapassa as 5.500 pessoas, população que poderia ser atribuída a uma pequena cidade.

Linha de montagem da família SH da Honda, em Manaus (AM)

Veja também:
Honda motos comemora 10 anos da tecnologia Flex
Conheça os vencedores do Moto de Ouro 2019
Novidades da Honda mostradas no Salão Duas Rodas

O processo produtivo de uma motocicleta envolve muitas fases, uma quantidade enorme de componentes e é bastante complexo. Em muitos casos as fábricas recebem a maioria dos componentes para montar as motocicletas, outros elas produzem dentro do parque fabril, dependendo assim de fornecedores próprios e de terceiros, podendo criar gargalos na produção ou no controle de qualidade. Mesmo que as empresas fornecedoras pertençam à própria marca. 

Não é de hoje que o Brasil é importante para a Honda. Afinal, desde 1976, quando a marca começou a fabricar a CG 125, já se produziram na planta de Manaus mais de 23 milhões de motocicletas, número expressivo em qualquer lugar do mundo. Segundo a fábrica, depois dos investimentos realizados e que ainda vão acontecer (os últimos cheques vão totalizar 500 milhões de reais até 2021), a planta de Manaus, será a mais verticalizada fábrica da Honda no mundo, além de ser a maior deles no planeta. 

A verticalização nada mais é do que a prática de produzir mais componentes internamente, dependendo menos de fornecedores externos. Isto permite aumentar a produtividade e flexibilidade na produção e o nível de qualidade dos componentes, agilizando seus processos de produção e, caso necessário, correções e interferências rápidas nos componentes ou equipamentos além, é claro, de reduzir custos de produção e proporcionar menor dependência do dólar, no caso das peças que eram importadas.

Do complexo processo de fabricação das motocicletas a Honda com todo o investimento realizado até hoje (e que continuará até 2021) já produz internamente o chassi (e seus tubos) de vários modelos, boa parte dos componentes do motor, que inclui processos de moldagem, fundição, usinagem de alumínio, pintura e montagem (processos que estão sendo integrados no mesmo prédio). Além destes, outros processos importantes também são feitos dentro da planta, como a produção de rodas (de aço e de liga leve), escapamentos, guidões e tanques de combustível, inclusive com a soldagem e pintura. As peças plásticas que vestem as motocicletas também são produzidas na planta. 

A preocupação da fábrica japonesa não está somente focada na redução de custos e modernização de seus processos, há também grande preocupação com os funcionários e com o meio ambiente, prova disto são as novas instalações mais arejadas ou climatizadas, pensadas para melhorar a qualidade no ambiente de trabalho para os funcionários. O grande investimento realizado pela Honda também contempla o meio ambiente, nas novas instalações será mais bem aproveitada a luz solar e intensificado o reaproveitamento de água. 

A liderança de mercado que a Honda detém, com algo em torno dos 80% das motos vendidas no Brasil, poderia sugerir acomodação com a situação. Ledo engano. A verdade é que a Honda tem investido constantemente para, não só manter a liderança, mas também melhorar seus processos e estar pronta para responder às necessidades do mercado, que já a fez produzir mais de um milhão de motos ao ano, mas também serve de exemplo para outras fábricas instaladas na Zona Franca de Manaus (de todos os setores).