Card image
Competições
Categoria Self e a aventura de correr o Sertões “sozinho”

3 Minutos de leitura

  • Publicado: 20/08/2018
  • Por: Carlos Bazela

Certamente quando você estiver lendo estas linhas, o maior rali da América do Sul já estará rodando por diferentes tipos de terrenos. Os pilotos largaram no Estado de Goiás e vão percorrer também parcelas inóspitas da Bahia, Piauí e Ceará e, provavelmente, os favoritos já estarão se destacando em suas categorias.

A MOTOCICLISMO esteve na largada do Rally dos Sertões, em Goiânia e foi conferir de perto as mudanças da edição 2018 de uma das provas mais tradicionais do off-road brasileiro. O prólogo (voltas cronometradas para definição da ordem de largada no Rally), por exemplo, foi feito 100% no asfalto, dentro do Autódromo Internacional Ayrton Senna. A posição de largada, levou alguns pilotos, inclusive, a prepararem suas motos, UTVs e Carros com pneus voltados para asfalto. Curiosamente (e obviamente também por questão de custo) outros fizeram o prólogo com os mesmos pneus que usarão nos difíceis caminhos de terra.

Veja também:
Dunas divulga roteiro do Rally dos Sertões 2018
Rally dos Sertões completa 25 anos de off-road para todos
Paschoalin completa Pikes Peak com Yamaha MT-09

Outra grande novidade foi a incorporação da categoria Self, que segundo Marcos Moraes, o idealizador e responsável pela organização do evento, saiu de uma conversa com Christian Costantini, piloto de motos que competiu dois anos atrás sozinho no rali, para diminuir os custos de sua participação. “O Marcos me chamou para conversar e começamos a idealizar a nova categoria para as motos nos moldes do Dakar, colocamos em prática o projeto e conseguimos depois de muito esforço colocar oito pilotos na categoria”, conta Christian.

Basicamente a categoria não permite que ninguém além do piloto mexa na motocicleta, a única exceção é para troca de pneus, onde o piloto deve retirar a roda e um mecânico da Bike Box, que fornece o suporte técnico para a prova. O resto tem que ser feito pelo piloto. Pense em acelerar, em média 600 km, entre especial e deslocamento, no pau, e inda ao chegar no destino ter que fazer a manutenção da moto. Desde a preventiva de corrente, filtro de ar, troca de óleo até reparos, caso sejam necessários. É insano! Mas, estes heróis não estão preocupados com o desgaste físico, nem mental. Querem chegar ao fim do rali, independente da colocação, umaafirmação unânime entre todos que conversamos.

Neste ano, entre os oito valentes pilotos na categoria, está a Janaina Souza, que estreou na edição do ano passado da prova e tem em comum com os colegas e companheiros competidores o gosto pela aventura, a loucura por desafios e a capacidade de apertar parafusos, mesmo depois de um dia inteiro em cima da moto.

Diferente do que pode parecer, alguns pilotos que participam da categoria Self tem história sedimentada em resultados consistentes, como Tiago Fanttozi, vencedor do Rally dos Sertões em 2011, e Rafael Paschoalin, que entre outras peripécias, já participou da corrida mais perigosa o mundo a TT da Ilha de Man e da não menos desafiadora e perigosa, subida de Pikes Peak, nos Estados Unidos, e faz sua estreia na prova.

Outra unanimidade entre todos é o companheirismo. Se você, assim como nós, pensou que haveria um fiscal da organização para controlar os pilotos, se enganou. Eles mesmos são os responsáveis por isso. Para competir na Self, Costantini foi bem claro ao dizer alguns valores que os participantes levam adiante, como respeito, resiliência, espírito colaborativo, companheirismo e ética. Assim como deve ser na vida.

Texto e fotos: Ismael Baubeta

Conteúdo Recomendado

Comentários