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A falta que ela me faz!

2 Minutos de leitura

  • Publicado: 15/06/2015
  • Por: admin

<p>Dez mil metros de altura, quinhentas milhas por hora, menos quarenta e muitos graus Fahrenheit lá fora, três mil, duzentas e muitas milhas para pousar em Nova York e pegar conexão para São Francisco. A aviação pode ser o mais rápido meio de transporte disponível, mas é tão chato quanto ler as informações acima. E cá estou eu sentado no meu cubículo virtual na classe econômica, esmagado pela senhora à minha direita, com uma criança "bomba-relógio" à minha esquerda, e tudo isso embrulhado por um ruído de turbina constantemente irritante. Meia hora nessas condições e já lembro da minha baixinha e gorducha de duas rodas. Coisas mais pesadas do que o ar deveriam ficar no chão, ou melhor, na estrada, de preferência sobre duas rodas.</p>

<p>As saudades vão aumentar… A criança ao lado acordou e está me olhando enquanto, encolhido, digito este texto no iPad. Fico vigiando o pequeno ogro com minha visão periférica. <span style="line-height: 1.6em;">Já começo a sentir falta de pegar a estrada de moto embaixo de uma tempestade, quando os únicos que tentam me espreitar de perto acabam esmagados na viseira do capacete. Olho para o pequenino ao lado e o imagino com um corpo de inseto… Na viseira.</span></p>

<p>Aqui neste confinamento voluntário, valorizo a belezinha de metal que deixei no Brasil. Seja ela qual for, de monociclo a superbike, tudo fica extremamente melhor. Ah, que falta que ela me faz! Por favor, Senhor, conceda-me uma estrada, uma tempestade com raios a noite! Eu troco já! <span style="line-height: 1.6em;">O inseto com cara de criança ao meu lado fala, mas prefere gritar! Guin­­­cha como um alienígena faminto e ameaça regurgitar no meu colo e, bem ao lado, mamãe inseto ri e acha que eu estou adorando tudo isso.</span></p>

<p><img alt="" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/texto222_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p>Tento assistir um filme na tela de cinco polegadas do encosto da poltrona à frente, mas o capitão falando em inglês dialético insiste em fornecer informações inúteis a cada dez minutos sobre fatos idiotas do voo. "Leidis an gentouman, &@!$ now passim ouver Rio &$*@#¥ sitibeltis, arraundi for digris farenrraites", e pronto! Lá foi pro saco a sequência do filme. <span style="line-height: 1.6em;">Veja bem, senhor Deus, VEJA BEM, minha proposta final: uma maldita estrada de terra, com a tempestade de granizo, um ciclomotor verde-limão sem gasolina, com os pneus furados, no meio da Rota 66!? Abro a escotilha e pulo já neste doce pesadelo assim que receber o seu sinal.</span></p>

<p>E o mais dramático de toda esta história, é que eu sou incapaz de dormir durante voos. Chego um caco e com a retina impressionada por aquele aviãozinho que nem se mexe sobre o mapa-múndi da telinha. Certa vez fiz uma viagem de Sao Paulo a Brasília de moto rodando um dia inteiro. Cheguei cansado, suado, mas feliz na capital federal. Amanhã vou chegar seco, limpo, irritado e surdo… E, possivelmente, com a orelha da criança na bagagem de mão.<br />
Nota mental: visitar uma concessionária assim que chegar em São Francisco e contemplar as motocicletas como se estivesse olhando um feliz álbum de família. Ah, que falta ela me faz!</p>

<p>Keep riding!</p>

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