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Competições
Yamaha leva garotos ao mundial de superbikes

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  • Publicado: 16/12/2020
  • Por: Ismael Baubeta

A Yamaha convidou a Revista Motociclismo para fazer a última etapa, da Yamalube R3 bLU cRU Cup, em Goiânia, entre os dias 12 e 13 de dezembro.. Eu fui representar a revista e tive o privilégio de participar e conhecer a enorme estrutura montada para essa garotada que tem um futuro promissor na motovelocidade. Além da experiência incrível, foi a realização de um sonho, afinal sempre quis competir em equipe de estrutura profissional, foi emocionante.

O que um editor de revista especializada tem que fazer no grid das duas últimas corridas de uma categoria como a Yamalube bLU cRU R3 Cup? Tudo o que for possível para tentar explicar o trabalho que os profissionais envolvidos realizam para treinar os pilotos, e traduzir a emoção que essa garotada está sentindo com a possibilidade de seguir carreira no exterior com a mesma estrutura que têm aqui. Antes do início da temporada eu já havia falado um pouco sobre quão grande e cheia de potencial é essa categoria, para ler é só clicar aqui.

EQEQUIPE YAMAHA R3 Cup AD78SPORS
Os responsáveis técnicos e mecânicos pela Yamalube bLU cRU R3 Cup (Divulgação)

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E para comprovar o sucesso e equilíbrio da Yamalube bLU cRU R3 Cup, nas oito primeiras etapas do campeonato foram oito vencedores distintos e o campeão da temporada ainda não estava definido. Turquinho Jr. tinha a vantagem numérica, mas outros três aspirantes ainda tinham chances matemáticas, o vice-líder Fábio Florian, Gustavo Manso e Caíque Lanna, respectivamente. Após a etapa de Goiânia, tivemos a confirmação de Turquinho como campeão da Copa R3 (para pilotos mais jovens), enquanto na categoria R3 Pro (voltada a pilotos mais velhos) quem ficou com o título foi Rafael Rizada. Turquinho e Florian levaram uma premiação que lhes garantiria boa parte do valor da inscrição para a Copa Yamaha R3 europeia.

MOTOS YAMAHA R3 CUP
A igualdade nas motocicletas não é só visual, a prova é que em dez provas foram dez distintos vencedores (Divulgação)

Na sexta-feira, chegando ao autódromo vi os boxes decorados com todas as motos perfiladas e prontas, já vestidas com a carenagem com o número dos pilotos que as iriam acelerar, já que são sorteadas na quinta-feira, para não haver qualquer tipo de suspeita.

Foi meu primeiro contato com a R3 preparada para pista e também com o circuito de Goiânia, já que nunca havia acelerado ali. O primeiro treino quase foi abortado por conta das condições da pista, havia chovido e o traçado não estava completamente seco, mas conversando com o mentor Alan Douglas, decidimos sair com pneus de chuva para rodar conhecer a pista, mas assumindo menos riscos.

ISMAEL BAUETA NA R3 CUP
Eu com a moto #65, reconhecendo a pista e conhecendo a garotada. É lindo vê-los acelerar de dentro da pista e dividi-la com eles! (Divulgação)

Saí reconhecendo posição de pilotagem, câmbio, freios, mas principalmente tentando decorar o traçado e observando os garotos quando me passavam. É lindo vê-los em seu território digladiando-se, todos com estilos autênticos de pilotagem agressiva e precisa, percebo que a única coisa que eles têm na cabeça é a obstinação por andar cada vez mais rápido, afinal o futuro como piloto depende do resultado ali na pista. Já eu tenho tempo para pensar na família, nos boletos e até nas obrigações da segunda-feira, mas não deixa de ser superdivertido.

As duas seções de trinta minutos de treinos livres na sexta-feira funcionaram para me dar uma ideia de como é preciso treinar para se acostumar com o esquema todo. Você pode pensar que uma moto de 321 cm³ não deve ser tão difícil de pilotar, mas a verdade é que elas andam muito bem, no final da longa reta do autódromo de Goiânia elas chegam a pouco mais de 180 km/h e para ser rápido é preciso andar lançado e sempre com o giro do motor lá em cima! É fácil! Só que não. Um dos bons exemplos é a curva um, onde a garotada freia, tira uma marcha e mergulha na curva acelerando, é lindo de ver, já de fazer.. É preciso muitos quilômetros de treino, coragem e bastante audácia, virtudes que todos os garotos parecem ter.

GRID DE LARGADA YAMAHA R3 CUP
Grid da Yamalube bLU cRU R3 Cup sempre cheio (Divulgação)

A Yamaha convidou mais um piloto para curtir as emoções da corrida: Wellington Garcia, onze vezes campeão brasileiro de motocross. E foi com ele que eu fiquei andando durante todo o final de semana. Depois da corrida de domingo nós batemos um papo e, nesta conversa, deu pra ver como ficamos empolgados com a prova!

No sábado o Vitor Reis, responsável pela telemetria da R3 Cup colocou o laptimer em minha moto para mostrar o trabalho que faz com os pilotos, gravando minhas voltas para depois comparar a melhor com a do mais rápido do dia. Um gráfico que permite mostrar e comparar as diferenças nos diversos pontos da pista de minha volta com a do piloto mais veloz. Com isso ele pode sugerir mudanças na pilotagem, seja para arriscar mais nas frenagens, tentar outro traçado ou contornar determinada curva em outra marcha para ganhar velocidade.

Assim como Vitor na telemetria, Gian Calabrese e Ricieri Luvizotto são os coaches de pista que o campeonato oferece para ajudar os pilotos em seu desenvolvimento.

PRIMEIRA CURVA YAMAHA R3 CUP
Primeira curva sempre é muito disputada. Foto: Divulgação.

Segui para o grid da primeira corrida lá na penúltima posição, a meu lado o Wellington, eu estava tão longe das luzes vermelhas que tinha que ficar mexendo a cabeça para enxergá-la. Já podia sentir a pulsação do coração no pescoço, mas quando as luzes se apagaram larguei bem e consegui fazer algumas ultrapassagens na longa reta, aproveitando o vácuo da galera, mas na frenagem da curva um, os mais experientes mergulharam mais rápido e acabei perdendo posições, mas fiquei num grupo de quatro motos, hora um, hora outro na frente em perseguição frenética e muita emoção nas ultrapassagens, até que um dos pilotos à minha frente caiu e não consegui alcançar o outro, mas o Wellington também não conseguiu me ultrapassar, nem podia acreditar.

DISPUTAS DA YAMAHA R3 CUP
Bloco de líderes tem sempre mais de dez pilotos. Foto: Divulgação.

A programação do domingão era warm-up pela manhã e largada ao meio-dia. Com “lua” de quarenta graus, outra vez larguei bem, mas desta vez nosso bloco de quatro ficou reduzido a três pilotos, Wellington, José Altair (o Ticoloco). Com nossa briga o bloco intermediário abriu, mas nós ficamos num passa passa eletrizante, ao menos para nós três, e, depois das 13 voltas, na última curva mergulhei por dentro do Wellington, fiz a ultrapassagem, mas a manobra me custou a linha correta e ele devolveu com o “X”, entrei na reta buscando seu vácuo e cruzamos a linha lado a lado, mas ele com meia moto na minha frente.

Este final de semana me deu um enorme aprendizado, mas também me trouxe muitas recordações, me de emoções, mas principalmente a oportunidade de conhecer e compartilhar a pista com um monte de garotos, adolescente e veteranos que formaram literalmente uma família, tudo isto graças ao esforço e amor dedicado de todos os envolvidos.

Parabenizo Alan Douglas, à Yamaha, Yamalube e todos os demais patrocinadores que possibilitam a realização de uma competição tão bonita como esta. Que o trabalho possa prosseguir por muito tempo e que estes garotos consigam seguir adiante com suas carreiras, só assim poderemos voltar a ter estrelas no cenário da motovelocidade mundial como o país merece!

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