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MotoGP: Petrucci vence na França, Márquez vai ao pódio

11 Minutos de leitura

  • Publicado: 13/10/2020
  • Por: Leo Pereira

No último final de semana tivemos o GP da França do Mundial de Motovelocidade, que representou a nona etapa da MotoGP, a 10ª das categorias Moto2 e Moto3 e as duas últimas do campeonato deste ano da MotoE, a categoria de motos elétricas. (*Por Léo Pereira)

A etapa foi disputada no circuito de La Sarthe, também conhecido como Circuito de Le Mans. O circuito original hospeda a tradicional corrida de endurance, as 24 Horas de Le Mans desde 1923. Com mais de 13km de distância, tinha uma reta de aproximadamente 6km onde os pilotos atingiam uma velocidade perto de 400km. Em 1955, um gravíssimo acidente resultou na morte de 83 espectadores e as corridas foram proibidas neste traçado.

Boletim da MotoGP, por Léo Pereira: Petrucci vence na França

O autódromo com traçado para provas de F1, MotoGP, entre diversas outras categorias, foi construído em 1965, recebendo sua primeira corrida da F1 em 1967, enquanto a MotoGP fez sua estreia por lá em 1969, com vitória de Giacomo Agostini nas 500cc. Após nova reformulação, o circuito francês voltou a receber o Mundial de Motovelocidade desde o ano 2000. Seu novo traçado tem 4.200 metros com nove curvas para a direita e cinco para a esquerda.

MotoE

A etapa de LeMans era muito importante para Eric Granado mostrar seu talento e fechar a temporada com chave de ouro, assim como fez em 2019, quando na última etapa fez a E-Pole e ganhou as duas corridas finais, encerrando a temporada na terceira posição (a melhor do piloto brasileiro na história da MotoE). Eu estava lá em Valencia e pude ver pessoalmente o quanto ele é capaz e o quanto esse resultado significou para sua carreira. No entanto, Eric não conseguiu atingir o objetivo de chegar entre os três melhores da temporada, ficando fora do pódio nas duas corridas realizadas em Le Mans neste final de semana.

Boletim da MotoGP, por Léo Pereira: Petrucci vence na França

A MotoE é uma categoria “cruel”, não permite erros e exige consistência, desempenho e um pouco de sorte. Não há tempo de se recuperar em uma corrida, pois são apenas sete voltas. Por isso, a E-Pole é tão importante. E a má sorte do piloto Brasileiro começou ainda em Jerez, quando Granado estava em segundo buscando o líder da prova, Dominique Aegerter, e foi atingido pelo italiano Matteo Ferrari, que o derrubou de sua motocicleta.

Boletim da MotoGP, por Léo Pereira: Petrucci vence na França

Eric terminou a temporada na sétima posição, somando 53 pontos em sete corridas da MotoE. O brasileiro fechou na frente de Xavi Cardelus, seu companheiro de equipe, que terminou o campeonato na 15ª colocação, com 34 pontos.

Boletim da MotoGP, por Léo Pereira: Petrucci vence na França
Granado deve seguir na MotoE em 2021 (Divulgação)

O que todos se perguntam: qual será o destino do brasileiro para 2021? Difícil responder neste momento, período no qual as equipes vem readequando seus orçamentos para o próximo ano, lidando com as consequências da pandemia da Covid-19. De qualquer forma, as possibilidades para Granado são:

– Seguir na MotoE, categoria em que ele é muito competitivo;
– Assinar com uma equipe da Moto2, ou;
– Ir para o Mundial de Superbike.

Porém, segundo o piloto, as opções 2 e 3 seriam interessantes somente em caso de acerto com equipes fortes e competitivas.

Corrida 1

A corrida foi interrompida por uma bandeira logo na primeira volta, com a queda do piloto italiano Mattia Casadei, que tomou um high-side na curva 3. Na relargada, mais cinco pilotos foram ao chão, entre eles Matteo Ferrari, que liderava a corrida e brigava pelo campeonato.

Granado conseguiu frear forte sua motocicleta e evitou o acidente, mas isso fez com que o brasileiro perdesse muito tempo. Mesmo assim, Eric conseguiu terminar a prova em sexto, após largar na nona colocação.

Quem ganhou a prova, foi o espanhol Jordi Torres, que estava em terceiro no campeonato. Completam o pódio o piloto da casa, Mike Di Meglio, e o finlandes Niki Tuuli.

Corrida 2

Eric Granado fez uma boa largada na segunda corrida da MotoE, mas já na curva 2 ele se envolveu em um acidente e abandonou a prova, encerrando a temporada de forma melancólica.

Boletim da MotoGP, por Léo Pereira: Petrucci vence na França

O espanhol Jordi Torres fez a corrida com a tabela de pontos embaixo do braço, mantendo-se na quinta posição e garantindo assim seu primeiro título da categoria de motos elétricas.

Jordi Torres, campeão da temporada 2020 da MotoE (Divulgação)

A emoção ficou por conta da disputa entre Tulli e Di Meglio pela primeira posição, e o finlandês levou a melhor, faturando a prova, seguido pelo italiano e com o australiano Josh Hook fechando o pódio.

CLASSIFICAÇÃO FINAL DA MOTOE:

Moto3

Apesar da previsão de chuva, a corrida da Moto3 foi disputada em pista seca. Líder do campeonato, Albert Arenas largou na segunda colocação, enquanto o vice-líder, o japonês Ai Ogura, partiu apenas do 17º posto.

Em grande parte da corrida, a briga nas primeiras posições foi protagonizada por Masia Arenas, Arbolino, Binder e Rodrigo. Na volta 13, um acidente entre Alonso Lopez e Fenati tirou da prova as duas motos da equipe Sterilgarda, do italiano Max Biaggi, zerando a pontuação na etapa. Enquanto isso, Vietti, que largou em décimo, estava em sétimo, mas no primeiro pelotão que tinha 10 motocicletas rodando no mesmo segundo.

O espanhol Jaume Masià liderou boa parte da prova, mas terminou na quarta colocação. Quem venceu foi Celestino Vietti, seguido de Tony Arbolino e Albert Arenas. Com o resultado, Arenas assumiu a liderança do campeonato.

Pódio da Moto3 em Le Mans (Divulgação)

MOTO3, CLASSIFICAÇÃO APÓS 10 ETAPAS:

Moto2

A corrida da Moto2 foi marcada por três fatores:

1: Um erro feio da equipe Tennor America Racing. Joe Roberts fez mais uma pole position na categoria, o que traria mais vantagem ao americano para a prova, não fosse o erro de sua equipe, que atrasou na escolha e na troca dos pneus e enfrentou um problema na roda traseira. Resultado disso? Roberts teve de largar na última posição.

2: Outro erro feio, agora da direção da prova. Foi dada a bandeira verde para a largada sem Roberts estar alinhado no grid. Com isso, quando o americano “apontou” na reta para alinhar, apagaram-se as luzes, e Roberts largou atrás do Safety Car! Sem saber o que fazer, o piloto seguiu acelerando e só conseguiu chegar nos últimos colocados da prova no final da primeira volta.

3: Vacilo de Jake Dixon! O britânico da Petronas, que não vem bem na temporada, ficando sempre atrás de seu companheiro, Xavi Vierge, vinha liderando a corrida com uma certa folga. Porém, ele perdeu a dianteira de sua moto na curva 14 e foi ao chão! Aparentemente não foi um erro, mas faltavam apenas quator voltas para sua primeira vitória, e ele estava com 2 s de vantagem para Sam Lowes. Poderia ter segurado um pouco, Dixon!

Agora vamos para a corrida, que foi muito boa: a pista estava muito perigosa, com poucos trechos secos, sendo um desafio muito grande para os pilotos. Já na primeira volta, Lowes, Vierge e Gadner trocaram posições algumas vezes. Jorge Martin ficou de fora da prova na volta 3, e Xavi Vierge na volta 5. Enquanto isso, Dixon vinha buscando posições. Na volta 8, Lowes, que liderava a prova, travou a roda dianteira de sua moto e foi ultrapassado por Dixon.

O britânico assumiu a ponta e liderou boa parte da prova, até que, faltando quatro voltas para o final, ele perdeu a dianteira de sua moto e foi ao chão. E quem se beneficiou com o erro de Dixon foi Lowes, que voltou a liderança e terminou a corrida no lugar mais alto do pódio.

MotoGP

O australiano Ramy Gardner superou Marco Bezzecchi na última curva e terminou em segundo, e o italiano completou o pódio da Moto2. Roberts, que mesmo largando em último (atrás até do Safety Car) e sofreu com os erros de organização, ainda foi um dos destaques da corrida da Moto2, conseguindo terminar a prova na sexta colocação.

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Pódio da Moto2 em Le Mans (Divulgação)

MOTO2, CLASSIFICAÇÃO APÓS 10 ETAPAS

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Mais uma vez, a pole position ficou com o líder do campeonato e piloto da casa, o francês Fabio Quartararo, com Jack Miller em segundo e Danilo Petrucci fechando a primeira fila.

As motos já estavam alinhadas no grid com pneus para pista seca, mas a largada foi atrasada devido à previsão de chuva. Quando foi mostrada a placa de 3 minutos e o Safety Car partiu para a volta de reconhecimento da pista, começou a chover novamente, e a largada foi cancelada. Todas as motos voltaram aos boxes para fazer a troca de pneus.

Largada autorizada e, poucos segundos depois, fim de prova para Valentino Rossi. Pela terceira vez seguida, o italiano fica de fora da corrida por conta de uma queda. Desta vez, na primeira volta e na primeira curva!

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Valentino Rossi caiu pela terceira corrida seguida (Divulgação)

Ainda na primeira volta, Danilo Petrucci assume a ponta, seguido por Miller e Dovi. Quartararo perdeu rendimento, e na volta 7 o francês já estava em 11º. Enquanto isso, na mesma volta 7, Alex Marquez, que largou em 18º, já havia ganho dez posições e estava em 8º, enquanto Alex Rins, que havia largado em 16º, já estava na 4ª colocação.

Tivemos uma corrida bem movimentada. Morbidelli caiu na volta 17 e abandonou. Rins havia assumido a vice-liderança da prova, mas cometeu um erro e caiu sozinho na volta 19. O espanhol foi ajudado pelos fiscais e voltou para a pista, mas tomou uma bandeira preta, pois ficou com uma fita pendurada na câmera de sua moto.

Jack Miller fazia uma corrida perfeita, sempre entre os três primeiros colocados, mas novamente teve problemas com o motor de sua Ducati, e abandonou a seis voltas para o final. Alex Márquez e Pol Espargaró ultrapassaram Dovizioso faltando 2 voltas para o final, e a corrida terminou com vitória de Petrucci de ponta a ponta, com Alex Márquez em segundo e Pol Espargaró em terceiro.

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Pódio da MotoGP em Le Mans (Divulgação)

O destaque da corrida fica para o desempenho impressionante de Alex Márquez, enquanto a decepção vai para as Yamahas, que conseguiram sua melhor colocação com Fabio Quartararo, que terminou a corrida apenas na nona posição.

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MOTOGP, CLASSIFICAÇÃO APÓS 9 ETAPAS:

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Análise

Como está acontecendo de tudo na temporada 2020 da MotoGP, não poderia faltar uma etapa com chuva, é claro! Se chovesse durante a etapa inteira, desde os primeiros treinos da sexta feira até o final das corridas no domingo, o trabalho das equipes seria mais fácil e o acerto da motocicleta para a corrida seria mais preciso. Pista boa para corrida, é aquela totalmente seca, ou totalmente molhada. A pista úmida, sem estar molhada, é péssima para corrida e perfeita para acidentes.

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Petrucci venceu pela segunda vez na MotoGP em Le Mans (Divulgação)

O final de semana inteiro foi um chove e seca tremendo e prevaleceu o talento dos pilotos que andam bem no molhado, ou quase molhado, como Danilo Petrucci e Sam Lowes, que é acostumado a pilotar em pistas nas mesmas condições que estava Le Mans neste final de semana.

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Além da chuva, a pista estava muito fria e essa, é a a pior condição para os pilotos de motovelocidade! Sem contar que o fabricante de pneus para a categoria MotoGP, levou os pneus de chuva com compostos mais macios, mas não levou pneus assimétricos para a etapa de Le Mans, que tem apenas cinco curvas para a esquerda e nove curvas para a direita.

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Após a Etapa de Le Mans, fica a observação feita por Marc Márquez, que está se recuperando de uma cirurgia no braço: “Parece que ninguém quer ser Campeão em 2020”. O Francês Fabio Quartararo que estava liderando o campeonato, teve a chance de abrir vantagem encima do vice Joan Mir, já que o piloto da Suzuki terminou a corrida apenas na décima primeira colocação. E Mir, por sua vez, poderia ter passado Quartararo na classificação, já que Fabio chegou apenas na nona colocação…

MotoGP
Alex Márquez conquistou seu primeiro pódio na MotoGP

Com os resultados da Etapa de Le Mans, ao invés de os primeiros colocados despontarem, os que vinham de trás estão com mais chances de brigar pelo título. A diferença do primeiro colocado Fabio Quartararo para o quarto colocado Dovizioso após o Grande Premio da Catalunha, era de 24 pontos. Agora, a diferença para o quarto colocado é de 19 pontos, que é o piloto Maverick Vinales.

Levando em consideração o ano atípico que vem sendo 2020 e que ainda temos 125 pontos em jogo, até Valentino Rossi tem chances matemáticas de ser campeão, já que tem a metade dos pontos do líder do campeonato, Fabio Quartararo!

MotoGP
Quartararo segue líder da MotoGP (Divulgação)

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O Mundial de Motovelocidade retorna neste final de semana, para a etapa de Aragón, na Espanha. Até a próxima!

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  • Léo Pereira é piloto de motovelocidade e instrutor de pilotagem da Triumph Riding Experience TRX. Também é empresário, representante da AirfenceSafety Systems e editor do anuário da MotoGP, o MotoGPBook Brasil.