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A primeira viagem de moto, exercício de confiança

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  • Publicado: 26/08/2016
  • Atualizado: 26/08/2016 às 19:08
  • Por: admin

<p>Lady na garupa. Sentia seu corpo no meu — era tudo o que eu queria naquele momento:<strong> viagem, vento, contato, duas rodas</strong>. Contra o vento a saia revoava, mostrando centímetros a mais de sua perna. Estávamos a caminho de Campos do Jordão, interior montanhoso paulista. </p>

<p>As nuvens estavam baixas, o que gerava muita neblina e transformava a serra em uma poesia branca. Lady me abraçava tentanto aplacar o frio da serra, o que era praticamente impossível inclusive dada a constituição da moça. Magra e friorenta. E por mais que eu fizesse escudo do vento, não tinha como não sobrar ar em movimento para ela. Ventania, ventania. E <strong>a subida era cada vez mais gélida.</strong></p>

<p>Duas semanas atrás, recordo que <strong>a primeira vez que cogitei em viajar de moto com ela foi como se propusesse que a queimasse na fogueira do inferno</strong>. Milhares de receios e aquela insegurança típica de quem nunca andou em um veículo que parado não se mantém em pé, juntando tudo isso às recomendações apavorantes da mãe de que <strong>“moto é perigoso”.</strong></p>

<p>Depois de uma certa insistência e alguns quilômetros de asfalto, percebia pelo toque e pelo comportamento que algo magicamente havia mudado. Sim, rápido assim, interjeições dela como “uhu”, “uau”, completavam a minha certeza de que ela estava começando a entrar no espírito, a relaxar e a aproveitar quase tudo o que uma viagem de motocicleta pode proporcionar.</p>

<p><img alt="Os terapeutas e psicólogos poderiam recomendar a pessoas inseguras que viajem mais de motocicleta" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/motociclismo_indian_chieftain_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p>Curvas em frente e, magicamente, Lady fazia o movimento certo como garupa. Também já havia achado a posição ideal para sua cabeça, evitando, assim, o “tuc-tuc” da batida de seu capacete no meu,<strong> coisa que julgo um tanto irritante.</strong><br />
Tudo foi se acomodando naturalmente. Paramos em um bar de beira de estrada para nos hidratarmos, e logo quando ela tirou o capacete vi seu sorriso estampado no rosto. Ela nem precisou falar nada. <strong>Só me olhou com uma feição de gratidão, o que já fez valer a viagem.</strong></p>

<p>Seguimos por mais alguns quilômetros e chegamos ao nosso destino. Foi quando surpreendentemente ela me disse algo que às vezes as pessoas demoram a concluir: “O percurso valeu mais a pena do que a chegada. Obrigada! Foi um exercício de segurança e uma experiência única de viajar.”</p>

<p>Não precisa dizer que fiquei extremamente orgulhoso de todo o processo que em poucas horas passamos e me fez lembrar de um exercício muito comum no mundo corporativo, no qual uma pessoa fica em pé de costas na frente da outra, e larga o corpo confiando que a outra atrás irá ampará-la, sem deixá-la cair e se machucar no chão<strong>. Me senti como essa pessoa,</strong> que amparou a improvável queda, <strong>aumentando seu nível de segurança nas pessoas.</strong></p>

<p><strong>Keep riding!</strong></p>