Card image
Competições
Entrevista: Gilson Scudeler, diretor do Moto 1000 GP

10 Minutos de leitura

  • Publicado: 25/12/2015
  • Por: admin

<p><span style="line-height: 1.6em;">Depois do encerramento da temporada 2015, conversamos com o inscansável Gilson Scudeler, ex-piloto e atual diretor do Moto 1000 GP, evento homologado pela CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo) como Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, que não fugiu de nenhuma pergunta nossa e fez questão de esclarecer questões importantes sobre o campeonato. Confira abaixo.</span></p>

<p><img alt="Gilson Scudeler, diretor do Moto 1000 GP (foto: Rodrigo Ruiz)" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/gilson_scudeler_foto_rodrigo_ruiz_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p><strong>MOTOCICLISMO – O campeonato é homologado pela CBM. Como funciona a relação entre campeonato e CBM? Quem ajuda quem e como isso ocorre? É possível perder a homologação?</strong></p>

<p>Gilson Scudeler – A homologação é um canal de duas vias entre a entidade (CBM) e a Promotora (Moto 1000 GP Eventos).  Quando recebemos a homologação da entidade, fechamos um acordo de colaboração para reestruturação e desenvolvimento da motovelocidade nacional. É como acontece nos países onde a motovelocidade está bem estruturada, produzindo bons frutos comerciais e desportivos.</p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">Normalmente, à frente das federações ou nas comissões ou diretorias tem sempre um ex-piloto com uma carreira internacional no comando da modalidade. É com o conhecimento e experiência em outros eventos que ele pode avaliar e aplicar as melhores soluções nos campeonatos nacionais. </span></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">Foi algo assim ou pelo menos um pouco disso que estamos tentando reproduzir no Brasil. Não queremos só fazer um circo, onde o mais importante é o espetáculo. Mas produzir, sim, um campeonato com credibilidade, que seja seguro e desportivo. </span><span style="line-height: 1.6em;">E que também possa ser um espaço de negócios e entretenimento para o setor de duas rodas no Brasil, Essa é a missão da M1GP com a CBM.</span></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">O compromisso da CBM é oficializar perante órgãos, instâncias públicas e imprensa que o evento é amparado sob o ponto de vista legal, balizado pelas entidades legítimas que regulam o esporte no Brasil e no mundo. </span><span style="line-height: 1.6em;">Que tem o reconhecimento das entidades brasileiras e mundiais como o único Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, com garantia de credenciar equipes e pilotos com o título de Campeão Brasileiro de Motovelocidade, de dar garantias aos diretores dos autódromos de que seguirá os cadernos de encargos obrigatórios de protocolos de cada etapa, visando às condições de segurança e esportividade, garantindo isenção de resultados. </span></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">Aliás, além de ser o Campeonato Brasileiro de Motovelocidade oficial, o Moto 1000 GP é homologado pela FIM na categoria de “Nível  Internacional”. Isso já fala por si só. Já é uma apresentação em qualquer parte do mundo.</span></p>

<p><img alt="Antes de organizar um campeonato, Scudeler passou muitos anos competindo e conquistando títulos na motovelocidade (fotos: Aldemir Donini e Rodrigo Ruiz)" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/motociclismo_gilson_scudeler_moto_1000_gp_2016_2_620x467.jpg" style="margin: 0px auto; display: block; width: 620px; height: 467px;" /></p>

<p><strong><span style="line-height: 1.6em;">A final da GPR 250 infelizmente foi marcada por polêmica, com um piloto da equipe do atual campeão (Brian Hart) interferindo diretamente na disputa pelo título ao tocar na moto do outro candidato ao título (Ton Kawakami). O que a direção de prova está pensando em fazer para evitar que algo equivalente não ocorra, comprometendo uma bela temporada como esta?</span></strong></p>

<p>Em relação á prova final da categoria GPR 250, realmente não foi como todos nós desejávamos. A categoria é hoje a principal no Brasil destinada à formação dos futuros pilotos profissionais da motovelocidade.</p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">As corridas são espetaculares e estes jovens pilotos têm demonstrado muita habilidade, nos brindando com atuações dignas do mundial de Moto3. Infelizmente, nesta etapa houve o toque entre o Duarte e o Ton, que retirou o Ton da disputa do título, sem que tivesse qualquer chance de reverter o resultado. Ton foi um herói naquele momento, tentou resistir até o último instante em cima da moto.</span></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">Penso que qualquer um dos dois competidores que tivesse vencido este campeonato, teria seu mérito. Eles lutaram como verdadeiros campeões. Suas equipes trabalharam como se trabalha no mundial, deram o melhor para que eles chegassem à última etapa em disputa direta. Estão todos de parabéns. Foi um show!</span></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">O fato é que o Duarte provocou a queda do Ton, mesmo sem ter a intenção, que eu acredito que ele não tenha tido. Neste esporte, a velocidade é nossa aliada, mas quando estamos disputando lado a lado, somos todos de carne e osso. Não podemos colocar a integridade física de um companheiro de esporte acima de tudo. Principalmente levando em consideração que na moto estamos expostos, não há para-choques ou cockpits para nos proteger.</span></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">Para que todos entendam como para nós é importante a total isenção nos resultados e nos procedimento de seguranças, nós adotamos na temporada 2015 do Moto 1000 GP um novo procedimento.</span></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">São agora duas pessoas dirigindo e comandando as provas, para minimizar os erros e tornar mais ágeis os procedimentos e eventuais punições. Um é o diretor de prova Domingos Junior. Outro é o diretor adjunto, Gilson Romanni.</span></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">Os dois dividem as tarefas em treinos e corridas e também as partes desportivas do evento, No caso do toque do Duarte, foi considerado um toque de corrida. Mas que houve consequências, por isto ele foi desclassificado da prova.</span></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">Para tomar esta decisão os diretores contaram com as imagens oficiais geradas pelas câmeras profissionais da empresa Master TV, que proporcionou vários ângulos. De imediato, foi comprovada que a queda do Ton foi consequência do toque do Duarte em seu guidão. Sem necessidade de novas imagens ou informações da sinalização de prova para se chegar a esta conclusão.</span></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">Vamos aplicar já na temporada de 2016 medidas para reduzir riscos de quedas pelo choque entre os pilotos da categoria de formação. Vamos regulamentar algumas medidas, como aumentar a área frontal e lateral das carenagens e diminuir a largura entre as pontas dos guidões, para que não ocorra cruzamento entre estas partes. Para que se houver o toque, este seja na carenagem, não dos comandos de direção, freio ou embreagem.</span></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">Outra medida será a adoção de um sistema de pontuação por atitudes consideradas antiesportivas. Haverá um prontuário de cada piloto. Quando ele atingir determinada pontuação, passará receber punições que podem variar de posição no grid à exclusão da prova. Desta forma, queremos conscientizá-los de que as regras e regulamentos foram feitos para o benefício de todos.  E que se as seguirmos, vamos valorizar nossa modalidade como nunca antes foi feito no Brasil.</span></p>

<p><img alt="Na imagem, os três melhores pilotos de 2015 na GPR 250 (foto: Gilmar Rose)" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/motociclismo_podio_gpr_250_moto_1000_gp_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p><strong><span style="line-height: 1.6em;">Outro tema que tem sempre repercussão é a segurança dos pilotos nos circuitos que sediam as etapas. Dos circuitos brasileiros, qual é o mais seguro e qual precisa ser revisto?</span></strong></p>

<p>Este é um assunto bem delicado. É difícil apontar o mais seguro no Brasil, todos têm seu ponto forte e o ponto fraco em termos de segurança. Mas o que posso dizer é que na escolha dos autódromos para etapas do Moto 1000 GP nós realizamos uma avaliação exatamente levando em conta os pontos fracos e fortes de cada autódromo, para formatar um calendário com as condições de segurança que considero essenciais às provas do nível do Moto 1000 GP.</p>

<p><strong>As barreiras de proteção de ar são uma alternativa para aumentar a segurança em circuitos que não foram projetados pensando nas motos. Sabemos que o custo é alto, mas que talvez, diluindo entre os participantes, seria mais acessível ter em todas as provas esta proteção extra. Qual é a opinião da organização do campeonato e o que vocês ouvem dos pilotos sobre esta questão?</strong></p>

<p>No Brasil, elas são fundamentais para diminuir a probabilidade de lesão graves. Todos os pilotos têm uma preocupação muito grande em relação a sua utilização, discutem nas redes sociais, e até criticam, alguns sem qualquer informação técnica do equipamento e qual é a função e a quantidade necessárias para atingir nível aceitável de segurança. </p>

<p>O importante é que estas reivindicações dos pilotos não fiquem restritas ao nosso evento, mas sim aos treinos privados, aos campeonatos não homologados e ‘Track days’ que estes pilotos participam e que na maioria das vezes nem contam com uma ambulância UTI com médico para os procedimentos básicos em caso de queda. Não adianta defender uso de um equipamento eficaz para o nosso evento, e em seguida ir fazer um treino ou corrida sem qualquer sinalização, direção e suporte na área assistência médica na pista.</p>

<p><strong>Você considera 2015 um ano pior que 2014, onde o campeonato mostrou grande evolução?</strong></p>

<p>Foi o melhor ano de todos. Mesmo com a crise nosso público cresceu, atraiu interesse de grandes empresas em investir na modalidade, o que é excepcional para injetar recursos nas equipes e no evento. As equipes melhoraram ainda mais suas estruturas e o nível dos pilotos esteve mais uniforme em todas as categorias, o que demonstra que estamos formando uma nova geração de pilotos e não apenas alguns bons pilotos.</p>

<p><strong><span style="line-height: 1.6em;">Com a criação da categoria GP 1000 Evo, a GP Light não perde um pouco do sentido de existir?</span></strong></p>

<p>Sim, a GP Light perdeu um pouco da sua característica, que era de ser a porta de entrada para pilotos que viessem de campeonatos regionais com motos de 1 000 cm³. Os pilotos demonstraram ter um excelente nível. A prova é que a Light era a categoria com maior índice de acidente nos outros anos. E neste ano, houve redução drástica de quedas, principalmente as de maiores consequências. Estamos avaliando qual será o futuro dela para apresentarmos aos pilotos.</p>

<p><strong><span style="line-height: 1.6em;">Eric Granado deu show em 2015 e com certeza atrai muita gente para o autódromo. Em 2016 ele vai competir novamente na GP 600 enquanto disputa o Europeu de Moto2. Para o piloto, a GP 600 serve como um importante treino para o Europeu, mas para o campeonato, acreditamos que seria bom vê-lo na GP 1000, pois tem competência para disputar por vitórias contra Lussiana e Pierluigi. Qual é sua opinião?</span></strong></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">Com certeza, acredito que seria uma das grandes estrelas da categoria e para ele seria o caminho natural para evoluir ainda mais. Ele voltou para o Brasil e demonstrou que é um excepcional piloto, que se adapta muito rápido em todas as condições de pista, moto e clima… Foi muito bom o seu retorno, contribuiu para elevar o nível da GP 600.</span></p>

<p><img alt="Eric Granado deu show em 2015 com a Honda CBR 600RR na GP 600 (foto: Gilmar Rose)" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/eric_granado_moto_1000_gp_2015_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p><strong><span style="line-height: 1.6em;">Quando teremos novamente um campeão brasileiro na GP 1000?</span></strong></p>

<p>Acredito que já temos grandes pilotos que poderiam estar disputando o título com Lussiana, No final de 2014, o Wesley Gutierrez já demonstrava boa fase e poderia brigar de igual para igual. O Danilo Lewis que também é um excelente piloto, o Eric Granado poderia passar por um período de adaptação às motos de 1 000 cm³, mas por certo viria para disputar a ponta, assim como o Joelsu "Mitiko” da Silva, vice-campeão na GP 600 em 2015.</p>

<p>O que é necessário é formar pilotos em todas as outras categorias, para que passo a passo a GP 1000 seja alimentada com bons pilotos brasileiros com nível internacional para ser a maioria no grid e para brigarem com os pilotos estrangeiros. Com certeza, teremos campeões brasileiros na GP 1000 no futuro próximo.</p>

<p><img alt="Atualmente, o melhor piloto na GP 1000 é o francês Matthieu Lussiana, campeão em 2014 e 2015 (foto: Gilmar Rose)" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/motociclismo_matthieu_lussiana_moto_1000gp_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p><strong><span style="line-height: 1.6em;">O que a organização está fazendo para reter pilotos e equipes na competição e atrair novos?</span></strong></p>

<p>Não fazemos qualquer ação para segurar ou angariar novos pilotos. O que fazemos é proporcionar para todos condição de igualdade em um cenário desportivo isento de interferências e com regras e regulamentos pré-definidos, voltados para o equilíbrio e desenvolvido para os pilotos  e equipes participarem com o menor custo possível.</p>

<p>Do lado comercial oferecemos um pacote único de divulgação e de transmissão ao vivo, em duas emissoras nacionais, de todas as corridas da temporada, que vem sendo cumprido desde o lançamento do campeonato há cinco anos. Todas as etapas do Moto 1000 GP foram transmitidas na TV. Propomos uma condição no inicio da temporada e cumprimos até o final. Acredito que esta seja a melhor plataforma para equipes, pilotos e patrocinadores desenvolverem suas atividades desportivas e comerciais na motovelocidade no Brasil.</p>

<p><strong><span style="line-height: 1.6em;">Qual é a maior dificuldade de organizar um campeonato de motovelocidade no Brasil?</span></strong></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">Obter recursos para efetuar um evento com qualidade.</span></p>

<p><strong>O que muda para 2016 no campeonato?</strong></p>

<p>O que posso adiantar hoje é que a GPR 250 irá mudar para GP 300, com motos multimarcas e com cilindrada de 250 cm³ a 390 cm³, regulamentadas e equilibradas através do regulamento técnico. Tem também mais algumas novidades para a categoria que no momento não posso revelar, mas assim que apresentarmos todas as condições da temporada 2016, será uma grande e boa surpresa, que irá contribuir para alimentar nossa categoria de formação.</p>

<p><img alt="Scudeler é casado com Alessandra Okama, que também trabalha na organização do campeonato (Foto: Chris Fabbri)" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/alessandra_okama_e_gilson_scudeler_moto_1000_gp_foto_chris_fabbri_620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p><strong>Como você imagina que a motovelocidade brasileira esteja daqui a cinco anos?</strong></p>

<p>Em cinco anos, vi o Moto 1000 GP nascer num momento que a motovelocidade buscava caminhos para seguir viva. Temos um campeonato que é reconhecido internacionalmente, nossos pilotos estão virando personagens e começam a ser valorizados, sinal que estamos no caminho certo.</p>

<p>Nos próximos cinco anos, presenciaremos a equiparação em importância da motovelocidade com as principais categorias de esporte a motor no Brasil. Haverá grande quantidade de pilotos brasileiros participando de campeonatos internacionais de grande Importância e com condições de vencer e de ser campeões. </p>

Conteúdo Recomendado

Comentários