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Atacama: o primeiro grande destino dos motociclistas brasileiros

6 Minutos de leitura

  • Publicado: 24/12/2020
  • Por: Alexandre Nogueira

O deserto do Atacama costuma ser o primeiro grande destino de todo motociclista. E quanto mais próximo ao deserto, no norte do Chile, mais interessante a expe­dição se torna. Partindo de São Paulo, são neces­sários quatro longos dias de deslocamento para se chegar à região de Salta, no norte da Argentina, ponto onde a viagem começa a ganhar mais atrativos.

Salta – Cafayate | As rochas e o vinho

Antes de cruzar a cordilheira desviamos sentido sul pe­la ruta 68 para Cafayate. O destaque nesse roteiro é a natureza rochosa da região, formada por vários cânions e formações espetaculares, como o Anfiteatro e a Gar­ganta do Diabo, por onde caminhamos entre seus pare­dões imensos. No caminho há também vários locais sim­páticos e coloridos para o turista almoçar ou lanchar produtos da região.

Texto e fotos: Tom Pederneiras
Edição: Alexandre Nogueira

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O caminho segue sinuoso e pitoresco em um tre­cho sem trânsito e perfeito para pilotar aproveitando ca­da curva. Cafayate é uma cidade da provincial de Sal­ta, importante região produtora de vinhos na Argentina, onde há possibilidade de hospedagem dentro das vinícolas. O centrinho é cheio de opções de museus, da produção de vinho a restaurantes, para degustá-los e comer uma boa carne.

Cafayate – Tilcara | A floresta e a história

Depois de uma noite bem dormida entre as parrei­ras, voltamos pelo mesmo percurso explorando a re­gião. Uma opção seria subir a ruta 40 por terra pas­sando pela inusitada Quebrada de Las Flechas com suas formações em diagonal e por Cachi. Passamos por Salta novamente e seguimos ao norte por uma es­trada muito estreita e praticamente sem retas, chama­da La Cornisa. A estrada é turística e cruza uma flores­ta ligando Salta a Jujuy. De lá seguimos para Tilcara, o maior centro arqueológico do norte da Argentina, a ci­dade tem uma arquitetura típica do Atacama com ca­sas de adobe e o há artesanato por todos os lados. Ali são sediadas muitas festividades tradicionais, em es­pecial o carnaval. É possível também visitar o Pukará de Tilcara, uma fortaleza pré-colombiana com pirâmi­des dentro de um deserto de cactos gigantes, lo­cal capaz de nos transportar no tempo.

Tilcara – São Pedro | A cordilheira e o salar

Num dia incrível do tour saímos preparados para o frio da Cordilheira dos Andes. A subida é feita por curvas fechadas, caminhões lentos e algumas falhas no pavi­mento que requerem atenção do piloto, mas ainda as­sim a diversão é garantida. Logo chegamos ao marco do ponto mais alto da travessia com 4.170 metros, depois cruzamos a aduana para entrar no Chile. Para­mos para o almoço em Pastos Chicos, onde matamos a fome e o frio da Estrada, depois seguimos para Sa­linas Grandes. O salar é cênico, no alto da montanha com estátuas gigantes de sal, lá o mar branco some no horizonte e rende muitas fotos criativas. O deslocame­nto total nesse dia foi de 450 km, praticamente todos em altitude e o visual é de tirar o fôlego. A cada hora tudo muda e vimos novas composições coloridas de terreno, montanhas, lagos e animais entre as moitas amarelas e espaçadas, clássicas do deserto.

O vulcão Licancabur marca a chegada a São Pedro, na parada para fotos todos comemoram a chegada ao destino, seu pico nevado será visto no horizonte em toda expedição. A cidade tem uma farta opção de gastronomia, desde petiscos e “una cerveza” a menus elaborados.

Atacama – Lagunas e por do sol

São Pedro foi nossa casa durante dois dias e aproveita­mos para pilotar pelas redondezas. No primeiro dia, fo­mos no sentido sul para visitar as Lagunas Altinplânicas, depois de cem quilômetros chegamos ao primeiro trecho off­-road do tour, que, apesar de ter apenas cinco quilômetros, escon­de alguns bancos de areia capazes de derrubar os de­satentos. Tombinhos na areia que viram histórias para rir mais tarde. Vencido o desafio, o visual mais tradicio­nal do deserto se agiganta à nossa frente, o azul do céu e o paredão de montanhas nevadas ao fundo se refle­tem na lagoa cristalina em uma cena inesquecível. Mais alguns me­tros adiante a Laguna Miñiques traz mais um pouco da beleza dos extremos do deserto.

Na volta, o almoço é uma típica sopa com galinha, em Toconao, no paradouro San Santiago, antes de visitar a Laguna Cejar. A Laguna salubre nos convidou para um banho e ao entrar na água gelada o viajante se surpreen­de ao perceber que é impossível afundar devido à densi­dade provocada pelo sal, e vale a contemplação durante o banho com os pés e braços para fora d’água. O corpo fi­ca branco de sal, mas há duchas no local para se lavar. A tarde avançou e seguimos para a Piedra del Coyo­te onde vimos o primeiro por do sol no Atacama sobre o vale recortado pelas formações rochosas, lugar espe­cial para nosso brinde.

Atacama – Gêiseres e o deserto

Madrugamos para visitar os Gêiseres de El Tatio, que fi­cam a 80 km de San Pedro. A atividade vulcânica acon­tece ao amanhecer com temperaturas negativas, então, optamos por um tour de van com um guia local. O café da manhã é feito lá no meio do nada e dos va­pores que brotam do chão, na sequência, visitamos as Thermas de Puritana para um banho nas águas quentes.

De lá seguimos pelo vale repleto de rebanhos de guanacos e vicuñas até o povoado de Machuca, onde vivem descendentes de povos pré-colombianos e apro­veitamos para comer espetinhos de carne de lhama e pastel de queijo de ovelha. O tour continuou todo por terra passando por belíssimos lagos com flamingos e paisagens ímpares. Na tarde livre curtimos o centrinho de San Pedro, uma esquina do mundo onde aventureiros vem de todos os canto do mundo para explorar o deserto, fazendo parte do visual aventureiro da cidade.

No final da tarde o pôr do sol é no Vale da Lua, onde a depressão sem fim parece o terreno lunar. De volta à cidade jantamos e fizemos um interessantíssimo passeio para ver o céu noturno do deserto do Atacama, que, por ser o local mais árido do mundo, tem o céu muito lim­po. Alí se concentram vários observatórios astronômicos.

São Pedro – Salta | Paso de Jama

Chega o dia da volta e levantamos acampamento já com saudade da cidade que nos acolheu por tantas noi­tes. Café da manhã reforçado, segunda pele no corpo e equipamento de frio para a volta gelada pela Cordilheira. Mesmo durante o verão é comum enfrentar temperatu­ras negativas na montanha, no nosso caso foram -2ºC.

O cenário surpreende sempre! Mesmo já tendo passado por lá, basta olhar por um novo ângulo para se encantar novamente. É o caso da descida do Pa­so de Jama, que visto do alto, revela sua infinidade de curvas entre pedras e cactos gigantes. A foto é obriga­tória e resume o tour sobre duas rodas pelas curvas e belezas dessa região única do mundo. Após a descida retornamos a Salta onde come­moramos a viagem em uma boa parrilla com direito a deliciosos cortes de carnes e vinhos argentinos. Mais tarde aproveitamos um pouco da animada vida no­turna Salteña.


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