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Ayrton Senna e seu legado entre as motos

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  • Publicado: 01/05/2020
  • Atualizado: 05/05/2020 às 7:30
  • Por: Willian Teixeira

Ayrton Senna da Silva nos deixava há 26 anos, após sofrer um trágico acidente na curva Tamburello na sétima volta do Grande Premio de San Marino de 1994. Em 10 temporadas disputadas na Fórmula 1, o brasileiro acumulou passagens por quatro escuderias (Toleman, Lotus, McLaren e Williams) e sagrou-se tricampeão (1988, 1990 e 1991), com 41 vitórias, 65 poles e 19 voltas mais rápidas.

Os números certamente indicam que Senna é um dos melhores que já passou pela principal categoria do automobilismo mundial. Mas você sabia que ele também era um entusiasta das motocicletas?

Ayrton Senna do Brasil
Ayrton Senna: tricampeão também era um grande entusiasta das motocicletas (Norio Koike)

Isso mesmo, durante sua vida o brasileiro foi visto inúmeras vezes usando-as para se deslocar durante as corridas pelo Brasil e no mundo, além de construir relações com figuras importantes da indústria das motos e de ganhar alguns modelos em sua homenagem. Reunimos algumas motos que demonstram a ligação do inesquecível Ayrton Senna com as máquinas de duas rodas. Confira:

Ao pole, uma Vespa!

Na década de 1980, a Piaggio instituiu o Vespa Pole Position Trophy, ação em que a fabricante presenteava os pilotos da Fórmula 1 que conquistavam a pole position de cada GP com uma Vespa. Durante sua carreira, Ayrton levou para casa mais de 50 motonetas da fabricante italiana.

Aproveitando esse gancho, em 2014, o Instituto Ayrton Senna promoveu o leilão de uma Vespa PX 200 customizada por Alan Mosca, filho de Sid Mosca, o designer que idealizou a icônica pintura do capacete do tricampeão. A motoneta foi pintada nas cores do famoso casco amarelo com as faixas azul e verde, e o valor arrecadado foi revertido para o instituto.

Vespa do Ayrton Senna
A Vespa leiloada em 2014 pelo Instituto Ayrton Senna (Reprodução/Instituto Ayrton Senna)

Relação intensa com a Honda

Senna e Honda possuem uma das parcerias de maior sucesso da Fórmula 1. A relação entre os dois começou em 1987, quando a Lotus, sua equipe da época, trocou os motores Renault pelos propulsores japoneses. Naquele ano, o brasileiro foi ao pódio em oito ocasiões, conquistando duas vitórias.

Porém, os melhores momentos dessa relação aconteceram na McLaren, onde Senna obteve seus três títulos, em 1988, 1990 e 1991, todos com o motor da marca japonesa. A união entre Senna, Honda e McLaren rendeu 30 vitórias em 80 corridas, com 45 poles positions, 48 pódios e os três títulos em 5 temporadas disputadas.

O piloto foi visto em diversas oportunidades com motocicletas da fábrica da Asa. No Brasil ele costumava utilizar, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, a trail Honda NX 150. Ela foi lançada no país em 1989 e teve como principal novidade a partida elétrica, recurso pouco comum nas motos oferecidas por aqui.

Senna em um rolê com sua Honda NX 150
Senna com sua Honda NX 150 (Reprodução)

Ayrton e as Ducatis

Consolidado na Fórmula 1, Senna foi sondado inúmeras vezes por dirigentes da Ferrari para correr pela escuderia, algo que nunca se concretizou. E o brasileiro estabeleceu uma boa relação com os italianos, tanto que acabou se tornando amigo pessoal de Claudio Castiglioni que, na época, era um dos altos executivos da Ducati. Inclusive ele foi presenteado com uma Ducati 851 Desmo, modelo que acendeu a paixão do brasileiro pela moto.

Senna e Sua Ducati 851 Desmo
Senna “dando um talento” em sua Ducati 851 Desmo (Norio Koike)

Outro momento que mostra a relação do brasileiro com a Ducati é retratado no documentário Senna, de Asif Kapadia, onde, em uma cena, há imagens do brasileiro transitando pelas ruas de Mônaco em uma Monster, levando sua então namorada, Adriane Galisteu, na garupa.

Em 1994 a casa de Borgo Panigale lançou a 916, que logo dominou o Mundial de Superbike, nas mãos do britânico Carl Fogarty. Senna viu a máquina na época de seu lançamento, e chegou a sugerir alguns incrementos na moto. E no final do ano em que aconteceu o acidente que vitimou o brasileiro, a casa de Borgo Panigale apresentou a Ducati 916 Senna, primeira motocicleta em homenagem ao tricampeão.

Ducati 916 Senna
Ducati 916 Senna foi concebida com melhorias sugeridas pelo ídolo brasileiro (Divulgação)

Trata-se de uma série especial com produção limitada a 300 unidades, desenvolvida com base na 916 e dotada das melhorias sugeridas por Senna, como a fibra de carbono para reduzir o peso e a inconfundível pintura cinza e preta com as rodas em vermelho vivo. Seu motor de 916 cm³ de capacidade é um bicilíndrico em L com comando desmodrômico e injeção eletrônica, que entregava 114 cv de potência máxima a 9.000 rpm e torque de 9,17 kgf.m a 7.000 rpm. O assento único demonstra sua vocação para as pistas, e entre seus diferenciais estão o subchassi em alumínio, amortecedor Öhlins e discos de freio dianteiros flutuantes.

Em 2014, ano que completou 20 anos de sua morte, o brasileiro ganhou uma nova versão em sua homenagem a 1199 Panigale Senna, motocicleta exclusiva para o mercado brasileiro. Sua produção foi limitada a 161 unidades, mesmo número de provas disputadas por nosso tricampeão na Fórmula 1.

Exclusiva para o Brasil, 1199 Panigale Senna teve 161 unidades produzidas (Divulgação)

Ela é uma versão da S Tricolore melhorada, e tinha o motor Superquadro de dois cilindros em L de 1.198 cm³ com refrigeração a líquido e comando de válvulas desmodrômico. O propulsor entrega 195 cv de potência a 10.750 rpm, e torque máximo de 13,4 kgf.m a 9.000 rpm. Todas foram comercializadas por R$ 100.000, e parte da renda foi revertida para o Instituto Ayrton Senna.

Tributos de Varese

Ayrton também recebeu homenagens de outra italiana de peso, a MV Agusta. A Casa de Varese desenvolveu duas motocicletas em sua homenagem, ambas criadas por determinação de Castiglioni. A primeira nasceu em 2002: uma edição especial da F4 750 Senna, cuja parte da verba arrecadada com suas vendas foi para o Instituto Ayrton Senna.

MV Agusta F 750 Senna

Ela é baseada na versão SPR de alta especificação da F4, usando o mesmo motor e chassi, com um esquema especial de cores em preto e vermelho e placa numerada em prata. O motor SPR tem limite de rotações mais alto, produzindo impressionantes (para a época) 148 cv. Pistões mais fortes e um virabrequim especial permitem rotações mais altas. Muitas peças do chassi foram substituídas por peças mais leves de fibra de carbono.

A F4 750 Senna tem motor com 749 cm³ de quatro cilindros em linha que entrega potência máxima de 140 cv a 12.600 rpm e torque de 8,3 kgf.m a 10.500 rpm, além de muita tecnologia embarcada.

A segunda é ainda mais invocada e chegou a ser vendida no Brasil: a F4 1000 Senna, que é uma série especial da esportiva F4. A motocicleta era feita com materiais nobres, como fibra de carbono, titânio e magnésio. Na carenagem frontal destacam-se dois faróis sobrepostos.

F4 1000 Senna: 4 delas vieram ao Brasil (Divulgação)

Para mover a máquina, um motor de 998 cm³ de quatro cilindros em linha refrigerado a líquido, que entrega 174 cv de potência máxima a 11.900 rpm, e torque de 11,3 kgf.m a 10.000 rpm. Um dos seus diferenciais é a presença do amortecedor Sachs Racing, da mesma família dos utilizados na Fórmula 1. A esportiva teve apenas 300 unidades produzidas, e somente 4 foram importadas para o Brasil. Na época de seu lançamento o preço era de “apenas” R$ 139.400, definitivamente uma máquina exclusiva.

Essas são apenas algumas das inúmeras motos que possuem ligação com nosso inesquecível Ayrton Senna. Se lembrou de alguma que poderia estar nessa lista? Conta pra gente nos comentários!